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Seleção

Porta aberta

Jadson vê a convocação para o amistoso com a França como a chance de realizar o sonho de atuar na Inglaterra

Jadson já se preparava para se naturalizar ucraniano para defender a seleção local e poder se transferir para um clube da Inglaterra | Alexander Hudoteply/ AFP
Jadson já se preparava para se naturalizar ucraniano para defender a seleção local e poder se transferir para um clube da Inglaterra (Foto: Alexander Hudoteply/ AFP)

Convocado ontem por Mano Menezes pa­­ra o próximo amistoso da seleção brasileira, o lon­­drinense Jadson, re­­velado pelo Atlé­­tico, se surpreendeu ao ser lembrado para vestir a amarelinha aos 27 anos. O meia, que completa hoje exatos seis anos na Ucrânia, viu no chamado para a partida contra a França, dia 9/2, o fim de um dilema.

Sem expectativa de servir à seleção de sua terra natal, o atleta já traçava outros planos. Estudava a possibilidade de naturalizar-se ucraniano e, consequentemente, jogar pela equipe daquele país. A decisão definitiva sobre a naturalização só não tinha sido tomada ainda, pois, nesse caso, ele perderia a cidadania italiana, que está em trâmite.

Contudo, se adotasse a nacionalidade ucraniana era certeza de que passaria a figurar nas convocações da seleção nacional, o que seria o suficiente para realizar um de seus sonhos: jogar no futebol inglês – atuar por uma seleção é exi­­gência da legislação da In­­gla­­terra para estrangeiros.

"Não estava esperando. Fi­­quei surpreso mesmo, mas muito feliz com essa oportunidade que o Ma­­no está me dando", falou o jogador, que admitiu nem ter lembrado de que a convocação sairia on­­tem. Ele recebeu a notícia depois de atuar no amistoso contra o Sparta Praga (1 a 1), em Dubai, on­­de o Shakhtar faz pré-temporada. "A gente está treinando aqui, eu estava no jogo. Quando cheguei no hotel meu empresário me avisou. Mas só depois que entrei na internet foi que caiu a ficha. Liguei para minha mulher, para os meus pais...."

A alegria de estar na lista do técnico gaúcho encerrou as dúvidas sobre seu futuro passaporte. Não apenas as portas da Inglaterra se abrem ao ex-atleticano, mas também os olhares do mundo miram o meia de articulação.

"O Campeonato Ucraniano não é de muita visibilidade. Então só aparecemos quando estamos na Champions League ou na Copa da Uefa", explica o jo­­ga­­dor. Ele credita a convocação ao desempenho na Copa dos Cam­­peões, na qual o Shakhtar enfrentará o Roma (16/2), pelas oitavas de final.

Mas o motivo que levou Mano Menezes a chamar o meia não foi apenas esse. Logo após anunciar os 23 nomes, o técnico gaúcho explicou que a presença de Jadson faz parte da tentativa de arranjar substitutos para os jogadores Kaká e Ganso – o primeiro está retornando de lesão, já o santista volta aos gramados só em março.

A dura missão não chega a as­­sus­­tar quem foi um dos responsáveis a levar o Atlético ao vice campeonato brasileiro de 2004: "O Kaká é um grande jogador, já foi o melhor do mundo. O Ganso também já provou a sua qualidade. Mas cada um tem o seu es­­tilo. E agora eu estou aí com essa chance e vou tentar, na au­­sência deles, ajudar a seleção."

É costume de Jadson agradecer a Deus todas as oportunidades que a vida lhe proporcionou. Mas entre as conquistas no mundo da bola o atleta não esconde que a convocação está topo da lista. "É a maior oportunidade de minha vi­­­da. Te­­nho de agarrar com unhas e dentes para conseguir meu espaço."

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