Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Especial Patrocinado

Reforma Tributária e setor da saúde: hospitais e clínicas podem perder margem mesmo com promessa de benefício

A nova tributação promete alíquotas favorecidas para a saúde, mas hospitais, clínicas e consultórios que não revisarem contratos, regime tributário e cadeia de créditos podem pagar mais imposto  mesmo com redução nominal.

Enfrentar uma doença já é desafiador — a preocupação com as despesas médicas torna o momento ainda mais delicado.
Enfrentar uma doença já é desafiador — a preocupação com as despesas médicas torna o momento ainda mais delicado. (Foto: Divulgação)

Ouça este conteúdo

A Reforma Tributária não impacta todos os setores da mesma forma — e a saúde está entre as áreas mais sensíveis da transição para o IBS e a CBS. Hospitais e clínicas operam com margens apertadas, contratos de longo prazo, alta dependência de insumos, forte carga de pessoal e repasses regulados por planos de saúde. A mudança na lógica da tributação do consumo altera profundamente essa equação.

Segundo a advogada Rayani Holtz Macedo, do DBH Advogados, a percepção de que “o setor vai pagar menos imposto” é simplista.

“Haverá tratamento favorecido para determinados serviços de saúde, mas o benefício depende de enquadramento correto, regulamentação específica e planejamento tributário. Sem isso, o resultado pode ser aumento de carga.”

Advogada Rayani Holtz Macedo

Entrevista | Rayani Holtz Macedo explica por que a saúde exige assessoria tributária especializada agora

Jornalista da Gazeta do Povo: A saúde realmente será beneficiada pela reforma?

Advogada Rayani Holtz Macedo: Existem previsões de alíquotas reduzidas para determinados serviços de saúde e possível tratamento favorecido para medicamentos e dispositivos médicos. Mas nem todo serviço prestado por clínica ou hospital será automaticamente considerado “serviço de saúde” para fins de benefício. A definição dependerá de regulamentação e enquadramento técnico.

Jornalista: O que muda estruturalmente com o IBS e a CBS?

Advogada Rayani Holtz Macedo: Hoje a tributação da saúde é fragmentada ISS, PIS, Cofins, ICMS sobre insumos, regimes monofásicos. Com o novo modelo, surge um IVA dual (IBS + CBS), com lógica de crédito financeiro. Isso altera completamente o cálculo da carga efetiva.

Jornalista: Onde está o maior risco?

Advogada Rayani Holtz Macedo: Na gestão da cadeia de fornecedores e dos contratos com planos de saúde. Se o crédito não for corretamente gerado ou aproveitado, o hospital perde margem. E se contratos não forem revisados, pode haver prestação de serviço com prejuízo sem percepção imediata.

Créditos do novo IVA: oportunidade ou armadilha?

A reforma promete não cumulatividade plena. Em tese, hospitais e clínicas poderão se creditar de:

  • Medicamentos
  • Materiais hospitalares
  • Equipamentos
  • Serviços terceirizados
  • Energia elétrica
  • Tecnologia e softwares

No entanto, o crédito depende de correta emissão de nota fiscal, enquadramento adequado do fornecedor e regime tributário compatível.

Sem controle fiscal rigoroso, o crédito simplesmente se perde — transformando o que seria benefício em custo oculto.

Contratos com planos de saúde precisarão ser revistos

Os contratos atuais foram firmados com base na lógica tributária anterior.

Com a reforma:

  • Margens mudam
  • Estrutura de custos muda
  • Créditos passam a influenciar o resultado
  • Repasses precisarão ser recalculados

Hospitais que não renegociarem cláusulas podem absorver aumento de custo sem reajuste proporcional.

Lucro Presumido: zona de risco para clínicas e consultórios

Muitas clínicas médicas e odontológicas operam no Lucro Presumido. A reforma exige reavaliação.

Estabelecimentos com faturamento acima de R$ 5 milhões ao ano podem sofrer:

  • Acréscimo de 10% na base de cálculo de IRPJ e CSLL
  • Maior exposição a uma carga que pode não dialogar bem com a nova lógica de créditos

Além disso, a alíquota estimada do novo IVA para serviços de saúde com tratamento favorecido pode variar entre aproximadamente 10,6% e 11,2%, dependendo da regulamentação.

Clínicas com estrutura robusta — que tomam muitos serviços e adquirem insumos relevantes — podem se beneficiar do crédito. Mas apenas se houver organização contábil e fiscal adequada.

Sem planejamento, uma clínica que hoje tem alíquota efetiva em torno de 14% no Lucro Presumido pode alcançar aproximadamente 19% após a reforma. Com planejamento estruturado, esse percentual pode ser reduzido para patamares inferiores a 12%, conforme análise técnica individualizada.

Tributação da pessoa física: o ponto sensível para médicos

A reforma também prevê tributação sobre distribuições de lucros que ultrapassem:

  • R$ 50 mil por mês, ou
  • R$ 600 mil por ano

Muitos profissionais da saúde recebem valores na pessoa física, como:

  • Consultas por cooperativas
  • Honorários hospitalares
  • Plantões
  • Procedimentos pagos diretamente

Esses valores se somam à renda da pessoa física, podendo elevar significativamente a carga final se não houver planejamento integrado entre pessoa jurídica e pessoa física.

Regimes diferenciados e entidades filantrópicas

Hospitais filantrópicos, entidades beneficentes e serviços vinculados ao SUS podem manter tratamento específico. No entanto:

  • As regras não são automáticas
  • Haverá exigências de compliance
  • A documentação fiscal e regulatória será ainda mais relevante

Saúde exige planejamento técnico integrado

A nova tributação da saúde exige análise combinada de:

  • Estrutura de custos
  • Volume de insumos e serviços tomados
  • Relação contratual com planos de saúde
  • Forma de retirada de sócios
  • Receita recebida na pessoa física
  • Aproveitamento de créditos do IBS/CBS
  • Impacto da nova tributação sobre dividendos

Trata-se de cruzamento altamente técnico entre direito tributário, contabilidade e dinâmica específica do setor da saúde.

É nesse contexto que o DBH Advogados atua, unindo expertise tributária, formação contábil e experiência no segmento médico e hospitalar.

Planejar agora é preservar sustentabilidade

A saúde pode ter benefícios na Reforma Tributária — mas apenas para quem souber utilizá-los corretamente.

É importante entender como o novo modelo impacta sua clínica, hospital ou consultório e estruturar planejamento preventivo adequado.

O DBH Advogados atua na área de Direito Tributário, acompanhando os desdobramentos da Reforma Tributária e seus impactos técnicos no setor da saúde, sempre com análise individualizada e fundamentação jurídica adequada.

O escritório mantém produção contínua de conteúdo informativo, com esclarecimentos sobre temas tributários relevantes para empresas, profissionais liberais e instituições de saúde.

Para acompanhar materiais de caráter informativo, acesse www.dbhadvogados.com.br e ou siga  @dbhadvogados/no Instagram.

Na nova tributação da saúde, não basta trabalhar bem. Será preciso planejar bem.

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.