
Ouça este conteúdo
Políticos de destaque nacional correm para mudar o domicílio eleitoral até 4 de abril. A estratégia visa garantir cargos em estados onde possuem maior vantagem eleitoral, especialmente diante da renovação de dois terços do Senado, gerando debates sobre o impacto no pacto federativo.
O que motiva um político a mudar seu domicílio para outro estado?
A principal razão é a busca por um terreno mais seguro. Em vez de disputar vagas em regiões com muita concorrência, candidatos nacionais migram para estados onde os partidos identificam um vácuo de liderança ou onde a força de um grupo político específico é maior. É uma manobra para aumentar as chances de vitória, muitas vezes decidida pelas cúpulas partidárias de Brasília, sem levar em conta as raízes locais do candidato.
Quais são os principais nomes envolvidos nessas mudanças recentes?
À direita, nomes como Carlos Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Helio Lopes articulam candidaturas por estados como Santa Catarina, Distrito Federal e Roraima. Já ao centro e à esquerda, o foco é o colégio eleitoral de São Paulo, atraindo figuras como as ministras Simone Tebet e Marina Silva. No passado, tática similar foi usada por Tarcísio de Freitas, que trocou Brasília por São Paulo e se elegeu governador.
Essa prática prejudica a democracia e a representação local?
Especialistas alertam que sim. O chamado 'paraquedismo eleitoral' pode enfraquecer o pacto federativo. Isso acontece porque um senador ou deputado que não tem laços reais com o estado pode acabar atuando mais em defesa de pautas ideológicas nacionais do que resolvendo problemas concretos daquela região, como infraestrutura e incentivos econômicos. A representação deixa de ser orgânica e passa a ser considerada artificial.
Qual é a regra legal para que um candidato mude seu domicílio?
A lei exige que o candidato tenha domicílio eleitoral na região onde pretende concorrer pelo menos seis meses antes da votação. Para as eleições de outubro, o prazo termina em 4 de abril de 2026. Além disso, é necessário comprovar vínculos com o local, que podem ser políticos, econômicos, sociais ou familiares. Em geral, também é preciso morar no novo município por pelo menos três meses antes da transferência.
Por que o caso do casal Moro é citado como exemplo dessas regras?
O caso ilustra como a Justiça Eleitoral analisa os laços do candidato. Em 2022, Sergio Moro teve sua transferência para São Paulo negada pelo tribunal por falta de provas de residência ou vínculo afetivo suficiente na época. Já sua esposa, Rosangela Moro, conseguiu o registro com base em vínculos profissionais e filantrópicos no estado. Isso mostra que possuir um contrato de trabalho ou atuação social pode ser tão importante quanto morar no local.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









