
A memória falha quando Zetti e Amauri Knevitz tentam lembrar da primeira vez em que se enfrentaram. Os dois protagonistas da final de hoje lembram a época, mas quase nada de muito útil para reconstruir o primeiro encontro dos atuais treinadores de Paraná e Paranavaí.
O consenso está no ano de 1985, quando ambos nem imaginavam um dia deixar os gramados para seguir a carreira de treinador. A partir daí, só o comandante do interior consegue contribuir com a reconstituição.
Também pudera. No jogo disputado em 10 de novembro, o último do segundo turno daquele ano, Zetti estava no Londrina, que na época não tinha mais nenhuma chance de classificação no Estadual. Já Amauri estava prestes a conquistar o título Paranaense mesmo com poucos meses de Atlético.
A partida, a última decisão doméstica na antiga Baixada de tijolinhos, acabou 3 a 0 para o Furacão, que assim evitou o quadrangular final por ter vencido os dois turnos da competição e se sagrou campeão.
"Faz muito tempo. Na verdade era uma final só para nós (Atlético). E o Zetti estava começando. Não tem nem como fazer uma comparação nesse sentido", tenta se esquivar o treinador do Vermelhinho.
"Parece que nos enfrentamos em 85. Mas não lembro de nada daquele jogo, faz muito tempo", diz Zetti.
Os dois interagiram pouco dentro de campo. No máximo em escanteios como o da foto que ilustra esta página, com Zetti pegando a bola que o grandalhão Amauri tentava cabecear para o gol.
Amauri mostrou as qualidades que chamaram a atenção do Furacão de quando atuava pelo Brasil de Pelotas e não deu muitas chances para os atacantes do Londrina, que quase não chutaram no gol de Marolla. Já Zetti, do outro lado, era bombardeado por Cristóvão, Rodrigo Sá e Agnaldo. Tomou três, mas com 20 anos já mostrava características que o transformariam no goleiro tetracampeão mundial. Depois dessa partida, voltou para o Palmeiras, onde logo se tornou o titular da posição.
Os dois jogadores ainda voltaram a se enfrentar no Campeonato Paulista de 1987, quando Zetti estava no Verdão e Amauri atuava no Botafogo, de Ribeirão Preto. Dessa vez, quem levou a melhor foi o técnico do Paraná: 1 a 0, no Palestra Itália. Depois disso, só agora, nas duas partidas do Estadual, como técnicos dois triunfos do Vermelhinho. O suficiente para ambos demonstrarem respeito recíproco.
"O Zetti é um monumento do futebol brasileiro, eu sou um operário. Se saiu da sala ninguém sente falta", diz Amauri.
"É um treinador que arma o seu time com um marcação muito forte. Não foi à toa que chegou na final", diz o paranista.
Curiosamente, em nenhum desses encontros os dois chegaram a conversar. "Quem sabe depois do jogo", diz Zetti.



