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Um episódio de violência coletiva marcou a noite de terça-feira (25) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando um estudante de História acabou perseguido e linchado por dezenas de alunos. A justificativa para a barbárie foi política: o jovem estava usando uma camiseta de uma banda supostamente nazista.
Segundo relatos, o estudante trocou de roupa no banheiro do prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) antes de entrar em sala de aula com uma blusa preta da banda britânica Death in June. A peça era estampada com a caveira usada como símbolo pela SS, a guarda de elite de Adolf Hitler.
Não se sabe quem começou as provocações. Mas o que aconteceu depois está registrado em vídeos gravados por outros alunos e compartilhados nas redes sociais.
Nas escadas do IFCS, o jovem é cercado e agredido por vários estudantes. Ele consegue escapar do prédio e corre para uma praça, porém é perseguido, alcançado e derrubado de novo. No chão, recebe chutes e socos.
No X, alunos da universidade e outros usuários festejaram a covardia. “O nazi da UFRJ apanhou e ainda apanhou pouco”, postou um perfil anônimo. “Que delícia ver um FDP branco, hétero e feio apanhando”, disse uma jovem. Outra lamentou não ter presenciado a cena: “Por que as melhores coisas acontecem no IFCS só à noite? Nós do [turno] integral também queremos ver porradaria em nazista!”.
Em uma nota oficial, a UFRJ condenou tanto manifestações nazistas quanto a violência e anunciou a abertura de uma investigação. A universidade, no entanto, recebeu críticas por sua resposta ao episódio.
De um lado, houve quem considerasse que a instituição foi tolerante demais com o estudante. De outro, a UFRJ foi acusada de equiparar o uso de símbolos nazistas e a violência física ao tratar das duas condutas no mesmo comunicado.
Condenado por uma multidão
Surgido no início dos anos 80, o Death in June é realmente um grupo controverso, conhecido por usar imagens e referências associadas ao Terceiro Reich — embora seus integrantes rejeitem a classificação de neonazistas. Segundo Douglas Pierce, líder e fundador da banda, a escolha dos símbolos é puramente estética, fruto de um “interesse histórico” que não deve ser interpretado literalmente.
Mas não é preciso gostar do grupo ou defender o projeto artístico dos britânicos para repudiar a violência ocorrida na UFRJ. Afinal, ninguém pode ser condenado por uma multidão porque meia dúzia decidiu que aquela pessoa é ou representa o “mal“ por usar uma camiseta.
O caso ainda guarda uma ironia. O espancamento aconteceu justamente em um instituto onde se deveria aprender a lidar com ideias, símbolos, contextos e embates. No entanto, diante de uma imagem considerada inaceitável, um grupo de estudantes resolveu o conflito da forma mais primitiva e autoritária possível: na base da força.




