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Turismo judiciário

Roteiro exclusivo: um dia no resort favorito de Toffoli

O ministro Dias Toffoli encontra seu refúgio perfeito no paradisíaco complexo do Tayayá, no Norte Pioneiro do Paraná
O ministro Dias Toffoli encontra seu refúgio perfeito no paradisíaco complexo do Tayayá, no Norte Pioneiro do Paraná (Foto: Divulgação/Tayayá Aqua Resort)

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Não foi uma semana fácil para o ministro José Antonio Dias Toffoli. Como se não bastasse todo o desgaste acumulado por sua atuação no STF, veio à tona uma revelação curiosa: nos últimos três anos, ele passou quase 170 dias no luxuoso Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro (PR). 

Na prática, foi como se Toffoli tivesse ficado cerca de um em cada sete dias hospedado no retiro de alto padrão. E, para garantir a tranquilidade dessas estadias, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo ainda pagou o “soldo” dos agentes da segurança do magistrado — uma despesa na casa dos R$ 550 mil.

A frequência do ministro é tão natural no dia a dia do complexo que muitos funcionários se referem a ele como “o proprietário”. A confusão, vamos dizer assim, acontece porque dois irmãos do magistrado, também batizados com o nome de José, foram sócios do resort durante anos. 

José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli venderam sua última cota de participação em fevereiro do ano passado, para o advogado Paulo Humberto Barbosa — conhecido por seu trabalho na JBS, empresa de Joesley e Wesley Batista. Estima-se que a transação ficou em torno de R$ 3,5 milhões. 

Outra curiosidade: os dois Josés, mesmo após embolsarem a bolada, mantêm um padrão de vida modesto em Marília, no interior de São Paulo. José Eugênio trabalha como engenheiro eletricista, enquanto José Carlos é padre. 

Mapa afetivo 

O empreendimento pode ter mudado de mãos, porém continua sendo o refúgio preferido do ministro. Por isso, a reportagem da Gazeta do Povo produziu um guia exclusivo para quem deseja refazer os passos de Toffoli. 

O roteiro, no entanto, não se limita ao paraíso situado às margens da represa de Chavantes — região que ganhou o apelido de “Angra Doce” por combinar o sossego do interior paranaense com o glamour do litoral fluminense. 

A jornada também inclui um breve passeio pela Ribeirão Claro dos Dias Toffoli, para completar a experiência na terra que hoje é conhecida como um ponto fixo do mapa afetivo e logístico da família. 

Conheça os destaques desse destino que oferece fartura de natureza, histórias e simbologia. Não é à toa que a palavra “tayayá”, de origem tupi-guarani, significa “lugar de abundância”. 

Questão de estilo 

A chegada ao Tayayá Aqua Resort é democrática: há duas opções, dependendo do estilo do visitante. O cidadão comum vem pela PR-431, uma estrada pavimentada, porém sinuosa. 

O cenário muda se você for ministro do STF, banqueiro, político ou advogado de uma gigante global dos alimentos. Neste caso, é possível simplesmente pousar num heliponto a poucos metros das hospedagens. 

André Esteves, por exemplo, famoso sócio do BTG Pactual, foi filmado aproveitando essa facilidade em janeiro de 2023 — com direito a recepção pessoal do próprio ministro Dias Toffoli. 

Mas caso o turista possua um jato executivo, será preciso ter um pouco de paciência. O Aeródromo Manacá, uma pista privada de mil metros, ainda está em construção e deve ficar pronto em 2027. 

Longe dos tribunais 

check-in no Tayayá Aqua Resort é liberado a partir das 18h, pelo menos para os hóspedes dos apartamentos Aqua Luxo, a categoria mais acessível do complexo (preço da diária no verão para até quatro pessoas: R$ 1.740). 

Nem sempre é possível garantir uma vaga na Vila Ecoview — uma área exclusiva, no topo de um morro, onde cada cota custa R$ 750 mil e é dividida entre 13 proprietários. Para quem não é cotista, as diárias giram em torno de R$ 1.200 por pessoa. 

É ali que Toffoli encontra seu refúgio perfeito, longe dos tribunais. As casas têm três suítes, piscina particular, vista desimpedida para a represa e, talvez o mais importante, isolamento total. 

Segundo uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a área usada pelo ministro não tem licença ambiental de operação, apenas autorização para construção. Mas detalhes técnicos não devem atrapalhar a contemplação da natureza. 

Abastecimento

O jantar, incluso na diária, é servido no restaurante Gran Tayayá, que funciona em sistema de buffet neste período de alta temporada. 

Quem prefere um ambiente mais descontraído, e tem margem para um gasto extra, pode optar pela Praça da Lua. O centro gastronômico independente reúne pizzaria, hamburgueria e temakeria. 

