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Levantamento

Lista: veja quais deputados votaram de acordo com os princípios conservadores em 2025

Plenário da Câmara dos Deputados: em meio ao ruído, parlamentares votaram projetos importantes em 2025.
Plenário da Câmara dos Deputados: em meio ao ruído, parlamentares votaram projetos importantes em 2025. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

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Em meio ao caos da Câmara dos Deputados, por vezes é difícil distinguir um deputado do outro. Mas os registros de votações em plenário permitem uma comparação objetiva entre os parlamentares. Várias vezes por semana, cada deputado precisa marcar "Sim" ou "Não" em propostas de todo o tipo.

A reportagem da Gazeta do Povo selecionou dez projetos importantes votados pela Câmara em 2025 com o objetivo de identificar quais parlamentares estão mais alinhados com os princípios conservadores. A lista inclui temas econômicos, aborto e a pena dos condenados pelo 8 de janeiro.

Para cada projeto, o deputado que votou de acordo com a posição conservadora (a favor da liberdade econômica, das liberdades individuais e dos valores tradicionais) recebeu um ponto. Quem votou da forma oposta recebeu zero — o mesmo vale para quem se absteve ou faltou à votação.

Embora não inclua todas as votações relevantes do ano, a lista considera propostas significativas porque não deixam espaço para gradações.

Por exemplo: uma proposta que cria incentivos fiscais em uma região específica do país pode ser defendida por alguns parlamentares de direita (em nome da redução de impostos) e criticada por outros (que se opõem aos incentivos fiscais regionais). Temas com esse grau de ambiguidade foram deixados de lado.

Um exemplo concreto foi a proposta de suspensão do mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Alguns parlamentares conservadores votaram a favor da proposta por entenderem que essa era a única punição politicamente viável. Outros votaram contra porque defendiam a cassação, e apenas a cassação, do parlamentar acusado de agredir um militante do Movimento Brasil Livre (MBL). Por causa dessa ambiguidade, essa votação não foi incluída na lista.

Para evitar distorções nos resultados, a lista considera os parlamentares que estavam no exercício do mandato em pelo menos oito das dez votações.

Ao todo, o levantamento incluiu mais de 5 mil votos individuais, todos de 2025. Em uma escala em que 10 é a posição mais conservadora possível, a média geral da Câmara foi 5,3. Veja os destaques.

Os deputados mais conservadores

No levantamento da Gazeta do Povo 47 deputados obtiveram a pontuação máxima — ou seja, votaram de acordo com uma posição conservadora em todos os 10 projetos avaliados. Saiba quem são eles na lista abaixo.

  • Adriana Ventura (Novo-SP)
  • Any Ortiz (Cidadania-RS)
  • Bia Kicis (PL-DF)
  • Capitão Alden (PL-BA)
  • Carla Dickson (União-RN)
  • Carlos Jordy (PL-RJ)
  • Caroline de Toni (PL-SC)
  • Cabo Gilberto Silva (PL-PB)
  • Chris Tonietto (PL-RJ)
  • Clarissa Tércio (PP-PE)
  • Cobalchini (MDB-SC)
  • Coronel Meira (PL-PE)
  • Delegado Bilynskyj (PL-SP)
  • Delegado Caveira (PL-PA)
  • Delegado Palumbo (MDB-SP)
  • Dr. Jaziel (PL-CE)
  • Dr. Luiz Ovando (PP-MS)
  • Filipe Barros (PL-PR)
  • Gilson Marques (Novo-SC)
  • Gustavo Gayer (PL-GO)
  • Helio Lopes (PL-RJ)
  • Jefferson Campos (PL-SP)
  • Junio Amaral (PL-MG)
  • Lucas Redecker (PSDB-RS)
  • Luisa Canziani (PSD-PR)
  • Luiz F. Vampiro (MDB-SC)
  • Luiz Lima (Novo-RJ)
  • Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)
  • Marcel van Hattem (Novo-RS)
  • Marcio Alvino (PL-SP)
  • Marcos Pollon (PL-MS)
  • Mauricio Marcon (PL-RS)
  • Messias Donato (Republicanos-ES)
  • Miguel Lombardi (PL-SP)
  • Nikolas Ferreira (PL-MG)
  • Paulo Litro (PSD-PR)
  • Pedro Lupion (Republicanos-PR)
  • Pezenti (MDB-SC)
  • Pr. Marco Feliciano (PL-SP)
  • Ricardo Guidi (PL-SC)
  • Rodolfo Nogueira (PL-MS)
  • Rodrigo Estacho (PSD-PR)
  • Rodrigo Valadares (União-SE)
  • Sargento Fahur (PSD-PR)
  • Sargento Gonçalves (PL-RN)
  • Silvia Cristina (PP-RO)

