
"Com a chave na mão, com estádio moderno para 45 mil lugares, o clube agregaria um patrimônio de R$ 300 milhões. Só o estádio já dobraria nossa receita."O cálculo animador é do vice-presidente do Coritiba, Vílson Ribeiro de Andrade, ao falar sobre a possibilidade de o Coxa trocar de casa.
O Alviverde, a construtora OAS e a Federação Paranaense de Futebol estão em negociação avançada para a construção de uma moderna praça esportiva na área do Pinheirão.Apenas detalhes burocráticos impedem que o fato seja oficializado.
Até por isso o dirigente não fala abertamente da transação, apesar de admitir uma sondagem. "O Coritiba precisaria sair de um ativo de R$ 150 milhões para R$ 400 milhões de receita anual. Se não for assim, não interessa", segue, falando sobre o aumento das receitas com a construção a nova sede, mas tentando manter a operação ainda no terreno da hipótese.
Nessa conta entrariam somente os lucros obtidos com a exploração do novo endereço venda de ingressos, aquisição de sócios, publicidade e camarotes.
A mudança de residência do Coxa incluiria mexer na estrutura física do clube o que exigiria o aval do Conselho Deliberativo. "Como envolve patrimônio [o repasse do Couto Pereira e talvez até do CT da Graciosa ao investidor] e não apenas uma compra, precisamos ouvir antes os conselheiros", avisa o dirigente. Carta-branca que não parece ser um entrave.
Além do processo interno, Ribeiro enfatizou que uma negociação desse porte além de demorada, demanda todo o sigilo possível postura que vem sendo mantida pelo clube nas conversas com a OAS, que compraria o Pinheirão por R$ 85 milhões no dia 20 deste mês.
"Veja, por exemplo, a negociação do Grêmio para construir o novo estádio: se estendeu por cinco anos porque muita coisa precisa ser analisada, ponderada. Do mesmo jeito que pode dar tudo certo, pode também dar tudo errado", analisa, mantendo o discurso evasivo sobre o passo rumo ao Tarumã.
Dentre as preocupações do Coritiba para fechar a parceria uma é bem evidente: a divisão dos lucros provenientes do novo estádio. "No meu entendimento, o negócio fechado pelo Palmeiras não é um modelo que queremos. Eu sei por alto, mas o clube saiu em desvantagem", alerta, lembrando que o investidor do remodelado Palestra Itália, a construtora W/Torre, teria ficado com uma quantia elevada nos lucros da exploração do estádio.
Mesmo sem ainda poder divulgar a empreitada, o vice-presidente deixa no ar que o caminho está traçado. E usa as manifestações da torcida na imprensa e na internet para dar a dica do que está sendo esboçado. "Eu fiquei surpreso com alguns dados. Vi que a aceitação [dos torcedores pela aposentadoria do Couto Pereira] é grande. O torcedor entende que para um clube como o Coritiba seria importante ter um estádio moderno", diz.




