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Libertadores

“Técnico tem de respirar futebol”

Entrevista com Adilson Batista,técnico do Cruzeiro

Ex-companheiros de Atlético lembraram algumas histórias da sua passagem pelo clube. O que mais te marcou daquela época?Tenho tudo guardado na memória. Os treinos no Joaquim Américo, o aprendizado com o seu Geraldo Damasceno, depois o Levir (Culpi), o Nelsinho (Baptista)... A ajuda que eu recebi de jogadores experientes como o Odemilson, Marcão, Pedrinho, Oliveira, Marola, Roberto Costa, Manguinha... Agradeço muito ao Atlético por ter me dado a chance de entrar nesse mundo tão gostoso.

Você era volante nas categorias de base. Como foi a mudança de posição?

Fui recuando. Em Adrianópolis eu jogava de meia, depois virei volante e por fim zagueiro. O pessoal do Atlético me chamou para treinar de zagueiro, treinei bem e acabei mudando de posição.

Alguns dirigentes do Paraná disseram que você foi o melhor técnico, em termos táticos, que passou por lá. Por que não deu certo?

Tentei fazer o meu melhor. Respeito o clube, mas faz parte do passado.

Os cartolas lembraram também da pressão que você sofreu de torcedores e conselheiros. O que aconteceu de fato?

Estou tão acostumado a ser pressionado que não seria no Paraná que eu ficaria preocupado com pressão. Aconteceram algumas divergências, por isso não deu certo.

Qual a diferença entre chegar à final da Libertadores como técnico e jogador?

A vontade de vencer é a mesma, mas é bem melhor ser atleta. Técnico sofre muito, a profissão é desgastante. Você tem de respirar futebol. Mas eu gosto, sinto prazer, satisfação.

O que o Cruzeiro precisa fazer para sair do Mineirão tricampeão da América na quarta-feira?

Jogar bola. Tem de ser organizado, consistente, pensar em sentido coletivo, deixando todas as vaidades de lado. Ninguém pode querer decidir sozinho, tentar ser herói sozinho. O lado emocional também pesa, é preciso ter autocontrole. E cuidar muito do Estudiantes, um bom time com um jogador diferenciado como o Verón.

O título pode significar o fim da fama de Professor Pardal?

(Risos) É uma brincadeira. Começou por causa de duas trocas que eu fiz contra o Ituiutaba (o lateral-direito Apodi no lugar do atacante Guilherme e o zagueiro Thiago Martinelli na vaga do ala-esquerdo Jadílson, na semifinal do Mineiro-08). Ganhávamos por 4 a 1 e o jogo terminou 4 a 4. A intenção era melhor, tanto que tivemos a chance de fazer o quinto, o sexto... Só que a torcida precisa entender que nem sempre você tira um Pelé e entra um Amarildo. (CEV)

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