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Em Havana, Cuba, mural mostra Hugo Chávez e Che Guevara (Foto: Pixabay)
Em Havana, Cuba, mural mostra Hugo Chávez e Che Guevara (Foto: Pixabay)| Foto:

É uma cena familiar. Um socialista e um crítico do socialismo estão envolvidos em um debate acalorado. O crítico do socialismo invariavelmente recorre a uma objeção que o socialista considera banal e preguiçosa: “Bem, e o que aconteceu na União Soviética? Ou na China maoísta? Eram Estados socialistas. Você está realmente endossando esses sistemas? Eles não provam que o socialismo não funciona?”

O socialista zomba da resposta, sacode a cabeça com desdém e declama sua própria resposta igualmente banal:

“Não. Esses não eram estados verdadeiramente socialistas. Eles eram socialistas apenas no nome. Na verdade, eles foram cooptados por forças corruptas internas ou foram comprometidos por condições ambientais e/ou econômicas desestabilizadoras, ou seu desenvolvimento foi impedido por forças reacionárias externas… ou alguma combinação desses três elementos.”

Em seguida o debate geralmente desanda em diferenças irreconciliáveis sobre o que realmente aconteceu na Rússia nos anos 1920, em argumentos empíricos e contra-argumentos que são virtualmente impossíveis de se verificar no local de uma forma ou de outra, até, em algum momento, tudo terminar em um impasse. Ambas as partes retornam aos seus princípios ideológicos e se afastam convencidas de que sua posição não foi refutada e que a posição do oponente permanece completamente provisória e pouco convincente.

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Eu observei essa réplica socialista inúmeras vezes e a considero enervante. Conheço a dinâmica intimamente porque eu costumava ser o socialista no debate. Quando um oponente levantava vários casos históricos de Estados nominalmente socialistas, eu aderia à linha de resistência descrita acima: essas eram todas tentativas fracassadas, revoluções imperfeitas que saíram dos trilhos por qualquer razão incidental.

No fim das contas, todos esses regimes terminaram como ditaduras totalitárias de uma forma ou de outra, presidindo uma economia, no melhor dos cenários, estagnada. Mas o socialismo, o meu socialismo, era profundamente democrático, profundamente antiautoritário e profundamente comprometido com o desenvolvimento econômico. Assim, não importava quantos casos históricos fossem trazidos a mim, eu sabia que sempre poderia desviá-los para longe, recuando para o refúgio seguro da definição do ideal.

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Eu acho esse “argumento” enervante porque hoje eu posso ver – depois de, desde aquela época, ter me convencido inteiramente da insustentabilidade do socialismo – como e por que eu poderia ter persistido alegremente nesse modo de pensar e “argumentar”. E, mais importante, eu posso ver como e por que os argumentos usuais contra o socialismo eram tão pouco convincentes para mim.

O problema é que, na maioria das vezes, esses argumentos completamente não convincentes são os que continuam a ser usados contra o socialismo. Minha intenção neste artigo é apresentar uma forma de argumentação da qual é muito mais difícil de o socialista se evadir pelo método descrito acima.

Ela parte do trabalho do teorista político Jason Brennan em seu pequeno e maravilhoso livro 'Capitalismo: por que não?'. Ela envolve uma mudança de foco do conteúdo dos argumentos em si mesmos para os padrões de argumentação que os sustentam.

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O que tentarei demonstrar é que a maioria dos socialistas é tipicamente inconsistente, até mesmo hipócrita, nos padrões que implicitamente eles usam. Se eles quisessem ser consistentes, teriam que admitir que o socialismo surge sob uma luz relativamente desfavorável em relação a outros modos de organização econômica e política. Mais do que isso, se eles aplicassem ao socialismo os padrões epistêmicos básicos que normalmente aceitariam e exigiriam em qualquer outro contexto intelectual, eles rapidamente deveriam descobrir que o socialismo é na verdade uma proposição muito fraca.

O que não funciona, por que não funciona e por que isso é importante

No atual meio dos intelectuais públicos, o oponente mais visível do socialismo revolucionário é sem dúvida o professor Jordan B. Peterson, que não faz segredo de seu desdém pelo marxismo e por sua descendência ideológica. Eu não nego que Peterson é uma figura impressionante e que algumas de suas críticas à ideologia esquerdista contemporânea (particularmente suas encarnações identitárias mais radicais) acertam o alvo. No entanto, há certas linhas de argumentação que Peterson emprega repetidamente em suas palestras públicas que, receio dizer, têm pouca chance de fazer balançar qualquer socialista que possa estar ouvindo.

