
O modus operandi é brasileiro, mas a fonte inspiradora vem dos Estados Unidos. Assim o futebol americano tenta atrair mais fãs e praticantes em 2012 esperança que ganhou força após uma temporada de relativo sucesso no país da bola redonda.
Apesar do amadorismo no Brasil, a organização dos torneios e do esporte tem como inspiração o estilo ultraprofissional do campeonato ianque. Os exemplos locais são uma espécie de caricatura da liga norte-americana, a milionária NFL, organização com mais de 90 anos de história.
Até mesmo na nomenclatura dos jogos, como na divisão do campeonato por "conferências" e não por regiões, há indícios da influência estrangeira. Pequenos detalhes que segundo os "cartolas" da ainda exótica atividade podem fazer a diferença.
"Nos espelhamos num modelo muito bem feito e levado a sério. Usar o perfil norte-americano mais do que os modelos brasileiros, tem funcionado bem. Assim acabamos brigando para tentar criar algo organizado, com um padrão legal", comenta o presidente do Coritiba Crocodiles, Gerard Kaghtazian.
Esse trabalho nos bastidores não é simplesmente para se aproximar dos Estados Unidos, mas é encarado como questão de sobrevivência.
"É uma necessidade, temos de nos organizar porque cada equipe tem cerca de 70 atletas, sete equipes no estado. Se não for organizado, simplesmente não acontece. Desde o começo sempre demos muita atenção para a organização", acrescenta o presidente do Curitiba Brown Spiders e vice-presidente da Federação Paranaense de Futebol Americano, Leandro Molinari.
Mas como qualquer esporte amador que deseja se aproximar do profissionalismo, o principal obstáculo é a falta de recursos. Por lá, claro, bilhões de dólares são despejados todos os anos para fazer da modalidade mais um espetáculo do que um jogo. Em terras paranaenses, porém, a realidade é bastante diferente. Mesmo assim, tudo o que é possível repetir é testado, às vezes com adaptações.
No caso dos dois principais times curitibanos, o Crocodiles e o Brown Spiders, quase toda a renda que entra em caixa vem da mensalidade dos próprios atletas, o que paga apenas o mínimo necessário. Além disso, o esporte esbarra na falta de estrutura adequada para treinar e jogar.
"Não existem campos destinados somente ao futebol americano. A maioria dos times tem de improvisar, treinando em parques e praças. Temos de lutar com a falta de patrocínio e de apoio para jogos e viagens, inscrição em torneios, e assim vai", lamenta Kaghtazian.
Por isso a rivalidade entre as equipes fica somente dentro de campo. Do lado de fora, união é a palavra de ordem. "A Federação [Paranaense] é formada por pessoas que fazem parte das equipes e deixamos a rivalidade de lado. Trabalhamos juntos com o objetivo de fazer o esporte crescer", ressalta Molinari.
Algum fruto já pôde ser colhido. No início deste mês, o futebol americano levou sete mil pessoas ao Couto Pereira para assistir ao duelo final do Brasil Bowl II, entre o Crocodiles e o Fluminense Imperadores. Um touchdown para animar a virada do ano.




