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Falar sobre as culpas do Ocidente, na verdade, abre muitas portas. Por outro lado, criticar outras culturas significa aventurar-se em um campo minado. Arriscam-se acusações — e denúncias — de racismo, etnocentrismo, islamofobia (caso se trate do mundo muçulmano) e fascismo. A deslegitimação sistemática do Ocidente, em curso há décadas, exige que, por comparação, sobre outras culturas e sociedades só se fale bem ou, se não for possível, que se cale.
É por isso que praticamente nunca se fala, por exemplo, do tráfico árabe-muçulmano de africanos. Demonstra, portanto, coragem a editora Massari ao decidir publicar na Itália o livro, O genocídio Velado: Investigação Histórica, de de Tidiane N’Diaye. Ela tem coragem e deve ser agradecida, pois é graças à iniciativa que finalmente é possível conhecer, também na Itália, esta página dolorosíssima da história dos povos negros e de toda a humanidade.
O tráfico árabe-muçulmano de escravos africanos durou do século VII ao século XX, sem interrupções. Escravizou e deportou entre 12 e 18 milhões de pessoas. O comércio se desenvolvia por duas rotas: a terrestre, transariana, para levá-las da África Central e Ocidental ao Norte da África; e a marítima, das costas do Oceano Índico em direção ao Oriente Médio, Pérsia e Índia.
O que tornou isso possível foi outro evento histórico silenciado ou até mesmo negado: a colonização árabe-muçulmana do continente africano, iniciada pouco depois da morte do profeta Maomé, em 632. Há uma convicção amplamente compartilhada de que existiu apenas uma colonização da África — a europeia, ocorrida muitos séculos depois — e a única deportação de africanos escravizados a ser contada e comemorada é a transatlântica, que levou cerca de 12 milhões de africanos para as Américas ao longo de quatro séculos, entre os séculos XVI e XIX.
As Nações Unidas instituíram, em 2007, o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, celebrado em 25 de março de cada ano. Este ano, com 123 votos a favor, 3 contra e 52 abstenções, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução apresentada pelo Gana reconhecendo que o tráfico transatlântico de escravos foi "o mais grave crime contra a humanidade". Antes da votação, o presidente do Gana, John Mahama, declarou: "Que se escreva, para o futuro, que fizemos o que era certo pela memória dos milhões de pessoas que sofreram a humilhação do tráfico e daqueles que continuam a sofrer discriminação racial. A adoção desta resolução serve para salvaguardar contra o risco do esquecimento e desafia as cicatrizes persistentes da escravidão".
A Assembleia Geral encampou, assim, as reivindicações da União Africana e dos países caribenhos por reparações pelos danos causados pelo tráfico ao deportar milhões de africanos e por aqueles que ainda inflige — sob a forma de "racismo estrutural", desigualdades raciais e subdesenvolvimento — aos africanos e às pessoas de ascendência africana em todo o mundo. A resolução da ONU exorta os países responsáveis a admitirem suas culpas, apresentarem desculpas formais, concederem reparações financeiras aos povos prejudicados, restituírem os artefatos roubados e garantirem que nunca mais cometerão ações semelhantes.
Nenhum gesto desse tipo jamais foi feito em relação ao tráfico árabe-muçulmano de africanos — seja para fazer memória das vítimas, seja para apontar os culpados e pedir justiça. Obviamente não se faz menção a ele no dia 25 de março, mas nem mesmo em 23 de agosto, Dia Internacional para a Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição, data que pareceria incluir todos os comércios de escravos, em qualquer lugar e época. Em vez disso, essa celebração também foi promovida pela UNESCO, em 1997, para "gravar na memória de todos os povos a tragédia" do tráfico transatlântico de escravos e "oferecer uma oportunidade de reflexão coletiva sobre as causas históricas, os métodos e as consequências dessa tragédia, bem como uma análise das interações que ela gerou entre África, Europa, Américas e Caribe". A data de 23 de agosto foi escolhida porque, na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, teve início em São Domingos uma revolta de escravos que desempenhou um papel decisivo na abolição do tráfico transatlântico.
Tidiane N’Diaye foi um antropólogo senegalês (falecido em outubro passado). Ele publicou o livro, agora também distribuído na Itália, em 2008. O autor escreve no prefácio de sua obra: "Foram 13 séculos ininterruptos em que os árabes saquearam a África subsaariana. A maioria dos milhões de pessoas que deportaram desapareceu devido aos tratamentos desumanos, aos quais se somou a prática da castração. Seria realmente hora de o genocida tráfico escravagista árabe-muçulmano ser examinado e incluído no debate, no mesmo patamar do tráfico transatlântico. Na verdade, embora não existam graus no horror nem monopólio da crueldade, pode-se sustentar, sem risco de errar, que o comércio escravagista árabe-muçulmano e as jihads (guerras santas) — promovidas por predadores implacáveis para capturar prisioneiros — foram para a África negra muito mais devastadores do que o tráfico transatlântico".
Nos nove capítulos seguintes, Tidiane N’Diaye relatou onde, como e por que isso aconteceu: a conquista árabe da África, a subsequente islamização dos territórios conquistados e as formas de servidão pré-existentes que o islã transformou de instituições tribais impostas pelos ancestrais fundadores em vontade de Alá. No apêndice, são reproduzidos versículos do Alcorão que incentivam a escravização de não muçulmanos por muçulmanos. Um capítulo importante do livro é o que explica o título original da obra. Segundo N’Diaye, as deportações serviram não apenas para vender mercadoria humana com lucro, atendendo à demanda por mão de obra. Foram também, sustenta ele, "uma verdadeira empresa programada daquilo que se poderia chamar de 'extinção étnica mediante castração em massa'", executada a partir da convicção de que, como escreveu o historiador Ibn Khaldun, "os únicos povos a aceitar a escravidão são os negros" devido "à sua humanidade próxima do estágio animal" e, por isso, devia-se evitar que se reproduzissem em terras árabe-muçulmanas.
O livro conclui definindo como uma espécie de "síndrome de Estocolmo" o apagamento do tráfico operado, com sucesso, por estudiosos e intelectuais árabe-muçulmanos por "solidariedade religiosa". Contudo, isso não explica as amnésias seletivas que afetam a mesma proporção de estudiosos e intelectuais ocidentais.
© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: Il genocidio nascosto: la tratta arabo-islamica degli schiavi.



