
Há duas semanas, após ser eliminada da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a delegação do Paraná seguiu viagem de volta para Curitiba. Mal sabia que na bagagem estava uma grande dor de cabeça para o clube.
No dia 12 de janeiro, dois dias antes da eliminação, o pai do jogador Caio Barbosa Brito de Castro, de 17 anos, muito provavelmente com o auxílio de algum empresário de futebol, entrou na Justiça para pedir a liberação do atleta junto ao clube. A alegação é de que o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) do meio-campista, que neste ano integraria o elenco profissional, não estava sendo recolhido. No entanto, apesar da liminar ter sido negada, a questão abriu os olhos para outro problema: o caso não é isolado e outros atletas poderiam se utilizar do mesmo recurso.
A diretoria não confirma quantos meses de FGTS não foram pagos, mas, pela lei, depois de três meses sem pagamento, é possível brigar por uma rescisão contratual. No fim da semana passada, tudo foi quitado e hoje a contribuição de todos os jogadores está em dia garante a cúpula paranista.
De acordo com o presidente paranista, Aquilino Romani, o caso ficará nas mãos do departamento jurídico do clube. Uma audiência entre as duas partes deve ser marcada nas próximas semanas. Por enquanto, o Paraná aguarda a reapresentação do jogador.
O próprio dirigente ficou surpreso com a situação, que, segundo ele, deveria ter sido resolvida pela gestão de Aurival Correia. O ex-presidente não atendeu às ligações da reportagem.
"Não sei o que vamos fazer. Lógico que foi uma falha, um erro, mas talvez não houve dinheiro para pagar. Na época os jogadores fizeram greve e a situação estava complicada", diz Romani, ao mesmo tempo indignado e tentando medir as palavras.
Na próxima semana deve acontecer a reunião que aprova o orçamento do Tricolor para 2010. Porém, por causa deste problema, é possível que a situação de Aurival Correia, atual vice-presidente financeiro, também entre em pauta. E ela aparenta ser complicada. "Não é para mim, é para o clube (que a situação ficou constrangedora). Temos de avaliar juridicamente. Se o clube tiver prejuízo...vamos aguardar, não tem nada definido", despista Romani.
O advogado do Tricolor, Alessandro Kishino, acredita que o caso será resolvido em favor do Paraná. Segundo ele, o clube ainda não foi intimado e só tem conhecimento informal sobre a situação. "O Paraná não perde o jogador. Não há motivo para pleitar uma rescisão, tanto é que a liminar foi negada", garante. Caio, cogita-se, estaria indo para Fiorentina, da Itália.
O dono da empresa Base, responsável pelas categorias de formação do Paraná, Marlo Litwinski, também culpa a antiga administração pela falha. "Não tenho dúvida de quem foram os responsáveis. É uma irresponsabilidade, já que os jogadores formados em casa são os únicos patrimônios do clube", diz ele, o responsável por quitar o débito.
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Em Curitiba
Paraná
Juninho; Irineu (Diego Correia), Alessandro Lopes e Luís Henrique; Murilo, Luiz Camargo, João Paulo, Elvis e Guaru; Douglas Santana e Marcelo Toscano.
Técnico: Marcelo Oliveira.
Iraty
Walter; Rogério, René e Sílvio; Airton, Bruno, Diogo, Ceará e Alexandre; Heydson e Marquinhos.
Técnico: Gilberto Pereira.
Estádio: Vila Capanema. Horário: 19h30. Árbitro: Adriano Milczvski. Auxs.: Arestides Pereira da Silva Jr e Guilherme Roggenbaum.



