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Como cafés, bares, academias e barbearias ajudam a criar nosso tecido social

  • PorSetha Low
  • The Conversation
  • 15/05/2020 16:28
Os lugares de convivência contribuem para uma sociedade saudável e vibrante
Os lugares de convivência contribuem para uma sociedade saudável e vibrante| Foto: Imagem de <a href="https://pixabay.com/photos/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=690975">Free-Photos</a> por <a href="https://pixabay.com/pt/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=690975">Pixabay</a>

O distanciamento social durante a pandemia do COVID-19 implica muitas perdas dolorosas. Entre elas estão os restaurantes, bares, academias, casas de culto, barbearias e outros lugares que frequentamos que não são trabalho nem lar, chamados de locais de convivência.

Local de convivência é um conceito de sociologia e planejamento urbano que reconhece o papel desses lugares semipúblicos e semiprivados na promoção da associação social, identidade comunitária e engajamento cívico. Ao proporcionar às pessoas um ambiente familiar para a interação social entre os frequentadores regulares, eles incentivam o vínculo entre uma pessoa e um local.

Agora, experimentando o coronavírus da fortaleza de nossas casas, podemos desfrutar da sensação de estar em um paraíso que nos protege contra esse novo inimigo invisível. Mas perdemos a intimidade social e psicológica dos lugares de convivência.

É uma perda significativa. Minhas três décadas de pesquisa em espaços urbanos descobriram que os espaços públicos e os lugares de convivência contribuem para uma sociedade saudável e vibrante.

Lugares para "sentir-se em casa"

Provavelmente sempre existiram lugares de convivência. Desde frequentar clubes e reuniões religiosas até festivais de bairro e funerais, as pessoas há muito formam associações que reúnem grupos diversos.

A maioria dessas associações genealógica, religiosa, de gênero, cultural ou de classe eram homogêneas. Muitas vezes, elas eram formadas para desempenhar uma função social, como arrecadar fundos ou concluir uma tarefa em grupo. Elas não estavam necessariamente geograficamente localizadas em um local específico.

Os lugares de convivência contemporâneos, em contraste, sempre são baseados no espaço. Quando urbanistas usam o termo, eles estão se referindo a um ambiente físico com um limite ou entrada projetada para permitir, até incentivar, o acesso a uma variedade de pessoas - como uma cafeteria com um sinal luminoso e uma porta aberta.

Funcionários e frequentadores fazem parte da cena. Mas os estranhos também. Embora não sejam tão diversos ou acessíveis quanto os espaços públicos, os lugares de convivência contam com uma certa heterogeneidade que gera importância social e traz vitalidade.

Dessa forma, esses locais complementam os espaços públicos, como parques, praças, playgrounds, ruas e calçadas - locais gratuitos e abertos que oferecem contato, cooperação e até conflito com uma gama de pessoas na maioria desconhecidas.

Se os espaços públicos expandem nossas relações sociais e expandem nossa visão de mundo, lugares de convivência nos ancoram a uma comunidade onde somos reconhecidos e nossas necessidades são satisfeitas. Os lugares de convivência são previsíveis e confortáveis ​​- ambientes em que nos sentimos "em casa".

"Não é a mesma coisa"

Os que estão isolados em casa agora estão perdendo seus locais de convivência de forma aguda.

Recentemente, conversei com alguns rapazes que ainda estão se reunindo em um parque perto de minha casa. Eles estavam meio escondidos compartilhando uma pizza. Eles me disseram o quão difícil é não poder ir mais à pizzaria. Era o local de convivência deles.

Minha amiga Grace me disse que se sente "isolada" porque não pode ir ao restaurante do bairro onde conhece o chef pelo nome e gosta de sentar no bar depois do trabalho.

Ainda tomo café todas as manhãs em um café perto de onde moro, usando máscara e luvas. Normalmente, eu tomava café da manhã lá enquanto trocava cumprimentos e conversava em inglês e espanhol com amigos e funcionários.

Agora levo meu café para uma praia vazia para beber. Não é o mesma coisa.

Como observa minha colega Judy Ling Wong, de Londres, onde mora sozinha, viver sob “lockdown” gera uma "desorientação severa".

Telefonar para amigos tem quase uma "sensação ritualística", ela escreve. É "feito para manter nossas conexões sociais vivas".

Fechado contra o coronavírus

Nossa solidão coletiva durante a pandemia expõe quão dependentes somos uns dos outros para a felicidade - e como realmente estamos interconectados.

Sociedades saudáveis ​​dependem da interação contínua entre pessoas que são diferentes de várias maneiras. Bares, restaurantes, academias e cafés são locais privilegiados para essas interações, porque nosso prazer compartilhado por seus serviços - amor por café, música ou malhar - garante que até estranhos têm pelo menos uma coisa em comum.

Estudei pessoas que vivem em condomínios fechados - lugares desprovidos de interações tão diversas. Eu descobri que, mesmo em um espaço supostamente seguro, eles se preocupam com o crime e sentem ansiedade quando saem dos limites de sua vizinhança. As crianças que crescem nesses lugares aprendem, implícita ou intencionalmente, a temer aqueles que estão fora dos muros, incluindo os trabalhadores de suas próprias famílias, babás ou pessoas que fazem entregas.

Devido ao potencial de contágio, o coronavírus cria uma mentalidade de nós contra eles. Sem locais de convivência e espaços públicos onde as pessoas entram em contato regularmente com outras pessoas fora de seu círculo, esse pensamento pode se arraigar. Pode começar com conselhos prudentes de saúde pública e evoluir até a paranoia e preconceito.

O coronavírus, em outras palavras, desafia não apenas nossa saúde física, mental e econômica, mas também nossa saúde social.

Esses locais fornecem a cola diária que nos liga a um local específico e às pessoas que o frequentam. Com eles, construímos uma comunidade melhor, uma sociedade mais diversa. Sem eles, eu temo, o complexo tecido de nossa sociedade ficará mais frágil.

Setha Low é professora de Antropologia, Geografia e Psicologia e Diretora do Grupo de Pesquisa de Espaço Público da CUNY Graduate Center

©2020 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês
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Comentários [ 1 ]

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  • C

    CadêCloroquina?

    ± 0 minutos

    O boom serão as igrejas evangélicas. Brasil!

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