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Futebol americano

Praticantes ignoram escola brasileira de gestão

Mesmo longe da realidade do esporte nos Estados Unidos, atletas e dirigentes da modalidade ianque apostam no formato da NFL para atrair novos adeptos

A bola oval, o uniforme e o capacete: aos poucos o futebol americano começa a ganhar espaço na capital paranaense com a presença de dois gigantes da modalidade, o Coritiba Crocodiles e o Curitiba Brown Spiders | Antônio Costa/ Gazeta do Povo
A bola oval, o uniforme e o capacete: aos poucos o futebol americano começa a ganhar espaço na capital paranaense com a presença de dois gigantes da modalidade, o Coritiba Crocodiles e o Curitiba Brown Spiders (Foto: Antônio Costa/ Gazeta do Povo)
Kaghtazian, presidente do Crocodiles: faz tudo para tirar o esporte do amadorismo |

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Kaghtazian, presidente do Crocodiles: faz tudo para tirar o esporte do amadorismo

O modus operandi é brasileiro, mas a fonte inspiradora vem dos Estados Unidos. Assim o futebol americano tenta atrair mais fãs e praticantes em 2012 – esperança que ganhou força após uma temporada de relativo sucesso no país da bola redonda.

Apesar do amadorismo no Brasil, a organização dos torneios e do esporte tem como inspiração o estilo ultraprofissional do campeonato ianque. Os exemplos locais são uma espécie de caricatura da liga norte-americana, a milionária NFL, organização com mais de 90 anos de história.

Até mesmo na nomenclatura dos jogos, como na divisão do campeonato por "conferências" e não por regiões, há indícios da influência estrangeira. Peque­­nos detalhes que – segundo os "cartolas" da ainda exótica atividade – podem fazer a diferença.

"Nos espelhamos num modelo muito bem feito e levado a sé­­rio. Usar o perfil norte-americano mais do que os modelos brasileiros, tem funcionado bem. Assim acabamos brigando para tentar criar algo organizado, com um padrão legal", comenta o presidente do Coritiba Croco­­diles, Gerard Kaghtazian.

Esse trabalho nos bastidores não é simplesmente para se apro­­ximar dos Estados Unidos, mas é encarado como questão de sobrevivência.

"É uma necessidade, temos de nos organizar porque cada equipe tem cerca de 70 atletas, sete equi­­pes no estado. Se não for or­­ga­­nizado, simplesmente não acon­­tece. Desde o começo sempre demos muita atenção para a organização", acrescenta o presidente do Curitiba Brown Spiders e vice-presidente da Federação Pa­­ranaense de Futebol America­­no, Leandro Molinari.

Mas como qualquer esporte amador que deseja se aproximar do profissionalismo, o principal obstáculo é a falta de recursos. Por lá, claro, bilhões de dólares são despejados todos os anos para fazer da modalidade mais um espetáculo do que um jogo. Em terras paranaenses, porém, a realidade é bastante diferente. Mesmo assim, tudo o que é possível repetir é testado, às vezes com adaptações.

No caso dos dois principais times curitibanos, o Crocodiles e o Brown Spiders, quase toda a renda que entra em caixa vem da mensalidade dos próprios atletas, o que paga apenas o mínimo necessário. Além disso, o esporte esbarra na falta de estrutura adequada para treinar e jogar.

"Não existem campos destinados somente ao futebol americano. A maioria dos times tem de improvisar, treinando em parques e praças. Temos de lutar com a falta de patrocínio e de apoio para jogos e viagens, inscrição em torneios, e assim vai", lamenta Kaghtazian.

Por isso a rivalidade entre as equipes fica somente dentro de campo. Do lado de fora, união é a palavra de ordem. "A Federação [Paranaense] é formada por pessoas que fazem parte das equipes e deixamos a rivalidade de lado. Trabalhamos juntos com o objetivo de fazer o esporte crescer", ressalta Molinari.

Algum fruto já pôde ser colhido. No início deste mês, o futebol americano levou sete mil pessoas ao Couto Pereira para assistir ao duelo final do Brasil Bowl II, entre o Crocodiles e o Fluminense Imperadores. Um touchdown para animar a virada do ano.

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