
Nos 13 anos vividos como jogador profissional, Gustavo ficou marcado pelo vigor físico com que defendia as camisas que vestia. Disposição para rachar todas as bolas que o ex-zagueiro carregou para fora dos gramados. Chuteiras penduradas em 2009, o paulistano enveredou pelo jiu-jítsu e o MMA Mixed Martial Arts, na tradução Artes Marciais Mistas, ou, para ficar mais claro, o ex-Vale Tudo.
Mas não pense que o ex-atleta campeão brasileiro pelo Atlético em 2001, com passagens por Palmeiras e Corinthians, decidiu surfar na onda da modalidade hoje coqueluche nacional com os seus "Gladiadores do Terceiro Milênio". O apreço pela pancadaria é antigo.
"Eu sempre fui viciado no osso. Já acompanhava lá atrás, na época do Royce Gracie [lutador clássico do Ultimate Fighting]. Meus irmãos lutavam, meu cunhado também. Conheci o pessoal de uma academia e resolvi tentar", explica Gustavo, 36 anos.
A transição dos gramados para o tatame e o octógono iniciou em 2010, com o jiu-jítsu, até alcançar o MMA e o submission (ou wrestling, modalidade baseada no agarramento). "Como sou alto [1,92m], de pernas compridas, tenho facilidade para as lutas de chão", diz o discípulo do mestre Antonio Cicconi, o Tó.
O conhecimento e treinamento adquiridos já foram suficientes para Gustavo disputar alguns campeonatos amadores de jiu-jítsu pelo Guarujá, ilha do litoral de São Paulo, onde mora com a esposa Heloisa e os filhos Vinícius, 9 anos, e Felipe, 5 anos. Em 10 de novembro, ele deve participar do Litoral Open.
Um combate de MMA, no entanto, ele ainda não arriscou. "Já fiz lutas de treino. Tenho tido pouco tempo ultimamente e é algo que precisa de muita dedicação", afirma o fã de Anderson Silva.
Enquanto não inaugura o cartel, Gustavão, como era conhecido, relembra uma luta que os atleticanos jamais esquecerão: as duas partidas decisivas do Nacional de 2001, contra o São Caetano. Na marcação do perigoso Magrão, foi preciso empregar dotes de MMA.
"Se pegar as imagens do jogo, em quase todos os escanteios eu estou enforcando o Magrão, ele está me puxando, foi uma luta mesmo", recorda o ex-jogador, lado direito da zaga completada por Rogério Corrêa na esquerda e Nem como líbero.
Aliás, o capitão Nem, outro reconhecido pela "pujança" com que partia para as divididas, serve de inspiração para Gustavo na prática do novo esporte? "Não foi preciso pegar dicas com o Nem, mas ele é uma boa referência e seria um bom lutador", brinca.
Além das lutas, Gustavo se dedica ao projeto G3Futsports, um misto de projeto social e incubadora de craques, na cidade onde vive. "Nossa primeira intenção é tirar os moleques da rua, com a prática do futebol, futevôlei, jiu-jítsu etc. E, quando eles mostram aptidão para o esporte, encaminhamos para os clubes", resume.
Enquanto isso, ele também vislumbra a carreira como treinador. "É uma opção, fiz cursos, trabalhei com ótimos técnicos. Mas deixo o futebol me levar."



