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Como a humanidade ganhou a guerra contra a fome

Graças às maravilhas da ciência, do mercado e da democracia, a fome não é mais uma realidade fora de zonas de guerra

  • Marian L. Tupy
  • FEE (Foundation for Economic Education)
 | Pixabay
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A nutrição adequada é um requisito básico para a sobrevivência de um ser humano, ainda que historicamente a comida tenha sempre sido escassa. A ausência de alimentos pode inclusive ser percebida em expressões idiomáticas, como "hoje um banquete, amanhã a fome" (do inglês "feast today, famine tomorrow"), em contos infantis, como João e Maria, e referências bíblicas, como os Cavaleiros do Apocalipse, nos quais a Fome acompanha a Morte, a Guerra e a Peste.

Crescimento mundial de calorias per capita 

Na realidade, a maior fome de todos os tempos aconteceu entre 1958 e 1962, quando Mao Tse Tung usou força bruta para nacionalizar as fazendas chinesas, causando entre 23 e 55 milhões de mortes. O "Grande Salto Adiante" era paradoxal por dois motivos. Primeiro que, historicamente falando, a fome tinha mais chances de acontecer como um resultado de uma colheita fraca causada por secas ou enchentes do que por violência. Em segundo lugar, a segurança alimentar aumentou drasticamente durante a segunda metade do século 20. A oferta de alimentos por pessoa ponderada pela população média mundial passou de 2,2 mil calorias por dia em 1961 para 2,8 mil calorias em 2013. 

Para efeitos de comparação, o Departamento de Agricultura dos EUA recomenda que um homem adulto moderadamente ativo consuma entre 2,2 e 2,8 mil calorias por dia, enquanto mulheres adultas moderadamente ativas devem consumir entre 1,8 e 2 mil calorias diárias. 

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Na África Sub-saariana, a oferta de alimentos subiu de 2 mil calorias em 1961 para 2,4 mil calorias em 2013. Em outras palavras, a região mais pobre do mundo tem hoje acesso a mesma quantidade de comida que os portugueses tinham do começo dos anos 60. Na realidade, cientistas do Centro de Pesquisa de População e Saúde Africanos do Quênia estimam que, em quatro dos 24 países que monitoram, a ocorrência de obesidade entre mulheres urbanas passou de 20%. Nos outros países, o número varia entre 10% e 19%. 

O que explica o aumento do acesso à comida? 

Como isso aconteceu? 

Em primeiro lugar, a produtividade da agricultura cresceu graças ao uso de métodos científicos e ao acesso a uma grande variedade de fertilizantes e pesticidas desenvolvidos e a plantas mais resistentes à doenças. O maior herói dessa história é um agrônomo americano, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1970: Norman Borlaug. 

De acordo com Miriam Shindler, Borlaug trabalhou em meados do século 20 "com os governos do México, da Índia e do Paquistão para introduzir uma combinação entre técnicas modernas de produção agrícola e variedades novas de trigo de alto rendimento, conseguindo vários resultados. O México se tornou um exportador de trigo em 1963. Entre 1965 e 1970, os campos de trigo praticamente dobraram na Índia e no Paquistão, aumento o acesso a alimentos no subcontinente. Essas mudanças coletivas foram chamadas de Revolução Verde e Borlaug é conhecido por ter salvado mais de 1 bilhão de pessoas da fome". 

Em segundo lugar, o mundo ficou mais rico e as pessoas conseguem comprar mais comida. A receita média mundial por pessoa por dia subiu de US$ 3,70 em 1900 para US$ 35 em 2000 (valores corrigidos para o valor do dólar em 2018). 

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Não só a receita subiu, mas a comida também ficou mais barata. O Índice de Preços de Alimentos organizado pela Organização de Alimentação e Agricultura dos EUA mostra que os valores dos alimentos em 2017 eram menores que em 1961, com correção da inflação. Em outros índices, os valores caíram pela metade entre o começo do século 20 e o começo do século 21. Fatores como o avanço do transporte e da comunicação também são importantes, permitindo que países com colheitas maiores vendam ou doem seus excedentes para outros países. 

Outro fator importante é o fortalecimento da democracia e da liberdade de imprensa, que garantem que os governos sejam responsabilizados e que abusos de direitos humanos sejam relatados. 

Sobre isso, Amartya Sen, vencedor do Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1998, disse: "Nenhuma fome ocorreu em toda a história do mundo em uma democracia. Já que governos democráticos precisam vencer eleições e lidar com a crítica do público, eles têm grandes incentivos para adotar medidas que evitem a fome e outras catástrofes". 

No livro The Population Bomb (A Bomba Populacional), publicado em 1968, o biólogo Paul Ehrlich da Universidade de Stanford escreveu que "a batalha para alimentar toda a humanidade já acabou. Em 1970 centenas de milhares de pessoas irão morrer de fome apesar dos programas emergenciais em andamento agora". 

Naquele ano, a oferta de alimento por pessoa era menor do que 2 mil calorias por dia em 34 dos 152 países pesquisados. O mesmo só aconteceu em dois dos 173 países pesquisados em 2013. De fato, graças às maravilhas da ciência, do mercado e da democracia, a fome não é mais uma realidade fora de zonas de guerra.

©2018 FEE Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês

Tradução por Gisele Eberspächer


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