
Convocado ontem por Mano Menezes para o próximo amistoso da seleção brasileira, o londrinense Jadson, revelado pelo Atlético, se surpreendeu ao ser lembrado para vestir a amarelinha aos 27 anos. O meia, que completa hoje exatos seis anos na Ucrânia, viu no chamado para a partida contra a França, dia 9/2, o fim de um dilema.
Sem expectativa de servir à seleção de sua terra natal, o atleta já traçava outros planos. Estudava a possibilidade de naturalizar-se ucraniano e, consequentemente, jogar pela equipe daquele país. A decisão definitiva sobre a naturalização só não tinha sido tomada ainda, pois, nesse caso, ele perderia a cidadania italiana, que está em trâmite.
Contudo, se adotasse a nacionalidade ucraniana era certeza de que passaria a figurar nas convocações da seleção nacional, o que seria o suficiente para realizar um de seus sonhos: jogar no futebol inglês atuar por uma seleção é exigência da legislação da Inglaterra para estrangeiros.
"Não estava esperando. Fiquei surpreso mesmo, mas muito feliz com essa oportunidade que o Mano está me dando", falou o jogador, que admitiu nem ter lembrado de que a convocação sairia ontem. Ele recebeu a notícia depois de atuar no amistoso contra o Sparta Praga (1 a 1), em Dubai, onde o Shakhtar faz pré-temporada. "A gente está treinando aqui, eu estava no jogo. Quando cheguei no hotel meu empresário me avisou. Mas só depois que entrei na internet foi que caiu a ficha. Liguei para minha mulher, para os meus pais...."
A alegria de estar na lista do técnico gaúcho encerrou as dúvidas sobre seu futuro passaporte. Não apenas as portas da Inglaterra se abrem ao ex-atleticano, mas também os olhares do mundo miram o meia de articulação.
"O Campeonato Ucraniano não é de muita visibilidade. Então só aparecemos quando estamos na Champions League ou na Copa da Uefa", explica o jogador. Ele credita a convocação ao desempenho na Copa dos Campeões, na qual o Shakhtar enfrentará o Roma (16/2), pelas oitavas de final.
Mas o motivo que levou Mano Menezes a chamar o meia não foi apenas esse. Logo após anunciar os 23 nomes, o técnico gaúcho explicou que a presença de Jadson faz parte da tentativa de arranjar substitutos para os jogadores Kaká e Ganso o primeiro está retornando de lesão, já o santista volta aos gramados só em março.
A dura missão não chega a assustar quem foi um dos responsáveis a levar o Atlético ao vice campeonato brasileiro de 2004: "O Kaká é um grande jogador, já foi o melhor do mundo. O Ganso também já provou a sua qualidade. Mas cada um tem o seu estilo. E agora eu estou aí com essa chance e vou tentar, na ausência deles, ajudar a seleção."
É costume de Jadson agradecer a Deus todas as oportunidades que a vida lhe proporcionou. Mas entre as conquistas no mundo da bola o atleta não esconde que a convocação está topo da lista. "É a maior oportunidade de minha vida. Tenho de agarrar com unhas e dentes para conseguir meu espaço."



