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Uma nova pesquisa revela que os homens têm cada vez menos amigos. O que está por trás desse fenômeno?
Uma nova pesquisa revela que os homens têm cada vez menos amigos. O que está por trás desse fenômeno?| Foto: Bigstock

Depois de um período prolongado de isolamento social, os norte-americanos estão tirando as agendas da gaveta. Mas enquanto eles tentam se reconstruir e se reconectar, uma pesquisa realizada pelo Survey Center on American Life descobre que o cenário social é muito menos favorável do que foi um dia. Ao longo das últimas três décadas, a quantidade de amigos que o norte-americano médio tem diminuiu drasticamente.

Essa escassez de amizades é ruim sobretudo para os homens. A porcentagem de homens com ao menos seis amigos próximos caiu pela metade desde 1990, de 55% para 27%. O estudo também descobriu que a porcentagem de homens sem amigos próximos quintuplicou, de 3% para 15%.

Os homens solteiros são os que estão na pior situação. Um em cada cinco norte-americanos solteiros e que não estão numa relação romântica diz não ter nenhum amigo próximo.

Até mesmo os homens com um punhado de amigos próximos estão enfrentando problemas. Quando se trata de nossos círculos sociais, o tamanho é importante. Os norte-americanos com apenas um amigo não são menos solitários ou isolados do que aqueles que não têm nenhum amigo. E aqueles com dois amigos íntimos estão só um pouquinho melhor. Para os que têm três ou menos amigos próximos, a solidão e o isolamento são experiências bastante comuns. Mais da metade dizem que se sentiram assim ao menos uma vez nos últimos sete dias.

As más notícias não acabam aqui. Não só os homens têm círculos de amizades mais restritos como se dizem menos conectados com os amigos de que dispõem. Tanto homens quanto mulheres se beneficiam dos laços emocionais com seus amigos, mas as mulheres são mais bem-sucedidas quando se trata de estabelecer esse tipo de relação.

O estudo descobriu ainda eu as mulheres têm taxas mais altas de envolvimento emocional e de apoio dos amigos. Esse tipo de intimidade é importante. Os norte-americanos que contam cm o apoio emocional constante dos amigos têm menos chance de se dizerem ansiosos ou solitários, e isso independe da quantidade de amigos que eles têm.

Uma explicação comum para o fato de os homens serem menos capazes de desenvolverem a manterem relações de amizade é a de que as normas da masculinidade dificultam o surgimento e manutenção de amizades saudáveis. Em comparação com as mulheres, os homens se sentem menos à vontade compartilhando seus sentimentos, expondo sua vulnerabilidade e buscando apoio emocional dos amigos.

Ainda que possa haver algo de verdade nisso, a situação é mais complicada. Os jovens, que tendem muito mais a rejeitar as ideias tradicionais quanto à masculinidade, têm mais dificuldade para criar laços sociais duradouros.

Uma explicação mais óbvia talvez seja o fato de que as mulheres estão mais dispostas a se esforçarem pela amizade. A pesquisa mostra que “mulheres tendem a investir mais na manutenção de suas amizades” do que os homens. Numa entrevista recente, o psicólogo e escritor Robert Garfield sugeriu que os homens “acumulassem amigos”, estabelecendo contato constante com eles. “Muitos caras dizem que encontram ou falam com os amigos a cada dois ou três anos e que é como se eles tivessem se falado ontem mesmo”. Pode ser verdade. Mas nesse meio-tempo os homens negam a si mesmos os benefícios de um contato mais constante com os amigos.

Há fatores estruturais na equação também. Numa pesquisa realizada em 2019 com meu colega Ryan Streeter, descobrimos que as maiores taxas de solidão entre os millennials tinham a ver com o menor envolvimento religioso, as taxas menores de casamento e a maior mobilidade geográfica. Se levarmos em conta esses fatores, os millennials não são mais solitários do que os boomers. Se, em média, os homens se casam mais tarde do que as mulheres e se conectam menos às suas comunidades religiosas, isso pode aumentar a lacuna de amizades.

Uma última explicação pode estar nas mudanças no ambiente de trabalho. É no trabalho que a maioria dos norte-americanos faz amigos. Muitos homens e mulheres dizem ter criados laços de amizade no trabalho. Mas, como os norte-americanos trabalham mais, trocam de emprego com mais frequência e evitam cada vez mais o escritório, isso dificulta o surgimento de amizades.

Apesar do cenário sombrio, há uma solução simples. Uma das coisas mais importantes para uma amizade é o tempo. Na adolescência, os norte-americanos priorizam a amizade de uma forma que não se repete ao longo da vida. Aos 18 anos, passamos mais de duas horas por dia, em média, com nossos amigos. Esse número cai vertiginosamente na década seguinte. Quando alcançam a meia idade, o norte-americano médio passa apenas 30 minutos por dia com os amigos.

Isso é muito pouco. Deveríamos dedicar mais tempo alimentando amizades no trabalho, no bairro e até mesmo na Internet. Poucos investimentos são tão recompensadores e isentos de riscos.

Daniel Cox é fundador e diretor do Survey Center on American Life, além de pesquisador no American Enterprise Institute.

©2021 National Review. Publicado com permissão. Original em inglês
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