Os partidos mais conservadores em 2025

Com uma bancada de cinco deputados, o NOVO aparece com a maior nota na escala de conservadorismo: a média foi 9.

Na verdade, a nota da sigla foi puxada para baixo exclusivamente pelo deputado Ricardo Salles (SP), que obteve 5 pontos. Os outros quatro parlamentares da sigla receberam nota 10. Salles perdeu pontos por ter se ausentado de cinco das dez votações.

Em segundo lugar aparece o PL, com uma média de 8,2. Embora tenha uma clara inclinação à direita, a sigla tem um número maior de parlamentares que o NOVO e ainda possui um contingente considerável de integrantes do "antigo" PL, antes da filiação de Jair Bolsonaro e de outras figuras conservadoras.

No outro extremo da lista, estão PCdoB e PT, ambos com média inferior a 1.

  • NOVO - 9,0
  • PL - 8,2
  • União - 6,5
  • PRD - 6,5
  • PP - 6,3
  • Republicanos - 6,2
  • PSDB - 6,1
  • MDB - 6,0
  • Cidadania - 5,8
  • PSD - 5,6
  • Podemos - 5,5
  • Avante - 4,8
  • Solidariedade - 3,6
  • PDT - 3,3
  • PSB - 2,9
  • Rede - 2,0 (apenas um deputado)
  • PSOL - 1,0
  • PV - 1,0
  • PCdoB - 0,9
  • PT - 0,6

A média por estado

Entre as unidades da federação, as bancadas com o maior alinhamento com as pautas conservadoras foram as de Rondônia (média de 8,5 pontos), Santa Catarina (7,9) e Tocantins (7,4).

No fim da lista, estão Ceará (3,9), Bahia (3,3) e Piauí (2,7).

  • RO - 8,5
  • SC - 7,9
  • TO - 7,4
  • MT - 7,0
  • RR - 6,6
  • AC - 6,1
  • PR - 6,1
  • RS - 6,1
  • GO - 6,1
  • MS - 5,8
  • RN - 5,8
  • DF - 5,7
  • AM - 5,7
  • PA - 5,5
  • SP - 5,5
  • ES - 5,4
  • SE - 5,4
  • AP - 5,1
  • MG - 5,1
  • RJ - 4,8
  • MA - 4,6
  • PB - 4,4
  • PE - 4,3
  • AL - 4,0
  • CE - 3,9
  • BA - 3,3
  • PI - 2,7

Os projetos levados em conta

1) PDL 03/2025 - Susta resolução do CFM sobre o aborto. Posição conservadora: voto Sim.

2) PL 2162/23 - Dosimetria da pena dos condenados pelo 8 de janeiro. Posição conservadora: voto Sim.

3) PL 1112/2023 - Endurece progressão da pena para alguns casos de homicídio. Posição conservadora: voto Sim.

4) PL 3118/2024 (Destaque número 1) - Estabelece cotas raciais em programas de assistência estudantil. Posição conservadora: voto Não.

5) PDL 314/25 - Derruba o decreto que aumentava o IOF. Posição conservadora: voto Sim.

6) PL 769/2024 - Cria cargos no STF. Posição conservadora: voto Não.

