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O personagem Destro: mundo dominado por uma ditadura marxista
O personagem Destro: mundo dominado por uma ditadura marxista| Foto: Divulgação

São Paulo, 2045. Uma ditadura comunista se espalhou pelo planeta, e a metrópole brasileira está destruída. Não há mais cachorros — foram todos devorados por moradores famintos, incluindo grandes quantidades de argentinos que fugiram do governo peronista, ainda mais cruel do que o do Brasil. Drones fiscalizam as pessoas, que foram forçadas a se cadastrar num sistema global de biometria. Nesse cenário, um ex-militar transita pelas sombras, não identificado pela ditadura digital marxista. Seu nome é João Destro.

Esse é o ponto de partida da HQ Destro, roteirizada por Luciano Cunha e desenhada por Michel Gomes. Cunha ficou famoso com a HQ Doutrinador, desenhada a partir de 2008, lançada em 2013 e que relata a história de um agente da polícia federal que, nas horas vagas, caça e mata corruptos. Em 2018, essa história foi transformada em filme de longa-metragem e em uma série para o canal Space — é a produção nacional em episódios mais assistida da história do canal.

O Doutrinador aparece na história do colega, Destro, que vive num futuro distópico. Esse segundo projeto foi concluído graças a uma campanha de financiamento coletivo, concluída em dezembro de 2019. A meta era coletar dez mil reais, mas 587 pessoas reuniram R$ 48.606. Cunha lembra que esse apoio foi muito importante, porque aconteceu em um momento em que ele vinha sendo “cancelado” por assumir seu pensamento conservador. “Eu precisava reafirmar meus valores e princípios e a ideia do personagem já rondava a minha cabeça. Foi juntar a fome com a vontade de comer”.

  • O personagem Doutrinador
  • Luciano Cunha, criador de Destro e Doutrinador

Sucesso no exterior

No mercado americano, Destro, que em inglês se chama The Hammer of Freedom (“O Martelo da Liberdade”), vem alcançando ótimos resultados. Como resultado desse reconhecimento, em janeiro, Luciano Cunha firmou uma parceria com a editora americana Arkhaven Comics.

“É uma via de mão dupla: nós estamos publicando o material deles aqui (já lançamos duas edições da série Alt Hero e temos mais 4 lançamentos no forno) e eles estão publicando nossas HQs lá”, explica. “É uma parceria totalmente grandiosa e inédita que, se não fosse pelo fato de sermos conservadores, estaria em todos os cadernos de cultura e portais geeks do Brasil”.

Luciano Cunha tem 48 anos, nasceu em Duque de Caxias (RJ), é designer gráfico, trabalhou em agências de publicidade e hoje vive das HQs. Suas principais influências nos quadrinhos são Stan Lee, Jack Kirby e John Buscema. Recentemente, ele retomou o Doutrinador com uma nova aventura, chamada Vírus Vermelho. Seu herói mais conhecido agora lida com uma trama global de corrupção. “A surreal geopolítica mundial desencadeada pela pandemia foi um prato cheio para que criar essa história”, diz ele.

A parceria com a Arkhaven incentiva o autor a projetar uma série de outros projetos. Eles agora são gestados dentro de uma editora cocriada por ele há um ano, a Super Prumo. “O objetivo é produzir conteúdo pop, mas com pegada conservadora. Ou, como costumamos dizer, heróis como antigamente, com as tramas focadas em ação e honra, e não em militância identitária”.

É assim, de fato, que a editora se apresenta em seu site: “A editora Super Prumo, uma nova empresa que está nascendo com a ajuda de bravos amigos — mais bravos do que nunca — vai trazer de volta o estímulo para um determinado modo de ser e de uma visão de mundo: o heroísmo, o espírito de sacrifício, a generosidade, a justiça, a grandeza e a alegria”.

Passado de esquerda

Luciano Cunha já foi de esquerda, “bem de esquerda, daqueles de usar camiseta do Che Guevara”. Mas hoje é conservador. “Felizmente, amadureci e conheci outros autores, como Raymond Aron e Roger Scruton. Uma vez iluminado, você não quer voltar pra escuridão”.

Desde a época do surgimento do Destro, diz ele, “tenho sido perseguido, caluniado e cancelado na cena de quadrinhos brasileira. Mas, como nunca abaixei a cabeça e me mantive firme em meus propósitos, acabei criando a minha própria cena dentro da cena”. Esse público cativo mantém a editora em pé, diz ele. “E essa ‘sobrevivência’ ao cancelamento irrita sobremaneira os militantes do setor”.

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