
O espanhol Fernando Alonso, da Ferrari, o inglês Lewis Hamilton, da McLaren, e o alemão Michael Schumacher, da Mercedes, são apontados pela maioria das pessoas que acompanham e trabalham na Fórmula 1 como os prováveis campeões desta temporada. Mas a impressionante evolução do jovem e talentoso Sebastian Vettel, aliada à força da equipe Red Bull, o coloca numa condição até mais favorável para ficar com o título que os, por assim dizer, "favoritos". No GP da Austrália, que acontece na madrugada de amanhã, a partir das 3 horas (horário de Brasília), esse alemão de apenas 22 anos, que até há pouco tempo mantinha no quarto a foto do ídolo Schumacher, tem nova oportunidade de expor sua extraordinária competência e começar a desmentir muita gente.
Na abertura do campeonato, há duas semanas, no Bahrein, Vettel liderou a maior parte da corrida, depois de ter largado na pole position, mas um problema de ignição na sua Red Bull o fez cair para quarto lugar. "Aqui em Melbourne temos carro para ganhar também, como no Bahrein", afirmou o mais jovem vencedor da história da Fórmula 1, que, com 21 anos, foi primeiro colocado no GP da Itália de 2008, com a Toro Rosso. No ano passado, já na Red Bull, ele lutou até o fim para ser campeão, mas acabou com o vice-campeonato de qualquer maneira, somou ao currículo mais quatro vitórias (China, Inglaterra, Japão e Abu Dabi).
A velocidade, a regularidade e a determinação de Vettel levaram o engenheiro Giorgio Ascanelli, da Toro Rosso, time que pertence à Red Bull, a fazer uma afirmação surpreendente: "Sebastian me lembra Ayrton Senna". E ele sabe o que fala, pois trabalhou com o brasileiro na McLaren. Já o diretor esportivo da Red Bull, Christian Horner, não fica atrás: "Sebastian é um piloto completo."
Christian Horner viu como Vettel aprendeu com os erros cometidos no ano passado na Turquia e Mônaco, por exemplo. Equívocos de um piloto jovem que, provavelmente, lhe custaram o título, pois ficou a 11 pontos do inglês Jenson Button, da Brawn GP, que foi o campeão (95 a 84).
Vettel sabe que com o novo critério de pontuação da Fórmula 1, em que as vitórias ficaram mais valorizadas, será importante não deixar o vencedor do GP de Bahrein, Alonso, e o segundo colocado, o brasileiro Felipe Massa, também da Ferrari, não abrirem mais pontos de vantagem no campeonato. Hoje, o espanhol soma 25 pontos, sete a mais do que seu companheiro de equipe. Enquanto isso, Hamilton aparece em terceiro, com 15, e o alemão da Red Bull está com 12.
"É importante, mas não fundamental. A temporada terá 19 etapas. O que conta mesmo é que o RB06 é um grande carro", afirmou Vettel, esbanjando confiança. "Este ano, eu, como piloto, e minha equipe reunimos os elementos necessários para sermos campeões. Sem subestimar ninguém."
Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, não esconde sua opinião: "Vettel deverá ser o campeão, apostaria nele". Enquanto isso, os concorrentes reconhecem essa pequena superioridade da Red Bull, ao menos no início do campeonato.
"Eles têm o carro mais rápido. Não fosse o problema técnico no Bahrein, Vettel teria vencido a corrida", admitiu Alonso. E Hamilton acredita que a eficiência aerodinâmica do modelo RB06 deve se manifestar ainda melhor nas duas próximas etapas do calendário: na Malásia, dia 4 de abril, e na China, em 18 de abril. "São disputadas em traçados dotados de curvas mais velozes", explicou.
A respeito da corrida no circuito Albert Park, Vettel viu que poderá, como no Bahrein, vencer, mas fez uma ressalva. "Essa é uma pista que, em geral, há surpresas, é mais imprevisível, de resultado menos lógico. E nossos adversários, Ferrari, McLaren e Mercedes, mostraram estar bem perto. O segredo será largar bem, já que vimos no Bahrein que as ultrapassagens ficaram mais difíceis este ano", revelou o alemão.
Ao vivo
GP da Austrália, às 3 horas (de amanhã), na RPC TV.





