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Eles são considerados estranhos e, às vezes, até taxados de antipatrióticos por não acompanharem o Brasil em Copas do Mundo. No país do futebol, não é tão raro achar quem não gosta e até tem ódio pelo esporte que está mobilizando milhões de pessoas através do Mundial.

Entretanto, a overdose de jogos não deixa de ser um momento de lazer para essa gente –- mesmo longe da tevê. Para essa gente, o momento do jogo é hora de aproveitar a cidade vazia, dormir, viajar ou até mesmo se divertir de outra forma com a família.

O empresário Alessandro Schwonka é um deles. Dono de uma agência de turismo de aventura, ele já tem o que fazer durante as partidas do Brasil: andar de bicicleta pelas ruas de Curitiba.

"Eu me sinto o dono da rua. Não tem trânsito, ninguém e posso andar tranquilamente", afirma.

O caso de ódio de Schwonka pelo futebol vem de criança. Entre os motivos, está a violência das torcidas organizadas, o fanatismo e até brincadeiras entre colegas e parentes sobre times rivais. "Quando me chamavam para jogar no colégio, eu entrava para sacanear. Chutava a bola por cima do muro e não ia buscar. Era minha diversão", lembra. A época de Copa, que faz pessoas comprarem aparelhos de tevê e enfeitarem as casas, para ele não tem importância alguma. "É sempre a mesma coisa: um bando de marmanjo correndo atrás da bola. Para mim, Copa do Mundo é um saco", define.

Schwonka garante que foi muitas vezes chamado de estranho e antipatriótico por não acompanhar o Brasil nos jogos. Mas também já foi beneficiado por não gostar de futebol. "Eu era considerado um bom partido pelas meninas. Enquanto os caras ficavam vendo jogo, eu saía com elas", recorda ele, que tem um irmão que também não gosta do esporte, para decepção do pai. "Ele é doente por futebol. Quando a gente era criança, meu pai não acreditava. Éramos a frustração dele", diz.

O advogado Jackson Nicolodi também não gosta de futebol, mas vai aproveitar os jogos do Brasil para ficar mais próximo dos filhos, de seis e três anos. Mesmo com o filho mais velho herdando o desgosto pelo futebol, ele vai organizar uma festa para os meninos e alguns colegas de escola enquanto o Brasil estiver em campo.

"Eles fizeram um trabalho sobre Copa do Mundo e vou aproveitar para ajeitar o ambiente, preparar a comida, tudo para as crianças se divertirem", afirma.

Nicolodi, que já numa partida do Brasil na Copa passada conseguiu a façanha reduzir o tempo de viagem de carro entre Campo Grande (MS) e Curitiba de dez para seis horas, até admira a mobilização causada no país.

"O futebol ainda é uma das poucas coisas que o brasileiro tem orgulho. É um patriotismo ingênuo, mas válido", define.

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