Uma dessas linhas de argumentação é a que afirma que quando um marxista ou socialista é confrontado com o registro humanitário da União Soviética e diz: "Bem, isso não era o verdadeiro socialismo", o que ele está realmente dizendo é: "Bem, se eu estivesse no comando em vez de Stalin, então teria introduzido a utopia socialista, porque eu sei o que o socialismo realmente é e como ele deve ser implementado”.

Quando ouço isso, não escuto como alguém que já está convencido dos erros do socialismo. Pelo contrário, tento me imaginar de novo como aquele jovem socialista sincero. E o que eu ouço não é um argumento esmagador, mas sim uma peça de retórica falaciosa e mal-intencionada.

E penso comigo mesmo:

Bem, esse é um péssimo argumento, porque a questão toda é que o socialismo impede a existência mesma de um Stalin! Eu não gostaria de estar "no comando" da revolução em vez de Stalin ou Mao ou quem quer que seja. E nenhum socialista digno de ser assim chamado gostaria! O ponto principal é que uma pessoa nunca deve estar no comando, pois todas as decisões políticas e econômicas devem ser transferidas para o veredito majoritário do proletariado, para os trabalhadores que controlam democraticamente todas as indústrias. Qualquer representante que presida um conselho centralizado deve ter de responder por seus atos diretamente aos operários que representa. Então não. Quando digo: “Isso não era socialismo de verdade", não estou dizendo que gostaria de ser um Stalin benigno. Eu estou dizendo, isso sim, que o próprio fato de que havia um Stalin é prova suficiente de que isso não era socialismo de verdade!

Essa réplica virá à mente de qualquer socialista sincero quase imediatamente. A estratégia de Peterson, por mais divertida que seja para aqueles como nós que já estão convencidos dos fracassos do socialismo, muito dificilmente conseguirá realmente mudar a cabeça de alguém.

E isso não é trivial. Peterson é em outros pontos com razão considerado um oponente intelectual formidável. Logo, se os socialistas revolucionários veem que um homem tido como um de seus críticos públicos mais capazes investe no fim das contas em uma linha argumentativa tão pouco convincente, eles ficarão ainda mais propensos a sair pensando que sua ideologia está assentada em terreno bastante sólido. Afinal, no espírito de John Stuart Mill, eles irão raciocinar que se sua ideologia pode resistir ao ataque crítico de um homem tido como um de seus críticos mais contundentes, eles podem ficar ainda mais confiantes de que sua visão de mundo permanece intelectualmente sólida.

O socialismo possui uma reserva de justiça que o torna uma proposta atraente para cada nova geração de idealistas políticos. Se quisermos separar os socialistas de sua fé na inevitável marcha histórica em direção ao socialismo, precisamos fazer algo muito melhor do que acusá-los de querer ser Stalins bonzinhos.

Uma proposta com mais chances de funcionar, e por quê

Retornemos à resposta socialista que esbocei no parágrafo inicial. Seu cerne é a alegação de que nenhum dos casos históricos apresentados contra o socialista como supostos contraexemplos são, de fato, realizações do socialismo, mas, ao contrário, tentativas abortadas de sua realização no mundo real. A chave para produzir um argumento convincente contra o socialista é sair do debate empírico e voltar a atenção para os padrões argumentativos implícitos na resposta inicial do socialista – e voltá-los contra ele.

Uma boa maneira de fazer isso é mimetizar a estratégia do próprio socialista e usá-la na resposta. Considere a seguinte resposta:

Ok, estou disposto a conceder, para fins de argumentação, que todos os casos históricos de Estados socialistas ou comunistas “só no nome” – entre eles, a União Soviética, a China maoísta, a Alemanha Oriental, a Coreia do Norte, Cuba, a Iugoslávia, a Venezuela, o Camboja e a Etiópia, para citar apenas alguns – não eram substancialmente Estados socialistas. Na melhor das hipóteses, eram tentativas falhas e fracassadas de implementar o socialismo. Tudo bem.
Agora considere a seguinte lista de países: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Nova Zelândia, Suíça, Hong Kong, Austrália, Irlanda, Chile, Islândia, Dinamarca, Suécia e Holanda (todos esses exemplos foram tirados da lista dos 20 países economicamente mais livres de acordo com o Índice de Liberdade Econômica de 2018 da Heritage Foundation – os Estados Unidos, aliás, estando na 18ª posição, atrás de vários dos tão alardeados Estados “socialistas” escandinavos). Todos esses países certamente manifestam suas próprias falhas e fracassos internos, que os socialistas sempre fazem questão de divulgar e criticar e, em seguida, colocar na conta do capitalismo ou do nebuloso “neoliberalismo”.
Mas eu sustentaria (não sem razão) que nenhum desses países é verdadeiramente capitalista no sentido ideal. Na verdade, todos eles são uma mistura de intervenção estatal e mercados imperfeitamente liberais. Agora, se isso é verdade, então eu também deveria ter o direito de rejeitar de imediato toda e qualquer crítica que venha contra mim com base no histórico empiricamente verificável de qualquer um dos Estados "capitalistas" acima mencionados. Eu tenho o mesmo direito, pelos próprios padrões argumentativos do socialista, de insistir que estes não são países capitalistas de verdade. E, assim, o capitalismo não é mais “desmascarado” por esses casos de Estados capitalistas “só no nome” do que o socialismo é por sua própria lista de Estados socialistas “só no nome”.

