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Em votação apertada, deputados argentinos aprovam o aborto até a 14ª semana de gravidez

O aborto é crime na Argentina e só não é punido quando a gestação é resultante de estupro ou existe risco de vida para a mãe

  • Da Redação
Milhares de pessoas permaneceram fora do Congresso durante toda a votação. Havia manifestações pró e contra o aborto | EITAN ABRAMOVICH/AFP
Milhares de pessoas permaneceram fora do Congresso durante toda a votação. Havia manifestações pró e contra o aborto EITAN ABRAMOVICH/AFP
 
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Depois de mais de 20 horas de votação, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta quinta-feira (14) a descriminalização do aborto até a 14ª. semana de gravidez. O resultado apertado de 129 votos a favor contra 125 refletiu os ânimos da multidão acalorada que se dividiu em dois grupos na praça do Congresso e parte da Avenida de Mayo, em Buenos Aires. Agora, o projeto segue para ser avaliado no Senado.

O aborto é crime na Argentina e só não é punido quando a gestação é resultante de estupro ou existe risco de vida para a mãe.

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A sessão foi bastante tensa. Deputados favoráveis e contra o projeto apresentaram sua posição na tribuna da Câmara com argumentos enérgicos e reações do mesmo calibre de outros parlamentares.

Entre os partidos políticos, os deputados de esquerda votaram fortemente a favor da legalização do aborto, enquanto os partidos de centro e de direita ficaram divididos.

O presidente Maurício Macri e sua vice Gabriela Michetti são contrários ao aborto, mas afirmaram que o governo não deve vetar a lei caso ela seja sancionada no Senado. “Não vetarei a decisão dos congressistas”, disse Macri.

Desde 1983, ano da redemocratização da Argentina, o projeto de descriminalização do aborto foi apresentado sete vezes, mas nunca havia chegado ao plenário para votação.

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Guerra de números

Como no Brasil, na Argentina um dos argumentos mais usados a favor do aborto são números, questionados por várias entidades, de que seriam realizados de 450 a 600 mil abortos por ano. No Brasil, com base nos mesmos critérios, já se falou em mais de 1 milhão de procedimentos por ano, mas a última Pesquisa Nacional do Aborto (PNA), de 2016, estima, a partir de uma extrapolação que se deve ver com muito cuidado estatístico, 503 mil abortos no ano anterior. A própria pesquisa afirma que “os resultados para a população feminina total (...) devem ser tomados com extrema cautela”, mas o uso político que se faz dos números não respeita esse alerta.

Nesse ponto, a experiência do Uruguai, onde o aborto foi legalizado no final de 2012, tem bastante a ensinar. Chegou-se a falar em 55 mil abortos anuais no país vizinho. Desde 2003, falava-se em 33 mil abortos por ano, mas, em 2013, 6.676 procedimentos foram realizados – número bem menor que o estimado. O número vem subindo e, em 2016, chegou a 9.719 procedimentos.

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Vigília

Manifestantes pró-aborto (apelidados de “onda verde”) e contra o aborto (os “onda celeste”, de azul) permaneceram toda a noite em vigília, à espera do resultado da votação na Câmara. O frio com sensação térmica de menos quatro graus não foi o suficiente para afastar as pessoas do local. O grupo favorável à vida levou uma imagem gigante de um ultrassom de um feto na 14ª semana, em que aparece o corpo já formado, com mãos e pernas.

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Frio de menos quatro graus em vigília de espera do resultado da votação na câmara dos deputados, em Buenos AiresEITAN ABRAMOVICH/AFP

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