7) PLC 177/2023 - Aumenta o número de deputados federais. Posição conservadora: voto Não.

8) PL 2159/2021 - Simplifica o licenciamento ambiental (emendas vindas do Senado). Posição conservadora: voto Sim.

9) Parecer CCJC - SAP 1/2025 - Suspende a ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem no STF. Posição conservadora: voto Sim.

10) PL 1663/2023 - Facilita o cancelamento da Contribuição Sindical. Posição conservadora: voto Sim.

O que dizem os números

Para o cientista político Márcio Coimbra, presidente do Instituto Monitor da Democracia e CEO da consultoria Casa Política, o levantamento revela aspectos que vão além do óbvio. O que mais chama a atenção, segundo ele, não é necessariamente o topo da lista, mas o “recheio”.

A posição do PSD e do MDB próximos à média geral indica um fenômeno político relevante. “Ver o PSD (5,6) e o MDB (6,0) tão próximos da média geral (5,3) mostra como esses partidos se tornaram os verdadeiros fiéis da balança", diz Coimbra.

Para o analista, essas legendas não são de esquerda, mas flutuam conforme a conveniência do governo da vez, mantendo um pé no conservadorismo institucional.

Outro ponto destacado por Márcio Coimbra é a distância que separa a esquerda do restante da Câmara. O salto de 3,3 do PDT para 1,0 do PSOL e PV demonstra que não há uma centro-esquerda orgânica votando com a direita em temas de valores.

“O abismo ideológico é muito abrupto quando se chega ao núcleo duro do governo”, afirma.

Média “traiçoeira”

Coimbra também identifica nas votações sobre temas institucionais um divisor importante. Propostas como o aumento do número de deputados e a criação de cargos no STF funcionam como testes que separam o conservadorismo fiscal do de costumes.

“Muitos deputados que são ‘Bíblia e bala’ falham no teste quando o assunto é o inchaço da máquina pública”, afirma.

Quanto à média de 5,3 obtida pela Câmara, o cientista político considera o número extremamente representativo do que chama de “centro-direita pragmática”. Essa pontuação indica que a Casa funciona, em sua maioria, como um contraponto moderado ao Executivo, atualmente de esquerda.

A leve tendência à direita, ele diz, não significa uma adesão ideológica ao conservadorismo, mas sim uma resistência a pautas progressistas e uma defesa de interesses setoriais, como o agronegócio e a questão da segurança.

O analista alerta, no entanto, que essa média é “traiçoeira” — composta por uma massa de parlamentares que vota com a direita em temas de valores, mas que negocia com o governo em questões econômicas e orçamentárias.

"É o famoso ‘direita nos costumes, centrão na economia’”, diz.

Ala governista escondida

A superação do PL pelo Novo no ranking também merece atenção. Para Coimbra, a diferença entre os dois partidos está na formação de suas bancadas.

Segundo ele, o Novo é programático e ideológico, e seleciona seus quadros com base em identidade doutrinária — o que resulta numa fidelidade quase total. “Eles não têm uma ‘ala governista’ escondida”, afirma.

Já o PL, para o analista, virou um gigante heterogêneo. O partido abriga o núcleo bolsonarista, mas também uma ala considerável de parlamentares do centrão pragmático, que estavam no partido antes de 2022 ou entraram apenas pela viabilidade eleitoral e pelo fundo partidário.

Em votações que envolvem o “estômago” da política — cargos, emendas e estrutura do Estado —, a ala mais antiga do PL tende a ser menos conservadora do que o Novo. “O índice de 9,0 do Novo mostra que o partido se consolidou como a única legenda purista em termos de liberalismo econômico somado ao combate ao inchaço estatal”, diz.

Com a proximidade das eleições de 2026, Coimbra projeta que “essas posições se tornem ainda mais nítidas, forçando parlamentares a abandonarem as nuances da média para buscarem uma identificação mais clara com suas bases eleitorais”.

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