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O agronegócio brasileiro enfrenta uma crise devido ao conflito no Oriente Médio iniciado em fevereiro de 2026. O fechamento do Estreito de Ormuz interrompeu o fluxo de fertilizantes essenciais, como a ureia, colocando em risco a safra nacional e a estabilidade dos preços dos alimentos.
Qual é a relação direta entre o conflito no Irã e a comida na mesa do brasileiro?
A agricultura moderna depende de fertilizantes químicos para produzir em larga escala. O Brasil importa 85% dos fertilizantes que usa, e grande parte vem do Oriente Médio ou passa pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado. Sem esses insumos, a produção de grãos e carnes diminui, o que faz os preços subirem nos supermercados brasileiros.
O que é o Estreito de Ormuz e por que ele é tão importante?
É um canal marítimo muito estreito, de apenas 33 quilômetros, que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo. Ele é o principal corredor para o transporte de petróleo e fertilizantes. Com a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, o tráfego comercial no local caiu 90%, criando um 'gargalo' que impede a chegada de produtos essenciais ao Brasil.
Quais produtos brasileiros são mais afetados pela crise?
A maior preocupação é com a ureia, usada no plantio de quase tudo, e o cloreto de potássio, vital para a soja. Além disso, o Irã era o maior comprador individual de milho do Brasil. A guerra interrompeu os dois lados do negócio: agora temos dificuldade para receber adubo e também para entregar nossos grãos e carnes ao mercado árabe.
Por que o Brasil ainda depende tanto de fornecedores estrangeiros?
Embora o Brasil seja uma potência agrícola, o país desativou fábricas próprias de fertilizantes nos últimos anos por considerá-las pouco lucrativas. Planos para reduzir essa dependência internacional existem, mas as metas são vistas como modestas e lentas, deixando o país vulnerável a crises geopolíticas sobre as quais não tem controle.
Existem alternativas para o Brasil não ficar sem fertilizantes?
Sim, a curto prazo o caminho é diversificar as compras de países como Canadá, Marrocos e Nigéria. A longo prazo, o desafio é extrair minerais de reservas nacionais, como o potássio na Amazônia e o fósforo em estados como Minas Gerais e Goiás. No entanto, essas soluções exigem decisões políticas firmes e investimentos pesados em infraestrutura.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









