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Mensalão do apito

Presidente do TJD recebe dinheiro dos clubes em conta pessoal

Dirigente do Engenheiro Beltrão diz ter feito dois depósitos na conta de Bortolo Escorsin e investido na empresa de Onaireves Moura

O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná, Bortolo Escorsin, foi denunciado por receber dinheiro poveniente de taxas de clubes, que seriam para o TJD, em sua conta corrente pessoal. A denúncia partiu do presidente do Engenheiro Beltrão, Luís Heitor Linhares, nesta segunda-feira, em depoimento no mesmo Tribunal sobre o mensalão do apito.

O cartola apresentou um comprovante de depósito feito por ele na conta conjunta de Escorsin, e da vice, Adriana de França. O dinheiro (R$ 100,00) é referente ao pagamento da taxa de recurso da ação que confirmou a queda do Engenheiro no Paranaense em primeira instância, segundo reportagem de Robson De Lazzari, na Gazeta do Povo.

Linhares contou ainda que em 2004 a pena imposta pelo TJD ao atacante Élton Alexandre da Silva, de sua equipe Júnior, era de dez cestas básicas e foi paga da mesma maneira: depósito na conta de Escorsin.

"Eu ligava para ele (Escorsin) e perguntava como eu pagava essas taxas. Ele respondia: ‘Põe na minha conta’."

De acordo com o o artigo 176 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), os pagamentos de penas e taxas devem ser feitos para a "entidade que rege o desporto". No caso, a Federação Paranaense de Futebol (FPF).

A justificativa

"A FPF tem um sério problema de CNPJ e por isso o Tribunal nos autorizou a abrir essa conta para recebimento de valores dos clubes do interior. Os da capital pagam aqui no guichê da Federação. Mas reconheço que a situação é irregular", admitiu Escorsin, que disse ter mandado cancelar a conta.

O jurista afirmou não temer a perda de credibilidade do Tribunal porque está "apenas ajudando os clubes do interior". Ele também revelou o destino dos recursos arrecadados.

"O dinheiro, que não chega a R$ 1,5 mil por mês, é usado para pagar o cafezinho, a internet, a água e o material de escritório que a Federação deixa conosco. Todos os clubes sabem disso, é uma prática de muitos anos. Repassei as cestas básicas para entidades de assistência", confirmou.

O diretor financeiro da Federação, Cirus Itiberê da Cunha, desmentiu Escorsim. Ele disse que o nome da FPF não está sujo, e existe uma conta específica para o depósito de taxas e multas. "Não sei por que ele está usando a conta particular", disse.

Convocado para depor após o Engenheiro – rebaixado na Série Ouro deste ano – ser citado pelo árbitro Evandro Rogério Romam como um clube que "poderia dar detalhes" sobre a manipulação de resultados no estado, Linhares desabafou.

"Depois que ele citar e provar quais são os 15 nomes que estão envolvidos no esquema, eu sento frente a frente com ele. Não adianta ficar jogando coisas no ar, tem de provar. Por que não veio aqui hoje (ontem)? É um pipoqueiro", disse.

O dirigente também disse ter feito um depósito na conta de Antônio Carvalho, ex-vice presidente da Comissão de Arbitragem, e um investimento de R$ 10 mil em avestruzes – através da empresa Top Avestruz do presidente da FPF, Onaireves Moura.

"A pedido do Johelsson Pissaia (diretor administrativo da Federação), fiz o investimento nos avestruzes. Em setembro do ano passado, depositei na conta do Carvalho para pagar as despesas de um torneio Sul-Brasileiro amador que ocorreu em Engenheiro Beltrão. Mas nunca paguei nenhum dinheiro de propina", afirmou.

Pissaia negou ter solicitado a Linhares o investimento na compra das aves.

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