
Desgastado e sozinho, o presidente Aquilino Romani avalia nos próximos dias a sua permanência à frente do Paraná. A pressão de conduzir o Tricolor sob uma de suas mais graves crises financeiras pode motivá-lo a deixar o comando. O dirigente manifestou essa intenção na segunda-feira e recuou. Mas a renúncia não estaria totalmente descartada.
"A gente assume essas coisas e sofre com a família, a empresa. Quero ver como fica. A cobrança é muito grande. A gente está trabalhando forte. Mas, quando fui eleito, 200 se comprometeram a ajudar. As pessoas fazem barulho e somem. Vamos ver se ainda querem colaborar e que rumo vou assumir", desabafou Romani. Nesta semana o vice-presidente Aramis Tissot solicitou uma licença para realizar exames médicos e cuidar da saúde até o fim do ano. Oficialmente, porém, ele continuaria com atribuições no clube.
Uma eventual saída do presidente poderia acontecer na sexta-feira, quando a diretoria se comprometeu a pagar parte dos débitos com os jogadores. O time aceitou a promessa e o pedido da comissão técnica e segue o trabalho, adiando o risco de nova greve, como aconteceu em novembro e repetiu-se em março. Novo calote, entretanto, pode ameaçar a estreia contra o Ipatinga pela Série B, no sábado, uma vez que a legislação permite aos atletas, após três meses de atrasos salariais, requererem na Justiça do Trabalho o fim de seus contratos.
Diante da urgência, a diretoria espera negociar um atleta nos próximos dias, provavelmente o meia Vinícius.
"Estamos empenhados correndo atrás de uma solução. O prazo não é sexta, era há um mês, dois meses atrás. Desde o primeiro dia do vencimento. A situação é complicada. Nós precisamos de ajuda. Ajuda dos paranistas com condições financeiras, da torcida no estádio. Estamos todos cansados", declarou o presidente do Conselho Deliberativo, Benedito Gomes Barboza.
Os jogadores mais experientes do Paraná se recusaram a falar com a imprensa ontem. Líderes do grupo como o capitão Luiz Henrique e o goleiro Juninho pretendem ficar em silêncio até que a situação financeira do clube se resolva. Ou melhore um pouco.
Apenas dois jogadores recém-contratados deram entrevistas. Não por acaso, atletas que ainda não enfrentaram o constrangimento do atraso de salários na Vila.
O atacante Somália contou que viveu situação semelhante no Bangu. "Lá atrasava, mas o dinheiro acabava saindo. Aqui eu ainda não sei, estou chegando agora", comentou. Somália garantiu que a situação não vai interferir em seu rendimento em campo.
Em meio ao turbilhão, o treinador Marcelo Oliveira tenta manter a tranquilidade do grupo e prepara o time para a estreia.
Curiosamente, Marcelo é credor dos dois clubes que se enfrentam no próximo sábado. Tanto o Paraná quanto o Ipatinga, último clube do treinador antes de chegar à Vila, lhe devem salários e premiações.



