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Especial

Quatro infartos depois, Macaris do Livramento volta ao trabalho e retoma projeto de vida

Ex-pugilista, totalmente recuperado, curte a filha recém nascida e projeta o sucesso do boxe paranaense em todo o Brasil

A banda Bad Religion é um dos grandes nomes da cena punk rock mundial | Divulgação/Seven Shows
A banda Bad Religion é um dos grandes nomes da cena punk rock mundial (Foto: Divulgação/Seven Shows)

Depois de encarar por quase vinte anos socos - muitos socos - e incontáveis "olhos-roxos", a vida tratou de aplicar no pugilista Macaris do Livramento dois golpes fortíssimos. O primeiro, e mais perigoso, foi o infarto (que na verdade foram quatro, em menos de 24 horas) que derrubou o ex-atleta de 46 anos no último dia 22 de fevereiro. O segundo golpe, muito mais suave e recebido com prazer, foi o nascimento de Nicoly, a quarta descendente do maior expoente do boxe paranaense.

Ainda hoje, um mês e meio depois do susto maior, Macaris lembra do incidente com seriedade. "Foi realmente um susto grande, uma experiência única. Eu vi a morte de perto. Mas depois disso comecei a dar valor nas pequenas coisas, a ver a vida de uma outra maneira. Mas, graças a Deus, já está tudo bem", disse em entrevista especial à Gazeta do Povo Online.

Depois do período de recuperação e de escapar por pouco de "ir à lona", Macaris já está recuperado, com ânimo renovado e curtindo sua filha como nunca. "É muita emoção, mas agora meu coração já está bem para agüentar isso. Esses primeiros dias estão sendo muito importantes pra mim. Cada vez que olho pra ela, sinto mais vontade ainda de viver".

Sobre um possível interesse da nova herdeira pelo Boxe – assim como a mãe, a pugilista Rosilete dos Santos – Macaris mantém a cautela. "É uma pergunta complicada, mas certamente ficaria feliz se meus filhos se dedicassem ao boxe. Independente do que ela escolher, vou sempre apoiá-la".

Vida saudável salva Macaris

A vida saudável que levou durante quase meio século garantiu uma sobrevida preciosa a Macaris. "Quase morri cara, mas agora já estou bem. O susto foi muito grande rapaz, só que tudo isso já passou. Fiz novos exames e estou bem melhor, pronto até para correr e treinar um pouco de leve. Já perdi 12 quilos, mas tinha engordado 23 depois de parar de lutar (risos)". No check-up feito pelo ex-pugilista – e atual presidente da Federação Paranaense de Boxe – a recuperação médica foi considerada excelente, principalmente pelo histórico de condicionamento físico de atleta que ele adquiriu ao longo dos anos.

Carreira vitoriosa

"Iniciei minha carreira no muay-thay, no ano de 1986, período em que realizei um total de sete lutas. No final daquele mesmo ano troquei aquele esporte pelo boxe. Meus primeiros treinamentos foram na Praça Oswaldo Cruz e em 1989 finalmente estreei como pugilista profissional. Até o ano de 2005 lutei profissionalmente formando um bom cartel de conquistas".

Macaris se orgulha ao lembrar que já disputou 110 lutas, das quais venceu 105 e perdeu apenas cinco. "Fui, em 1995, o primeiro boxeador paranaense a disputar um título brasileiro e com minhas lutas transmitidas para todo o Brasil pela Televisão". Além da centena de vitórias, o pugilista paranaense conquistou o título Mundial da categoria meio-médio da Comissão Mundial de Boxe (CMB). "É uma entidade pequena, mas era um título mundial né? Essa conquista me trouxe muitos benefícios, entre eles o prestígio internacional".

O mencionado prestígio adquirido por Macaris realmente rompeu fronteiras, mas não conseguia ter o mesmo impacto em terras brasileiras e, "principalmente" – segundo ele – no Paraná. "Eu era mais reconhecido fora do Brasil do que dentro dele. No Brasil como um todo já é difícil, mas no Paraná mais ainda. Mas não posso reclamar, sempre tive muito apoio da imprensa e do povo paranaense", reconhece.

Novos desafios

"Foi muito difícil ter que ‘pendurar as luvas’, pois tive que deixar de fazer aquilo que eu mais gostava, ou seja, lutar boxe". Assim que encerrou sua carreira e deixou os ringues, Macaris assumiu o comando da Federação Paranaense de Boxe e desde então vem movimentando o esporte no estado, principalmente em Curitiba. "Agora meu desafio é fazer o boxe paranaense crescer e se tornar respeitado no Brasil".

A experiência já não é tão nova, mas motiva o lutador. "É uma experiência diferente e ao mesmo tempo gratificante. Vejo novos talentos surgirem no boxe do estado e quero fazer com que o nosso esporte saia da capital e se espalhe pelas cidades do interior". Empolgado com os novos desafios, com a filha Nicoly (é pai ainda de Fábio, 25 anos, Gisele, 18 e Tatiane, 7) e refeito dos problemas de saúde, Macaris completa 47 anos em maio.

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