A maioria dos socialistas, é claro, não se impressionaria de primeira com essa resposta. O problema é que não está claro como eles podem consistentemente rejeitar essa linha de argumentação sem minar simultaneamente sua própria refutação original. Eles podem dizer, por exemplo: “Bem, sim, nenhum desses países é completamente capitalista, mas eles manifestam alguns elementos do capitalismo. E qualquer resultado que saia pior do que o esperado pode ser atribuído a esses elementos capitalistas”.

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Mas o problema com essa resposta é que não está claro por que não posso usar o argumento correspondente contra a lista de Estados socialistas “só no nome”. O socialista pode insistir que esses países não manifestaram absolutamente nenhum elemento do socialismo. Mas é uma linha argumentativa altamente implausível, a começar pelo fato de que, em muitos (a maioria?) desses casos, muitos socialistas que acreditam em seus princípios prontamente cantaram louvores a elementos desses Estados socialistas, especialmente em seus estágios iniciais. A Venezuela é o caso mais recente. Insistir que eles nunca manifestaram qualquer característica socialista exigiria uma forma extrema de duplipensar retrospectivo ou cegueira histórica deliberada.

Eles podem tentar evitar essa acusação tentando outra abordagem, insistindo que, mesmo se houvesse elementos socialistas, os maus resultados podem ser razoavelmente atribuídos aos elementos não socialistas. Mas isso permite então que eu diga, ao contrário, que os maus resultados das sociedades capitalistas “só no nome” podem ser atribuídos aos elementos não capitalistas. Podemos ambos seguir esse caminho, mas o preço que o socialista pagará por isso é que seu próprio argumento parecerá tão pouco convincente quanto eles consideram o argumento capitalista correspondente. Ambos vão parecer tendenciosos para qualquer observador imparcial, e com razão.

Ideal, real e padrões de evidência

Existe outra linha argumentativa que o socialista possa tomar? Até onde eu posso ver, a única alternativa é recuar para as alturas do socialismo "ideal". O socialista poderia admitir que, sim, esses casos históricos manifestaram alguns elementos do socialismo. No entanto, eles não eram plenamente socialistas. O socialismo pleno seria puramente democrático, não manifestaria nenhum elemento ditatorial ou de força centralizada e seria economicamente dinâmico. Esse tipo de sociedade, em que cada pessoa participa do controle democrático da economia, seria altamente desejável. Ele é, no entender do socialista, claramente superior ao capitalismo.

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Mas superior a qual capitalismo? É aqui que as coisas se tornam novamente desconfortáveis para o socialista. Ele pode dizer: “Bem, olhe ao seu redor! Veja a desigualdade e o sofrimento que prevalecem em todas essas sociedades capitalistas! Não é evidente que elas são moral e economicamente inferiores ao socialismo?”

Bem, sim, certamente elas são inferiores à descrição ideal feita pelo socialista de trabalhadores felizes controlando efetivamente toda a economia e assegurando que todos tenham uma parcela equitativa de recursos e necessidades… Mas essa é a comparação apropriada? Como Jason Brennan corretamente aponta em seu livro, essa não é uma comparação particularmente útil ou informativa. Nem intelectualmente honesta.

A comparação relevante é ou entre socialismo ideal e capitalismo ideal ou entre socialismo real e capitalismo real. Comparar socialismo ideal com capitalismo real é tender a balança em favor do socialismo. Além disso, é um convite para que nos perguntemos por que nós também não podemos, de nossa parte, comparar o capitalismo ideal com o socialismo real e concluir, com base nisso, que o capitalismo é, sem mais, claramente o sistema econômico superior.

Eu não assumirei a tarefa de elaborar a comparação ideal versus ideal aqui. Jason Brennan já fez um excelente trabalho ao desenvolver o argumento moral contra o socialismo ideal, em comparação ao capitalismo ideal, no livro mencionado acima. O que desejo é terminar este texto considerando a comparação real versus real. Novamente, é importante enfatizar que, se o socialista for razoável e não recorrer a padrões duplos indefensáveis, então terá necessariamente que optar por uma comparação ou outra e não ficar vacilando entre ambas. E é aqui que o argumento do socialista começa a ruir sob o peso da evidência.

