
O capixaba Yamaguchi Falcão espera completar a felicidade do pai, o veterano boxeador Touro Moreno, e, assim como o irmão mais novo, Esquiva Falcão, garantir seu lugar no pódio na Olimpíada de Londres. Pelas quartas de final da categoria meio-pesado (até 81 kg), o pugilista brasileiro com nome japonês enfrenta hoje, às 18h30 (de Brasília), o maior desafio possível na disputa, o cubano Julio la Cruz Peraza, atual campeão mundial.
Se vencer, Yamaguchi chega à semifinal e já garante o bronze no boxe não há decisão de terceiro lugar. Feito que Esquiva, na categoria médio (até 75 kg), e Adriana de Araújo, na categoria leve (até 60 kg), alcançaram na segunda-feira. "Estou preparado. Quero levar essa medalha para colocar no peito do meu pai. Essa e a do meu irmão", torce Yamaguchi.
O pai dos pugilistas é figura folclórica do boxe capixaba aos 75 anos, Touro Falcão ainda sobe ao ringue de vez em quando para enfrentar oponentes até 30 anos mais jovens. Além do boxe, Touro também praticou judô, de onde tirou o nome do filho mais velho que entra hoje no ringue da Arena Excel. "Yamaguchi era o nome do professor de judô dele. Ele gostou do nome e me pôs", explica o primogênito.
Já a origem do nome Esquiva é ainda mais divertida. "Na época que eu nasci os juízes não deixavam os técnicos ficarem passando instruções na beira do ringue. Aí, meu pai decidiu botar meu nome de Esquiva para poder me alertar quando eu tinha de me defender no ringue", afirma o caçula.
Quando os filhos começaram a obter resultado nos ringues, Touro Moreno fez uma exigência ao mais velho. Ele pediu para que Yamaguchi tratasse de ganhar peso e subisse de categoria. "Ele não queria ver eu e meu irmão lutando um contra o outro. Seria muito dolorido não só para ele, mas para toda a nossa família", diz o boxeador peso meio-pesado.
Yamaguchi já enfrentou três vezes Peraza, seu adversário das quartas de final, com uma vitória e duas derrotas. A mais dolorida das derrotas, explica o pugilista brasileiro, foi a da final dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara de 2011, quando perdeu o ouro para o cubano. "Está na hora de eu devolver aquela derrota. Estou confiante. Pode vir surpresa", enfatiza.
Nos dois combates anteriores, o brasileiro teve dificuldades. Primeiro derrotou o indiano Sumit Sangwan por 15 a 14; depois, empatou com chinês Fanlong Meng em 17 pontos, tendo o braço erguido pelo juiz apenas após o critério de desempate o descarte da melhor e pior nota dado por cada avaliador.



