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Uma vítima da fome em  Kharkiv, Ucrânia, em 1933.
Uma vítima da fome em Kharkiv, Ucrânia, em 1933.| Foto: Coleção do cardeal Theodor Innitzer (Arquivo da Diocese de Viena).

À medida que o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos se aproxima, somos lembrados de agradecermos pelas coisas que mais estimamos em nossas vidas. Para mim, o quarto sábado de novembro é dedicado à memória de milhões de seres humanos que morreram de fome num genocídio: Holodomor, que significa “morte por fome”. Entre 1932 e 1933, aproximadamente sete milhões de famílias de camponeses foram exterminadas por uma fome deliberada e planejada na Ucrânia, e outras três milhões morreram fora do país, totalizando dez milhões de mortes desnecessárias de trabalhadores inocentes. Não houve seca, guerra ou motivo para que essas guerras ocorressem, sobretudo num dos países mais férteis da Terra Negra Central.

O Museu do Holodomor

Ano passado, quando fiz uma viagem para visitar minhas raízes e minha cidade de nascimento, Vinnytsia, na Ucrânia, o lugar que visitei e que mais me afetou do que qualquer outro foi o Museu do Holodomor em Kiev, aberto em 2008. É até difícil imaginar que, há apenas 87 anos, o tirano soviético Joseph Stalin tirou todos os cereais dos ucranianos e confiscou todas as suas posses como parte de seu plano socialista de coletivização. Isso tudo foi parte do Plano Quinquenal de Stalin e do regime comunista de industrializar e coletivizar a agricultura destruindo a classe dos kulaks [a elite agrária]. A polícia estatal e as brigadas do partido foram enviadas ao interior da Ucrânia para confiscar toda a comida que encontravam, tendo como alvo as fazendas produtoras de grãos.

Apesar de as autoridades soviéticas terem confiscado toda a comida, os camponeses ainda conseguiram de alguma forma sobreviver escondendo comida suficiente apenas para continuarem vivos. Assim, Stalin implementou outras leis proibindo pessoas de entrarem em trens e deixarem as cidades, ao mesmo tempo proibindo qualquer ajuda externa.

Os ucranianos resistiram ao máximo em ceder as fazendas para o projeto governamental de coletivização da agricultura, mas por fim dez milhões de pessoas morreram de forma agonizante em apenas um ano, de 1932 a 1933. Para sobreviver, era preciso roubar, se prostituir, comer animais mortos e cadáveres humanos, e até matar. As autoridades tinham permissão de dar às pessoas 200 gramas de pão para cada corpo que elas recolhiam. Se você tem filhos, é capaz de imaginar o que um pai faria para garantir alimento para seus filhos.

Fome e crueldade

Infelizmente, 31% dos que morreram de fome eram crianças com menos de dez anos. Todos que eram pegos tentando fugir acabavam assassinados. As crianças tinham tanta fome que perdiam o medo e eram assassinadas ao pedirem por um grão de comida. Os pais trocaram crianças quando tiveram de recorrer ao canibalismo para sobreviver. A maioria dos habitantes das cidades não sabiam que isso estava acontecendo e os que sabiam ficavam em silêncio, com medo de serem executados.

Em 1933, o silêncio foi finalmente rompido por um jovem corajoso chamado Gareth Jones, do Reino Unido, que expôs a tirania e a fome e que estava desesperado para revelar a verdade. Ele foi um herói no melhor sentido do termo e acreditava que seu trabalho como jornalista era jamais hesitar em expor a verdade a qualquer custo. Ele foi muito criticado por Walter Duranty, jornalista do New York Times (e simpatizante dos soviéticos) que deliberadamente enganou o mundo e que negava a fome a fim de colaborar com o regime comunista. Ele dizia que a fome se deu por circunstâncias naturais de má nutrição e doenças, e não pela ação humana.

Lawrence Reed escreveu: “Duranty escreveu um artigo para o Times no qual dizia que a reportagem de Jones era falsa”. Ainda hoje o perigo das fake news e do poder da mídia de esconder histórias por motivos pessoais ou políticos é real. Infelizmente, Jones foi considerado um mentiroso e acabou em descrédito junto à imprensa. Depois ele foi tragicamente morto com dois tiros nas costas e um na cabeça na China, em 1935 (há indícios de que tudo foi planejado pela Polícia Secreta Russa). Ele tinha apenas 29 anos.

Por mais de 50 anos, o Holodomor foi apagado da história por meio de mentiras e negações, e ficou praticamente esquecido. Por fim, em 2006 os Estados Unidos reconheceram oficialmente o trágico evento histórico como um genocídio, no que foi acompanhado pelo Canadá em 2008. Também em 2008, Gareth Jones recebeu a Ordem do Mérito da Ucrânia. O dia 23 de novembro é quando o mundo se lembra das atrocidades praticamente pelas terríveis políticas socialistas e comunistas de Stalin e da União Soviética. Não há nada mais importante do que os direitos humanos e a continuidade da luta por liberdade para todos os seres humanos.

Para saber mais sobre o assunto, assista ao documentário Hitler, Stalin, and Mr. Jones [Hitler, Stalin e o sr. Jones]. Para mais fontes, visite o site do Dia Internacional de Memória do Holodomor ou assista ao filme Big Lies [Grandes mentiras]. Você também pode visitar o site das Vitimas do Comunismo e acessar materiais educativos pelo site https://education.holodomor.ca/.

Marianna Davidovich Brashear é diretora de comunicação da Foundation for Economic Education.

© 2019 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês
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