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Para ilustrar esse ponto, voltemos novamente ao análogo capitalista da primeira réplica socialista. Um socialista vem até mim e me apresenta uma lista de sociedades capitalistas no mundo real, apontando vários resultados moralmente ou economicamente abaixo dos esperados nesses países. Eu o zombo e reviro meus olhos, e insisto que nenhum desses países é verdadeiramente um país capitalista, e assim esses problemas não podem ser atribuídos de maneira justa ao capitalismo em si. O socialista para por um momento, pondera e finalmente pergunta:

Bem, o que seria então necessário para você mudar de ideia? O que, em princípio, contaria como evidência contra o capitalismo? Se eu apresentasse a você mais de cem casos de tentativas reais de capitalismo em que ocorreram os mesmos tipos de problemas e maus resultados, você finalmente admitiria que o capitalismo simplesmente não funciona? Ou você simplesmente repetiria a mesma velha ladainha de que nenhuma dessas sociedades era verdadeiramente capitalista?

Paro por um instante e finalmente concluo que, a menos que aqueles casos no mundo real se conformassem com minha concepção de capitalismo ideal e depois manifestassem os maus resultados, o capitalismo permaneceria incontestado aos meus olhos.

Eu arrisco dizer que o socialista iria considerar esse tipo de atitude como altamente anti-intelectual, dogmática e não científica. E estaria coberto de razão. Sob essas circunstâncias, o capitalismo se tornaria essencialmente uma teoria infalsificável – um artigo de fé ideológica impermeável à evidência.

Infelizmente, esse é precisamente o tipo de atitude manifestada tipicamente pelo socialista. Mas é ainda pior para o socialista. A razão para isso é que, se nos ativermos à comparação real versus real e aderirmos aos mesmos padrões empíricos, os casos reais do socialismo, invariavelmente, saem-se muito pior. Olhando para saúde, nutrição, violações de direitos humanos, taxas de mortalidade infantil, corrupção, expectativa de vida e PIB per capita, o histórico de realizações das versões imperfeitas do socialismo no mundo real empalidece em comparação com suas contrapartes capitalistas.

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Desde cerca de 1800, nos países que historicamente se aproximaram mais de uma economia capitalista, o PIB real per capita aumentou em um fator de quase 30 (isto é, 2.900%!). Isso não quer dizer que se tratem de sociedades perfeitas – longe disso. Mas, por qualquer métrica razoável, e certamente por padrões históricos, elas têm sido um sucesso impressionante. Em grande contraste, nas mais duradouras aproximações do mundo real ao socialismo, os melhores cenários foram de estagnação econômica, mas mais tipicamente de ruína econômica. Falando comparativamente, agora é o socialista quem deve suportar o ônus da prova e enfrentar a questão:

Dado que, no mundo real, os países socialistas consistentemente manifestam piores resultados humanitários do que os países capitalistas (ainda que imperfeitos) e manifestam o mesmo padrão de fracassos em todos os casos, que tipo ou quantidade de evidência seria necessária para você finalmente abandonar o socialismo?

Permitam-me concluir colocando o desafio de um modo ligeiramente diferente: será realmente mais plausível sustentar que falhas semelhantes em cada tentativa de implementar o socialismo no mundo real tenham sido resultado de fatores diferentes e incidentais que desencaminharam esses experimentos repetidamente?

Que cada um desses movimentos e líderes socialistas, os quais pareciam tão sinceros e genuinamente comprometidos com o socialismo desde o início, fracassaram simplesmente por não conseguirem acertar o resultado de novo e de novo por diferentes motivos?

Não é uma explicação muito mais parcimoniosa e plausível que o repetido padrão de fracasso econômico relativo, esse mesmo padrão de fracasso que se manifestou em cenários socioculturais amplamente variados, tenha se devido aos defeitos inerentes ao socialismo no mundo real?

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Meu palpite é que, se os papéis fossem trocados, o socialista concluiria que o apologista capitalista estaria desrespeitando padrões intelectuais básicos ao se apegar à sua ideologia em detrimento das evidências. Infelizmente para o socialista, no mundo dos sistemas econômicos da vida real, imperfeitos, é o socialismo que entra em colapso sob essa carga probatória e intelectual.

Hugo Newman é Ph.D em Filosofia pela University College Dublin.

Tradução de Alexandre Siloto

©2019 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês.

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