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Coreia do Norte: a pouco surpreendente última colocada do ranking

A triste história de dois países separados pelo comunismo

  • Jones Rossi
Kim Jong-Un visita uma fábrica de medicamentos em Pyongyang | -AFP
Kim Jong-Un visita uma fábrica de medicamentos em Pyongyang -AFP
 
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Seria coincidência que, entre as 180 nações ranqueadas pela Fundação Heritage, as três últimas colocadas sejam ditaduras comunistas: Cuba, Venezuela e Coreia do Norte? 

Um bom parâmetro comparativo é a Coreia do Sul. Situada na mesma península, formada pelo mesmo povo, a única diferença é que se trata de uma democracia capitalista. Resultado: enquanto a irmã do Norte ocupa o último lugar, com apenas 5,8 pontos no ranking de liberdade econômica, a Coreia do Sul possui uma economia majoritariamente livre, com uma pontuação de 73,8. Já ficou famoso o contraste exibido pela foto de satélite que mostra à noite as duas Coreias: a do Sul, capitalista e iluminada; e a do Norte, comunista e às escuras. 

Por que essa diferença tão brutal? 

O relatório da Fundação Heritage não mede palavras. Segundo ele, o Estado de Direito é inexistente sob a ditadura de Kim Jong-Un. Quase todas as propriedades pertencem ao Estado, inclusive as mais comezinhas, como os produtos artesanais. O sistema judiciário não é independente sob nenhum aspecto. A corrupção é endêmica e está entranhada em todos os níveis da economia e da administração pública. 

O governo gasta os poucos recursos em equipamentos e pesquisas militares, especialmente na tentativa de produzir um míssil capaz de atingir o território americano. Isso em um país que enfrenta várias crises de alimentos desde a década de 1990. Sem o fornecimento de comida e energia pela China, a Coreia do Norte seria ainda mais pobre e miserável do que já é. 

Não existe sistema de incentivos no país. As empresas, todas controladas pelo estado, não podem oferecer promoções ou aumento de salário para os melhores empregados. 

O sistema financeiro da Coreia do Norte é completamente controlado pelo governo. O comércio é restrito. Investimentos estrangeiros na economia são permitidos em casos muito especiais, analisados um por um. Dos 12 itens analisados pela Heritage, a Coreia do Norte leva nota zero em sete, e nota 5 em três — lembrando que a escala é de 0 a 100. 

Viver em um país assim traz consequências nefastas aos cidadãos. Enquanto a população da Coreia do Sul tem um padrão de vida europeu, os norte-coreanos vivem da mesma forma que os habitantes da África Subsaariana, a região mais pobre do planeta. 

Em um soldado do Norte que desertou recentemente para o Sul foi encontrado um verme com 27 centímetros de comprimento, resultado da ingestão de vegetais fertilizados com fezes humanas, prática comum no país. 

A situação do soldado reflete as pobres condições de nutrição e higiene de seus conterrâneos. “O norte-coreano médio tem expectativa de vida 10 anos menor do que seus vizinhos ao sul”, afirmam os autores Daron Acemoglu e James Robinson no livro “Por Que as Nações Fracassam”. 

História 

As diferenças surgiram após a Segunda Guerra Mundial. Enquanto o Sul optou por uma economia de mercado em que havia reconhecimento da propriedade privada, a situação ao norte era muito diferente. O ditador Kim Il-Sung, com auxílio soviético, introduziu um modelo rígido de economia planificada, parte do chamado sistema “juche”. 

“A propriedade privada foi declarada ilegal, os mercados foram banidos. As liberdades foram cerceadas não só no mercado, mas em todas as esferas da vida dos norte-coreanos – exceto no caso dos membros da pequeníssima elite governante que gravitava em torno de Kim Il-Sung e, mais tarde, seu filho e sucessor, Kim Jong-Il.”, explicam Acemoglu e Robinson

O resultado econômico não poderia ser diferente. A produção agrícola colapsou. “E a inexistência de propriedade privada fez com que poucos tivessem incentivos para investir ou exercer qualquer esforço para aumentar ou mesmo manter a produtividade. O regime repressivo e sufocante opunha-se a toda e qualquer inovação e adoção de novas tecnologias.” 

A história serviu para mostrar qual dos lados estava com a razão.

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