Um hambúrguer básico com fritas custa R$ 45. Os refrigerantes não saem por menos de R$ 9. Cervejas, drinks e vinhos têm preços a partir de R$ 15, R$ 49 e R$ 120, respectivamente. 

Ainda sobre hidratação: as garrafinhas de água mineral custam R$ 6. Por isso, alguns visitantes mais experientes, principalmente com filhos pequenos, chegam ao hotel trazendo fardos inteiros na bagagem. 

Entretenimento adulto 

Devidamente alimentados, os hóspedes podem seguir para o cassino. Sim, o Tayayá possui um animado espaço noturno de jogatina para as almas mais aventureiras. 

A administração afirma que as máquinas instaladas no local são de “raspadinha eletrônica” regulamentadas pelo governo do Paraná. Mas, segundo uma reportagem do site Metrópoles, também é possível jogar cartas valendo dinheiro por lá. 

Quem não é chegado em apostas, ou não tem recursos para isso, vai se divertir apenas observando o movimento — e, se der sorte, talvez cruzar com algum artista, político ou figurão do mercado financeiro.

Em dezembro de 2025, Toffoli recebeu uma galeria de famosos em uma festa particular que inaugurou o centro de entretenimento adulto “tayayano”. A estrela maior do evento foi Ronaldo “Fenômeno”, agora jogador de pôquer.

Complexo do Tayayá: ponto fixo do mapa afetivo e logístico da família ToffoliComplexo do Tayayá: ponto fixo do mapa afetivo e logístico da família Toffoli (Foto: Divulgação/Tayayá Aqua Resort)

Café e jacaré 

O desjejum da manhã seguinte convida à reflexão. Entre tapiocas e ovos mexidos, é difícil não pensar em todos os personagens do noticiário que passaram pelo resort para se encontrar com Dias Toffoli. 

Mas atenção: a lista é longa e o café pode esfriar. Por isso, não perca tempo e explore logo a represa — onde, segundo funcionários do hotel, o ministro costuma passear num barco reservado só para ele.

Para os hóspedes, o complexo oferece caiaques e pranchas de stand-up paddle sem custo adicional. Já os passeios motorizados são pagos à parte, e podem ultrapassar R$ 1 mil, dependendo da duração. 

Outro alerta: não são raros os relatos de turistas que avistam jacarés nas águas da Chavantes. Na dúvida, opte pelas seis piscinas e os três “bares molhados” do complexo. 

Aqueles que se acomodam à beira do lago, com tempo livre para a contemplação, podem voltar a organizar mentalmente a teia de conexões entre Dias Toffoli e figuras de destaque na imprensa. 

Como Fabiano Zettel, pastor e cunhado de Daniel Vorcaro, ex-apresentador de programa de TV gospel e controlador do Banco Master. Em 2021, Zettel comprou parte da cota da família Toffoli no Tayayá por R$ 6,6 milhões.

Há quem diga que uma relação dessas deveria bastar para tirar o ministro da relatoria do caso Master no STF. Mas nem sempre as regras são rígidas como os horários de um buffet de hotel. 

Jeitão despojado 

check-out no Tayayá deve ser efetuado até às 15h (o chamado “horário estendido”, para que os visitantes aproveitem a piscina e o almoço antes de partir). Próxima parada: Ribeirão Claro. 

O “tour Toffoli” se resume a uma volta pelo centro da cidade do Norte Pioneiro do Paraná. Depois de passear pela praça principal e conhecer a Igreja Matriz, é hora de conhecer o destino final: o Fórum Eleitoral.  

Em 2018, o prédio recebeu o nome de Luiz Toffoli, pai do ministro — homenageado por sua “contribuição à Justiça Eleitoral”, embora não tenha exercido a magistratura ou ocupado qualquer cargo público.

O patriarca sequer nasceu em Ribeirão Claro. Natural de São Simão (SP), ele se estabeleu na vida adulta na já citada Marília.

A inauguração oficial do imóvel ocorreu no ano seguinte. O filho ilustre, que em 2017 já havia recebido o título de Cidadão Honorário do município, viajou em um avião da Força Aérea Brasileira para participar da solenidade (com uma comitiva de 20 pessoas). 

Encerrada a jornada, fica uma sugestão de expansão do roteiro. Que tal dar um pulo até Marília, terra natal do ministro e berço da Maridt Participações, a bem-sucedida empresa dos irmãos do magistrado? 

Segundo outra reportagem do Estadão, a companhia está registrada num endereço inusitado: uma casa simples, com pintura descascada, portão enferrujado e calçada quebrada — mais uma prova do jeitão despojado da família Toffoli.

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