Com suas mansões, jatinhos e iates, as elites usam as causas progressistas para garantir seus privilégios e aumentar seu poder.
Com suas mansões, jatinhos e iates, as elites usam as causas progressistas para garantir seus privilégios e aumentar seu poder.| Foto: Pixabay

Ed Bastian ganhou U$17 milhões em 2019 como executivo da Delta Air Lines, a empresa que mais emprega na Georgia. Bastian acaba de atacar a nova lei eleitoral do estado. A Delta exige que seus passageiros se identifiquem para embarcar, mas ele acha que é racismo exigir identificação para votar.

Mas a maioria dos norte-americanos acredita que o ato de votar é mais sagrado do que o ato de voar pela Delta e, mais do que isso, muitos notaram que a Delta tem parcerias com a racista China. Além disso, uma pesquisa recente da Associated Press mostrou que 72% dos norte-americanos defendem a apresentação de uma identificação na hora do voto.

Os CEOs mais privilegiados da iniciativa privada norte-americana — que nos vende desde refrigerantes a tênis, passando por esportes profissionais e redes sociais — hoje criticam os Estados Unidos por seu racismo, sexismo e outro pecados semelhantes.

As regras da censura cínica dos CEOs são transparentes.

Primeiro, a empresa só se manifesta quando se sente segura de que tem mais a perder — por meio de boicotes, protestos ou publicidade negativa — do que a ganhar se ficar em silêncio.

Depois, questões de classe nunca são mencionadas. Bastian recebeu cerca de US$65 mil por dia útil em 2019. Num mundo são, seria ridículo ele se posicionar como voz dos oprimidos.

Em terceiro lugar, os CEOs nunca temem ofender a maioria silenciosa de conservadores. Eles presumem que os conservadores jamais participarão de protestos ou boicotes.

A revolução progressista não é um movimento de base. Ela é impulsionada por uma elite cheia de culpa e bem relacionada. Mas a religião do progressismo pressupõe que esses seus altos sacerdotes merecem o benefício da dúvida. Sua riqueza, credenciais, contatos e poder garantem que eles não sofram as consequências por seus sermões.

Estrelas multimilionárias da NBA atacam o “racismo sistêmico” dos Estados Unidos. Eles não falam um “a” dos campos de reeducação chineses, da destruição da cultura tibetana ou dos ataques à democracia de Hong Kong.

Os salários dos jogadores dependem da subserviência ao enorme mercado chinês. As palavras dos jogares apelam à jovem clientela norte-americana. Para defender o estilo de vida das estrelas ricas e famosas do basquete aparentemente é preciso pagar pedágio e criticar a injustiça da América.

Analise qualquer núcleo progressista e perceba claramente a divisão crescente.

Nas universidades? Os administradores e os reitores com estabilidade de emprego, que recebem salários de sete dígitos, têm mais chance de acusarem o “racismo” em suas instituições do que os professores sem estabilidade e com salários baixos.

É mais fácil para um reitor reclamar de seu próprio “privilégio imerecido” do que apoiar os direitos dos professores explorados. Dificilmente eles pedirão demissão de seus cargos para cedê-los aos menos privilegiados.

A imprensa? A elite da imprensa é formada por leitores de notícias, não pelos repórteres da labuta diária.

O exército? Os oficiais, aposentados ou não, que falam das maldades de Donald Trump ou prometem expulsar os “insurgentes” entre seu contingente são generais e almirantes – e alguns são multimilionários.

Não ouvimos falar de soldados, sargentos e majores pedindo subsídios para cirurgias de mudança de sexo ou assinando petições para cercar a tranquila Washington com arame farpado e tropas da Guarda Nacional.

Os norte-americanos mais ricos — que encabeçam nossas maiores empresas — tendem mais a expressar seu descontentamento com a classe média e os pobres não-progressistas. Assim como os políticos multimilionários — Al Gore, Dianne Feinstein, John Kerry e Nancy Pelosi.

Celebridades bilionárias como Jay-Z, George Lucas, Paul McCartney e Oprah Winfrey costuma falar da opressão do sistema supostamente corrompido do qual fazem parte, mas raramente falam do sofrimento dos que recebem pouco em suas indústrias.

O progressismo é medieval. O pecado é confessado e expiado — e perdoado — por meio de confissões públicas.

As elites hipócritas falam em pegadas de carbono, na desnecessidade de segurança nas fronteiras, em acabar com a polícia e em controle de armas. Mas elas raramente abdicam de seus aviões particulares, suas casas, suas propriedades muradas, sua segurança privada armada. Aparentemente, quando mais você reclama dos “privilégios” dos outros, menos precisa falar de seus próprios privilégios.

O progressismo é uma apólice de seguros. Quanto maior a condenação da cultura norte-americana, mais provável é que sua carreira decole.

O progressismo é classista e elitista. Os que herdaram fortunas, estudaram em universidades de elite, viraram CEOs ou generais, moram no CEP certo ou conhecem as pessoas certas acreditam-se merecedores do direito de decidir o que é moral para os inferiores.

Assim, alguns criaram todo um vocabulário — “deploráveis”, “incorrigíveis”, “parasitas” e “Neanderthals” — para se referir aos camponeses e perdedores que devem seguir suas ordens.

O progressismo não tem a ver com a busca por justiça para as minorias, os oprimidos e os pobres do passado e do presente. Ele é um culto autoconfessional de ungidos e hipócritas de todas as raças e gêneros, que buscam aumentar seu próprio privilégio e poder.

Victor Davis Hanson é classicista e historiador no Hoover Institution da Universidade de Stanford.

© 2021 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês
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