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2026 não é ano-teste: como as empresas podem se preparar para o período mais crítico da Reforma Tributária

Tratar 2026 como um simples período de adaptação pode levar empresas a decisões equivocadas sobre preços, contratos e fluxo de caixa, com efeitos que se estendem por toda a transição da Reforma Tributária.

A Reforma Tributária começa a produzir efeitos práticos em 2026, exigindo planejamento tributário, revisão de preços e atenção ao impacto do split payment no fluxo de caixa das empresas.
A Reforma Tributária começa a produzir efeitos práticos em 2026, exigindo planejamento tributário, revisão de preços e atenção ao impacto do split payment no fluxo de caixa das empresas. (Foto: Shutterstock)

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Grande parte do debate público sobre a Reforma Tributária tem classificado 2026 como um “ano-teste”. Especialistas, no entanto, alertam que essa interpretação é incompleta. O próximo ano marca o início efetivo da convivência entre regimes, da aplicação prática de novos mecanismos de arrecadação e de mudanças operacionais que impactam diretamente a rotina financeira das empresas.

Embora a implementação do IBS e da CBS seja progressiva, 2026 já exige decisões reais e estruturais, que influenciam competitividade, liquidez e posicionamento no mercado.

Split payment: o que é e por que merece atenção especial

Um dos pontos menos compreendidos  e mais sensíveis  da Reforma Tributária é o split payment. Com esse mecanismo, o tributo deixa de transitar pelo caixa do vendedor. O valor correspondente ao IBS e à CBS é automaticamente destacado na operação e repassado aos entes federativos, chegando à empresa apenas o valor líquido.

Na prática, isso altera uma lógica histórica utilizada por muitas empresas, que contavam com o imposto como recurso temporário de caixa. A mudança exige atenção redobrada ao capital de giro, à formação de preços e à margem operacional.

Setores com margens reduzidas, como saúde, educação, comércio, serviços profissionais, estética, alimentação e varejo, tendem a sentir os efeitos com maior intensidade caso não revisem seus processos financeiros.

Impactos no fluxo de caixa e na precificação

Com o split payment, empresas passam a operar com menor disponibilidade imediata de recursos, o que torna necessário reavaliar políticas de desconto, comissões, metas comerciais e prazos de pagamento.

Especialistas recomendam que a precificação de produtos e serviços seja revista considerando o novo fluxo financeiro, evitando decisões baseadas em margens calculadas sob a lógica anterior ao novo modelo tributário.

Nota fiscal correta passa a ser fator estratégico

Outro ponto central da reforma é a dependência da conformidade fiscal da cadeia de fornecedores. A geração de créditos passa a estar diretamente vinculada à emissão correta das notas fiscais.

Isso significa que:

  • notas não emitidas ou emitidas com erro impedem o aproveitamento de créditos;
  • divergências de alíquota podem impactar diretamente o custo da operação;
  • a confiabilidade fiscal do fornecedor passa a influenciar a escolha comercial.

Nesse novo cenário, rastreabilidade e regularidade deixam de ser apenas exigências legais e passam a ter impacto direto na competitividade das empresas.

O Simples Nacional exige nova análise

O Simples Nacional, tradicionalmente visto como um regime simplificado, também passa a exigir avaliação cuidadosa. Com a nova sistemática de créditos, empresas enquadradas no Simples podem enfrentar dificuldades em determinadas cadeias produtivas, especialmente quando seus parceiros dependem da geração de créditos tributários.

A recomendação de especialistas é que empresas avaliem, caso a caso, se a permanência no regime continua sendo a opção mais eficiente sob o novo modelo.

Por que 2026 exige decisões antecipadas

Longe de ser um período neutro, 2026 será marcado por:

  • convivência entre regimes tributários;
  • adaptação de sistemas de gestão e ERPs;
  • revisão de preços e margens;
  • ajustes contratuais para prever o split payment;
  • reorganização do fluxo financeiro;
  • reavaliação de regimes tributários;
  • impactos diretos nas negociações empresariais.

Essas escolhas influenciam não apenas o resultado de 2026, mas também a sustentabilidade das empresas nos anos seguintes da transição.

Entrevista | Advogada Rayani Holtz explica os principais pontos de atenção

Jornalista da Gazeta do Povo: Por que a ideia de “ano-teste” pode ser arriscada?

Advogada Rayani Holtz Porque 2026 já exige decisões estruturais. A adaptação de sistemas, a revisão de contratos e a reorganização do fluxo de caixa não podem ser feitas de forma improvisada. Mesmo com a implementação gradual dos tributos, os impactos financeiros começam imediatamente.

Jornalista da Gazeta do Povo: O split payment tende a ser o maior desafio?

Advogada Rayani Holtz: Sim. Ele altera completamente a dinâmica do caixa. Empresas que não recalcularem suas margens e capital de giro podem enfrentar dificuldades rapidamente, especialmente em setores com margens mais estreitas.

Jornalista da Gazeta do Povo: Quais setores precisam de atenção especial?

Advogada Rayani Holtz: Saúde, clínicas, hospitais, consultórios, serviços profissionais e comércio. Esses setores dependem fortemente de repasses, têm cadeias longas de fornecedores e, muitas vezes, estruturas tributárias pouco preparadas para o novo modelo.

A Reforma Tributária em 2026 exige decisões das empresas. Planejamento tributário como medida de prevenção reduz riscos financeiros e operacionais.

Diante desse cenário, especialistas indicam que empresas adotem uma postura preventiva, revisando seus modelos operacionais e tributários antes que os impactos se consolidem. Avaliar contratos, mapear fornecedores, revisar precificação e compreender as regras de transição são medidas que contribuem para reduzir riscos e permitir uma adaptação mais segura à Reforma Tributária.

A compreensão antecipada dessas mudanças pode ajudar empresas a evitar decisões precipitadas e a atravessar o período de transição com maior previsibilidade.

Serviço ao leitor

Mais conteúdos informativos sobre Reforma Tributária, impactos do split payment e mudanças no ambiente empresarial estão disponíveis em www.dbhadvogados.com.br e siga o De Biasio e Holtz Advogados nas redes sociais /Instagram: @dbhadvogados/

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