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Estátuas de Karl Marx e Friedrich Engels, os intelectuais do movimento comunista, localizadas no Parque Innenstadt, em Berlim
Estátuas de Karl Marx e Friedrich Engels, os intelectuais do movimento comunista, localizadas no Parque Innenstadt, em Berlim| Foto: BigStock

Existe uma série de bons motivos para que os ensinamentos de Karl Marx sejam deixados de lado.

O principal deles é a forma como a ideologia tóxica do comunismo de Marx gerou sofrimento e morte em larga escala, e como ela esteve no centro de algumas das ditaduras mais brutais e desumanas dos séculos XX e XXI.

Infelizmente, algumas pessoas ainda tentam vender o comunismo como correto em seus princípios, mesmo em casos onde houve problemas na sua implementação.

Logo após a morte de George Floyd em Mineápolis e o surgimento de protestos e tumultos em todo o país, o movimento “Vidas Negras Importam” cresceu rapidamente vinculado ao argumento “vidas negras importam”.

Patrisse Khan-Cullors, uma das fundadoras do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), nunca teve problemas em se autodefinir como “marxista”, junto com pelo menos uma das outras duas fundadoras, Alicia Garza (Opal Tometi é a terceira fundadora).

“A primeira coisa, eu acho, é que nós realmente temos um enquadramento ideológico”, disse Khan-Sullors em uma entrevista em 2015 para a Real News Network. “Eu e a Alicia, em particular, somos organizadoras treinadas. Somos marxistas treinadas.”

Além disso, não há dúvidas de que a Black Lives Matter Global Network Foundation tem uma agenda radical e marxista. Sugestões extremistas, como o rompimento da família tradicional nuclear, estão em sua plataforma oficial desde 2015.

É interessante ver como esse movimento abraça os ideais de Karl Marx justamente no momento em que muitos estão sendo chamados para “acertar as contas” com antigos heróis do passado.

Estamos vendo uma explosão de casos onde antigos símbolos dos Estados Unidos estão sendo removidos em nome do “antirracismo.”

Gerações anteriores e figuras históricas estão sendo submetidas de forma cruel a um julgamento injusto, do qual quase todos são vítimas.

E se George Washington, Thomas Jefferson e Theodore Roosevelt têm que cair, por que não derrubar também os pais do comunismo, Karl Marx e Friederich Engels?

Marx e Engels talvez sejam mais conhecidos por suas ideias a respeito da luta de classes e revoluções, mas eles também se envolveram em teorias sobre as raças e hierarquia racial – bastante populares naquela época.

Mais do que isso: em trocas de cartas particulares ambos mostraram um grau ainda maior de hostilidade às pessoas de pele negra – as cartas eram repletas de ofensas raciais.

Em um desses escritos, de 1887, Engels escreveu que os negros estavam muito mais próximos “do reino animal” do que o resto das pessoas, em uma referência a seu enteado mestiço.

Em outra carta para Engels, Marx escreveu sobre Ferdinand Lassalle:

“Para mim é perfeitamente claro que ele [Ferdinand Lassalle], conforme já provado pelo formato de seu crânio e pelo seu cabelo, é descendente dos negros que acompanharam Moisés no êxodo do Egito – presumindo que a mãe ou a avó dele por parte de pai não tenha cruzado com um negro. Agora, essa união entre o Judaísmo e o Germanismo, com uma base estrutural negra, deve produzir um resultado bastante peculiar.”

Marx também disse coisas horríveis sobre muitas outras raças, e apesar de ser etnicamente um judeu, ele comparou a “religião mundana” dos judeus à atividade de mascates vendedores de bugigangas.

Erick van Ree, um professor do Instituto de Estudos do Leste Europeu da Universidade de Amsterdam, escreveu um artigo sobre o racismo de Marx e Engels em um artigo para o Journal of Political Ideologies. Ele explicou como as classificações raciais e as explicações sobre o desenvolvimento econômico estavam presentes no marxismo já em seu início.

“No entendimento de Marx e Engels, as disparidades raciais emergem sob a influência de condições sociais e naturais de forma compartilhada, e se solidificam na forma de hereditariedade e mistura de sangues. Eles estratificaram etnias, nações, classes sociais e pessoas em raças, e ao mesmo tempo dotaram essas raças de características inatas, superiores e inferiores. Eles consideravam as raças como parte da condição humana natural, sobre a qual pousava o sistema de produção. As ‘raças’ dotadas de características superiores ajudariam a aumentar a produtividade e o desenvolvimento econômico, enquanto as menos dotadas poderiam puxar toda a humanidade para trás.”

Importante: van Ree concluiu que as afirmações de Marx e Engels foram além de simplesmente “repetir de forma impensada os estereótipos e preconceitos daqueles dias.”

“Embora de fato não possam ser encontradas em seus escritos definições formais sobre teorias raciais, seus diversos comentários somados formam uma posição bastante coerente sobre essas questões”, escreveu van Ree.

Pelos padrões das modernas ideologias “antirracistas”, Marx, Engels e todo o seu trabalho deveriam ser cancelados, não celebrados.

Marks e Engels, sem sobra de dúvidas, tinham visões racistas. Mas é importante aqui não ficarmos restritos apenas às ideias e preconceitos dos tempos vividos por eles e por outras figuras históricas, mas acima de tudo julgarmos os resultados finais de seus pensamentos e suas ações.

O ex-escravo e abolicionista americano Frederick Douglass disse em seu famoso discurso “O que significa o 4 de julho para os escravos?”, de 5 de julho de 1852, que “a Declaração de Independência soltou a corrente que prendia o destino da nossa nação.”

Embora o autor da Declaração da Independência fosse dono de escravos, Douglass compreendeu que a filosofia de Thomas Jefferson e a “capacidade das instituições americanas” – o sistema constitucional construído pelos pais fundadores da nação – levariam ao fim da escravidão.

Douglass estava certo.

E o marxismo, o que trouxe de resultados?

As palavras e a filosofia de Jefferson e dos outros pais fundadores da América tornaram livres homens e mulheres que antes eram escravos. A ideologia comunista de Marx e Engels tornou escravos homens e mulheres que antes eram livres, e catapultou grande parte do mundo para a miséria, tirania e escuridão.

Se alguém busca por liberdade e justiça – assim como por igualdade racial – para todos, esse alguém estará muito mais bem servido se olhar para Jefferson, Douglass e Abraham Lincoln, em vez de se deixar levar pelas doutrinas fracassadas de Marx e Engels.

© 2020 Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês
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