
O nervosismo tem sido o adversário mais complicado da seleção brasileira na fase final da Liga Mundial. A equipe joga hoje, às 17h30 (de Brasília), contra Cuba, pela semifinal, na Argentina. Ontem, os cubanos bateram a Itália por 3 sets a 0 (leia mais ao lado).
Uma forma de traduzir a instabilidade emocional dos brasileiros é na quantidade de erros não forçados. Após dois jogos, o time entregou 57 pontos. Aos argentinos, na estreia, quarta-feira, foram 27, três a menos do que contra os sérvios, na quinta.
"Enquanto de um lado da quadra você vê nossa equipe tensa, os adversários, do outro lado, estão dando risada, se divertindo, definiu o ponteiro Murilo, um dos mais experientes do grupo. "Eles já entram em quadra dizendo que não têm nada a perder contra nós, continuou.
Murilo foi um dos pontos mais sólidos no Brasil na dramática vitória sobre a Sérvia, que assegurou ao time o primeiro lugar no Grupo E. Ele anotou 13 pontos, sendo três de bloqueio, um dos fundamentos em que a seleção tem falhado mais na Argentina.
Coube a Murilo, que na ausência de Giba (machucado e voltando aos poucos) assumiu a braçadeira de capitão, também consolar o levantador Bruninho, em má fase. "Conversamos com ele à noite, no hotel. A gente costuma brincar com a expressão levar um piano nas costas. Ele não precisa carregar o piano sozinho. Temos de dividir as responsabilidades. Isso aqui é um grupo. Mas ele se cobra muito. Quando erra, perde a confiança. Assim, fica muito difícil de jogar", explicou.
O sentimento é sintomático. "Não estamos bem, reconheceu o ponteiro Dante, em entrevista por telefone. "Não somos máquinas, pode haver algumas partidas em que não vamos jogar tão bem, emendou.
Outro sintoma de que o Brasil esbarra em seu próprio nervosismo é o número de partidas levadas até o tie break (set de desempate) em toda a competição. De 14 jogos, cinco foram até a última parcial. Apenas duas vezes nas últimas oito edições da Liga o time chegou tantas vezes ao quinto set.
Coincidentemente, isso ocorreu nos dois campeonatos nos quais não triunfou. O primeiro, em 2002, quando perdeu a final para a Rússia, em Belo Horizonte. Seis anos mais tarde, novamente em casa, desta vez no Rio, quando Bernardinho amargou sua pior participação na Liga: quarto lugar. "As equipes vão se igualando. A diferença grande não existe mais", disse Dante.
A opinião de Murilo é diferente. Ele prefere apontar as falhas do Brasil a dar créditos ao nível técnico adversário. "Estamos errando mais que o normal, principalmente no saque e no ataque, em que sempre fomos bem."
Em 20 edições da Liga, o Brasil chegou a 15 semifinais. Ganhou 10 delas.
Ao vivo
Brasil x Cuba, às 17h30, no Sportv 2.



