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Nina Jankowicz, a “ministra da Verdade” do governo Biden demitida por pressão do público
Nina Jankowicz, a “ministra da Verdade” do governo Biden demitida por pressão do público| Foto: Reprodução/Twitter

Mês passado, o Departamento de Segurança Interna dos EUA exibiu a assaz temida, mas há muito esperada, convergência de duas forças perturbadoras: o autoritarismo panóptico de Orwell e o batalhão de nerds frustrados de Washington aficionados em musicais.

Depois de Nina Jankowicz ser indicada como czarina da desinformação (!) na chefia de uma nova agência do Departamento de Segurança Interna (!!), o mundo descobriu que ela concebia a questão como uma atração musical fofa de Mary Poppins (!!!). Notoriamente, George Carlin disse que “quando o fascismo chegar aos Estados Unidos, não será com camisas pardas nem negras. Não usará coturnos. Serão tênis da Nike e camisas com smiley. Smiley-smiley.” [Smiley é o nome daquela carinha amarela com um sorriso. Foi inventada em Nova Iorque na década de sessenta. (N. t.)]

Isto levou a uma ideia fantástica para uma capa de livro, mas a verdade se revelou ainda pior: ao nos sujeitarmos ao Quadro de Censura, Mas É Para O Seu Próprio Bem do governo federal, todos tivemos que ouvir a ex-professora de teatro infantil já trintona cantar suas canções de musical prediletas. Quando nerds totalitários sapateiam na Constituição sorrindo feito maníacos, quem que não se juntar à ovação deve esperar uma visita do IRS. [IRS, International Revenue Service, órgão federal encarregado de descobrir fraudes ao fisco. O equivalente aqui seria a visita de um fiscal da receita. (N. t.)]

A última vez em que uma melodia querida se tornara tão perturbadora quanto a “Supercalifragilisticexpialidocious” retrabalhada por Jankowicz foi quando Alex DeLarge cantou “Singin’ in the Rain” ao perpetrar sua ultraviolência. Em vídeo açucarado do Tik-tok, ela ameaçava com uma punição exemplar quem traficasse ideias não sancionadas (“é como se esconde uma mentirinha, é como se esconde uma mentirinha”).

A indicação de Jankowicz levantou a horrenda possibilidade de nos defrontarmos em breve com a visão de Janet Yellen [, a secretária do Tesouro,] interrompendo uma audiência parlamentar para cantar “Se eu fosse um homem rico, eu ganharia estatisticamente 42 centavos a mais a cada dólar”, ou a secretária de energia abrindo uma conferência de imprensa irrompendo assim: “Escale todas as montanhas e bote um moinho cheio de subsídios em cima.” (Tudo bem, devo admitir que seria divertido estrear uma conferência de imprensa com Ron Klain [, chefe de gabinete,] cantando “Velho Biden, aquele velho Biden, ele deve saber de algo, mas não dirá nada…”)

Chegou a hora de Jankowicz fazer uma interpretação sentida de “Send in the Clowns” [Mande os palhaços entrarem]. Segundo uma matéria da quarentona correspondente de TikTok, Taylor Lorenz, do Washington Post, o Quadro de Governança da Desinformação está sendo “pausado”, e Jankowicz pediu demissão hoje, porque “os grupos de trabalho dentro do Departamento de Segurança Interna focados em mal-, sub- e des-informação foram suspensos.” (Por que não dizer simplesmente “falsa informação”? Porque Lorenz provavelmente teme que esse rótulo se pareça muito com “fake news”, um nomezinho que virou uma piada nacional logo depois de os Democratas tentarem usar a existência de memes de Facebook dignos de cinquenta dólares para deslegitimar a eleição de Donald Trump.)

Os norte-americanos que pensam que o governo não deveria se meter a dar regras oficiais sobre o que é verdade – conhecidos agora como “extrema-direita”, creio eu – compararam o Quadro de Governança de Desinformação ao Ministério da Verdade de Orwell. Isto irrita Lorenz, que promete que o Quadro, totalmente inofensivo e impotente, era só um grupo conselheiro para ajudar as pessoas no propósito de falar livremente. Vocês sabem: assim como o Departamento de Trabalho existe para ajudar a todos os que quisessem criar um emprego. Lorenz jura, sem provas, que a agência não faria nenhuma coisa boba como determinar que algo é verdadeiro ou falso, nem “obrigar os provedores de internet, plataformas de redes sociais ou escolas públicas a tomarem providências contra certos tipos de discurso.”

Isso parece um pouco ingênuo, já que várias plataformas de redes sociais trabalharam em acordo com os interesses do Partido Democrata, envolvidas num esforço coordenado para suprimir a acurada reportagem do New York Post sobre o laptop de Hunter Biden. E a secretária de imprensa Jen Psaki disse a todos nós no ano passado que o governo de fato estava interessado em enquadrar as plataformas de redes sociais na sua concepção da verdade: “Estamos sinalizando postagens problemáticas do Facebook que espalham desinformação”, disse no último mês de julho, acrescentando que “é importante tomar providências mais rápidas contra postagens danosas” e “o Facebook precisa ser mais rápido na remoção de postagens violadoras e danosas.”

O escrutínio público foi o único problema com qual Jankowicz se deparou enquanto se preparava para secundar as palavras de Psaki numa agência federal. Lorenz escreve para um jornal cujo lema é “A democracia morre na escuridão”. Palavras escritas em 2017, quando o Washington Post aparentemente achava importante cobrar responsabilidade dos poderosos, sobretudo os do governo, e mais ainda os que detêm poderes pervasivos. Ainda assim, Lorenz reclama: “Poucas horas depois da notícia de sua indicação, Jankowicz foi atirada sob os holofotes.” Ela foi atirada ou pulou para os holofotes, com lantejoulas e pó de arroz, já que ela mesma anunciou orgulhosa a própria indicação? “Eis o meu retrato oficial, para capturar a sua atenção”, disse Jankowicz ao mundo pelo Twitter, em 27 de abril.

Suponho que a referência a ser “atirada” é feita para parecer que Jankowicz foi assediada ou violada. Mas os holofotes não deveriam se voltar para figuras públicas, sobretudo quando agências poderosas estão envolvidas? (O Departamento de Segurança Interna, que não existia em 2000, é agora o maior gabinete em número de funcionários, e tem um orçamento de 97 bilhões de dólares.) E quando uma agência dessa anuncia uma missão nova e sem precedentes que pode conflitar com os princípios americanos básicos?

Talvez os holofotes sejam ruins quando se voltam para os Democratas. Se for assim, tenho uma solução para o lema do Washington Post. Que tal “O Partido Democrata prospera na escuridão”?

©2022 National Review. Publicado com permissão. Original em inglês.

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