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Rosilete sonha em estragar festa de argentina para fazer a carreira decolar

Rosilete teve de perder 5 kg para disputar o título da CMB na Argentina. | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Rosilete teve de perder 5 kg para disputar o título da CMB na Argentina. (Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo)

A comemoração no Ginásio Carlos Cerutti, hoje à noite, em Córdoba, está armada para uma vitória da argentina Carolina Marcela Gutierrez. Mas a paranaense Rosilete Santos viajou ao país vizinho pensando em estragar a festa da hermana conquistando o título mundial interino da categoria supermosca, pela Associação Mundial de Boxe (AMB) – a mais conceituada das organizações –, resultado que faria sua carreira decolar de vez.

"O brilho é dela. Mas quem pode acabar com ele sou eu", diz a lutadora brasileira, campeã mundial peso galo, pela Comissão Mundial de Boxe (CMB), e que teve de perder 5 kg em três semanas para voltar a lutar como supermosca.

Para conquistar o cinturão da CMB, há pouco mais de um mês, Rosilete viveu uma situação semelhante à da adversária de hoje: lutou em casa, no Ginásio Ney Braga, em São José dos Pinhais, carregando para o ringue a responsabilidade de vencer a também argentina Paula Montero. "Deu tudo certo. Mas imagine se ela perde aqui. Teríamos uns US$ 30 mil de prejuízo", diz o marido e treinador, o ex-pugilista Macaris do Livramento. O casal também levou para Córdoba a filha Nicoly, de um ano e sete meses, espécie de talismã para a mamãe.

Macaris acredita que, com a pressão sobre a oponente, a condição de franco-atiradora pode ser favorável. "Não conseguimos obter quase nenhuma informação sobre ela. Na internet não havia nada... Mas o que importa é que a Rosilete esteja bem preparada", comentou.

Na comparação dos cartéis, 12 vitórias (9 por nocaute) e 3 derrotas para a brasileira; 14 vitórias (11 por nocaute) e 1 derrota para a argentina. Números equilibrados, principalmente considerando que Rosilete perdeu os dois primeiros combates da carreira, em 2003. "Ninguém pode contar vantagem. Vai ser uma luta muito disputada. Mas tenho de tentar derrubá-la, porque, por pontos, vai ser difícil", analisa, prevendo uma natural tendência caseira dos juízes.

Em caso de vitória, o próximo passo seria a unificação do título da AMB em um combate na China, contra a também campeã interina Zhang Xi Yan. "Se ganharmos, provavelmente vamos unificar. A bolsa seria de pelo menos uns US$ 50 mil", prevê Macaris.

Empolgada, Rosilete nem pensa na possibilidade de uma nova frustração, como a que teve em maio, na Alemanha, ao perder o título mundial supermosca da Federação Internacional de Boxe (FIB) para a bielo-russa Alesia Graf ao não conseguir estancar um sangramento no nariz. "O pior é que eu estava bem. Mas o sangue não parava. Agora falei para o Macaris: se estiver sangrando, pode deixar. Não joga a toalha. Só acaba na hora que eu jogar mesmo."

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