
Não será preciso esperar até 2014 para escutar as reclamações quanto ao trânsito engarrafado da capital paranaense. Hoje o problema já aflige milhares de motoristas, que enfrentam um tráfego cada vez mais lento nos horários de pico. Cortesia de uma frota que, em agosto, chegou a 1,35 milhão de veículos, entre automóveis, motos, caminhões e outros. A proporção é de 0,7 veículo por habitante, a mais alta entre as 12 cidades-sede da Copa (veja gráfico abaixo).
Não há estudos consolidados sobre quais serão os principais meios de locomoção utilizados pelos visitantes durante os dez dias do evento na capital. A própria estimativa de turistas é incerta as previsões apontam mais de 600 mil.
Seja quais forem os números exatos, espera-se que a movimentação de tal contingente não fique restrita à rota hotéis-Arena da Baixada. A possibilidade de o governo federal decretar feriados nos dias de jogos, prevista na Lei Geral da Copa, aliviaria um pouco as ruas. Mas, para o mestre em transportes e coordenador-adjunto do curso de Engenharia Civil da PUCPR, Ricardo Bertin, é preciso prever medidas para organizar o trânsito desde já. O engenheiro defende, por exemplo, a formação e capacitação de mais agentes de trânsito, capazes de agir in loco nas ruas e gerir o fluxo com rapidez.
"Curitiba já está implantando um sistema de monitoramento, mas só com semáforos não se organiza o trânsito. Em caso de acidentes, por exemplo, é preciso deslocar uma equipe rapidamente, para que o tráfego volte a fluir. E esse reforço extra de pessoal tem de ser previsto desde já, para poder ser treinado a tempo da Copa", avalia.
A necessidade de ampliação da frota de táxis também é um dos pontos em que há consenso entre urbanistas e entidades da área até porque espera-se que boa parte dos turistas, em vez de usar o transporte público, opte por este modal. Desde a década de 1970, a cidade permanece com o mesmo número de carros: 2.252.
"Estamos pedindo mil novos táxis em Curitiba. Não é para o taxista, mas para a população da cidade, que vem pedindo a muito tempo", cobra o presidente do Sindicato dos Taxistas do Estado do Paraná (Sinditaxi), Abimael Mardegan. Além disso, a instituição cobra a liberação de todos os pontos e o não aumento das tarifas até a Copa.
Como medida alternativa aos táxis, Bertin propõe a organização de serviços de vans partindo direto dos hotéis demanda que também precisa ser avaliada com antecedência junto ao setor hoteleiro.
Além das obras de mobilidade urbana que fazem parte do PAC da Copa muitas atrasadas ou nem iniciadas , a prefeitura aposta na consolidação do Sistema Integrado de Mobilidade (Sim), que já está sendo colocado em prática e prevê ações como o uso de câmeras de circuito fechado de televisão para monitoramento do transporte coletivo e do trânsito em tempo real. Além disso, o município receberá R$ 1,6 milhão do Ministério do Turismo para melhorar a acessibilidade nas estações-tubo próximas a pontos turísticos. A requalificação da Rodoferroviária, em andamento desde junho deste ano, também é apontada como essencial para agilizar o fluxo dos ônibus que chegarão à cidade durante o evento. As prioridades, no entanto, podem mudar com o início da gestão do novo prefeito em janeiro.





