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A poucas semanas das eleições de outubro de 2026, candidatos como Lula e Flávio Bolsonaro ajustam suas estratégias de comunicação para atrair votos. Por trás dessas mudanças, existe um conjunto de técnicas psicológicas e de marketing que buscam moldar a percepção pública. Entender como funcionam esses gatilhos é fundamental para que o eleitor consiga separar a informação útil da manipulação.
O que é o enquadramento e como ele afeta a visão do eleitor?
O enquadramento é uma técnica que seleciona apenas um aspecto de um problema para que o público o veja primeiro, deixando outros pontos importantes escondidos na sombra. Um exemplo clássico ocorreu no referendo do desarmamento em 2005: enquanto um lado falava em reduzir mortes, o outro mudou o foco para o direito de defesa do cidadão. Essa estratégia explora o fato de que a mesma informação, apresentada de ângulos diferentes, pode levar a decisões opostas. Ela vira manipulação quando esconde propositalmente os custos reais ou as consequências negativas da opção apresentada.
Como os candidatos constroem personagens para parecerem mais amigáveis?
A construção de personagem realça traços verdadeiros do político e apaga outros para criar uma imagem específica, como o famoso 'Lulinha paz e amor' de 2002. Outra tática comum é o esforço para parecer 'gente como a gente', como comer pastel em feiras ou usar canetas baratas em cerimônias oficiais. O objetivo é criar conexão emocional com o povo. No entanto, existe um limite: se o personagem criado contradiz muito a biografia real do candidato, o eleitor tende a perceber a farsa. O público costuma aceitar quem não tem hábitos populares, mas rejeita quem finge gostar deles.
De que maneira a prova social e a autoridade influenciam o voto?
A prova social é o instinto de seguir o que a maioria faz, por isso as campanhas investem tanto em mostrar atos de rua cheios e pesquisas favoráveis. Já a autoridade é o uso do prestígio de terceiros, como líderes religiosos ou ex-presidentes, para transferir confiança ao candidato. A manipulação acontece quando esses apoios vêm de pessoas que não têm relação com o cargo em disputa ou quando se fabrica uma falsa popularidade através de militância paga e perfis falsos na internet. O eleitor deve sempre questionar se o apoio recebido tem base real na competência necessária para governar.
Como o uso do medo e da reciprocidade garantem adesão eleitoral?
A reciprocidade cria uma dívida moral através de favores, como obras inauguradas às vésperas da eleição ou liberação de emendas e benefícios sociais com o nome do padrinho político. Já o medo é uma das táticas mais eficazes, como ocorreu em 1989 com o receio do confisco da poupança. Para que o medo funcione na cabeça do eleitor, ele precisa vir acompanhado de uma 'saída' proposta pelo candidato. Sem uma solução, o público costuma paralisar ou rejeitar a mensagem. O risco para o eleitor é trocar o voto por uma benesse momentânea ou ser guiado por ameaças que não possuem fundamento real.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





