
Ouça este conteúdo
Em 4 de julho, os EUA celebraram 250 anos de independência. O modelo republicano americano, centrado na figura do presidente, inspirou o Brasil desde 1889, mas as dificuldades em aplicar os princípios de auto-restrição e equilíbrio de poderes ainda desafiam a política brasileira hoje.
Como surgiu a figura do presidente da República na história?
A função de presidente foi inventada durante a Convenção de Filadélfia, em 1787, nos Estados Unidos. A ideia era criar um líder forte o suficiente para manter a ordem, mas que não se tornasse um tirano como os reis da época. Os fundadores da nação americana desenharam o cargo do zero, focando em freios e contrapesos para evitar a concentração excessiva de poder em um único homem.
Qual foi o papel de George Washington na consolidação desse cargo?
Washington moldou a presidência mais por suas ações do que por teorias. Ele escolheu não agir como um monarca: recusou títulos pomposos, respeitou o Legislativo e, o mais importante, abriu mão do poder voluntariamente após dois mandatos. Esse gesto de auto-restrição virou uma tradição respeitada por todos os seus sucessores até virar lei oficial em 1951, servindo de base para o que chamamos de experimento democrático americano.
O que significa dizer que a democracia é um experimento contínuo?
Significa que ela não é garantida por leis escritas, mas pelo comportamento dos líderes e das instituições. O sucesso desse sistema depende de os governantes aceitarem limites e do Congresso manter sua relevância. Se o Poder Executivo avança sobre as regras e o Legislativo perde força, os cidadãos deixam de se sentir representados, o que pode levar à polarização extrema e até ao colapso das instituições democráticas.
Por que a cópia desse modelo pelo Brasil é considerada problemática?
O Brasil adotou o modelo americano na proclamação da República, em 1889, mas a nossa prática política seguiu um caminho diferente. Enquanto os EUA nasceram de estados que se uniram, o Brasil sempre teve um Estado centralizado. Historicamente, presidentes brasileiros com frequência buscaram ampliar seus próprios poderes (hipertrofia), muitas vezes alterando as regras do jogo para benefício próprio, em vez de praticar a auto-restrição.
Qual é a lição para as próximas eleições brasileiras?
A maior lição deixada por George Washington é que o caráter de quem elegemos importa tanto quanto as propostas. Para equilibrar um presidente, é fundamental ter um Poder Legislativo consciente e atento. Por isso, a escolha de deputados e senadores é, muitas vezes, mais determinante para a saúde da democracia do que a própria escolha do chefe do Executivo, já que cabe a eles fiscalizar e limitar os excessos de poder.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.




