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“Tentaremos ampliar o raio de abrangência do programa Minha Casa, Minha Vida, que hoje está concentrado nas re­­giões metropolitanas." | Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
“Tentaremos ampliar o raio de abrangência do programa Minha Casa, Minha Vida, que hoje está concentrado nas re­­giões metropolitanas."| Foto: Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo

O Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) será presidido até 2012 pelo paranaense João Teodoro da Silva, reeleito em dezembro de 2009 para o terceiro triênio consecutivo. À frente da autarquia federal, que reúne 220 mil profissionais inscritos em todos os Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis (Creci) do país, o executivo busca fortalecer o mercado imobiliário e seu principal objetivo na nova gestão será a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida para imóveis usados e para cidades próximas aos eixos metropolitanos. Outra preocupação do Cofeci é com a formação e capacitação de novos corretores, uma exigência em tempos de mercado aquecido. Confira os principais trechos da entrevista concedida à Gazeta do Povo:

Qual será a principal atuação do Cofeci neste ano?

A nossa principal militância será no sentido de ampliar as possibilidades de financiamento com os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. A ideia é que seja possível financiar imóveis usados, na faixa estipulada pelo programa, com subsídios parecidos com os concedidos para os imóveis novos. A grande vantagem, no entanto, é a redução dos juros, que seriam bem mais baixos (a partir de 3% ao ano, para as famílias com renda de até três salários mínimos) do que os praticados nas modalidades normais de financiamento de usados.

Tentaremos ampliar o raio de abrangência do programa Minha Casa, Minha Vida, que hoje está concentrado nas re­­giões metropolitanas. A proposta é estender o benefício para as cidades distantes até 120 quilômetros das capitais.

Apresentamos essas propostas para os ministros Carlos Luppi (do Trabalho) e Márcio Fortes (das Cidades). As ideias foram bem recebidas. Vamos continuar trabalhando para que as mudanças ocorram ainda em 2010.

A nova lei do inquilinato entrou em vigor esta semana. Há contestações, especialmente de lojistas, quanto a maior proteção ao proprietário do imóvel. Como o Cofeci avalia as mudanças?

A lei, como estava anteriormente, acabava por favorecer o inquilino, que nem sempre é a parte mais frágil do contrato de locação.Um levantamento do Cofeci mostra que 70% dos imóveis alugados no Brasil pertencem a proprietários com um ou dois imóveis para locação, ou seja, não são grandes investidores. O que ocorria era uma demora inexplicável para despejar um inquilino que, além de não pagar o aluguel, deixava dívidas com condomínio e companhias de água e luz. A previsão é que cerca de três milhões de imóveis entrem no mercado até o fim de 2011, porque muitos preferiam deixar o patrimônio fechado a disponibilizá-lo para locação. Os inquilinos vão ganhar com preços mais baixos.

As entidades do setor da construção civil em Curitiba prometem lançar mais de 15 mil unidades residenciais ao longo deste ano. Este desempenho trará a necessidade de mais corretores. Como é o trabalho de formação e capacitação para a profissão?

Hoje há 220 mil corretores inscritos, mas estima-se que apenas 140 mil exerçam a função. O ideal seria chegar ao menos a um milhão de corretores capacitados. É uma profissão promissora, que atrai jovens e proporciona ganhos médios de R$ 3 mil por mês. Mais de 50% dos inscritos no Cofeci têm nível superior completo. São 5.500 formados em Gestão em Negócios Imo­biliários, um curso rápido, mas muito preciso e específico. Não há mais espaço para o corretor quebra-galho, sem formação.

Além da venda de imóveis, quais são as outras possibilidades para a profissão?

O judiciário aceita corretores como avaliadores de imóveis em casos de perícia e partilha. Até o fim desta gestão, pretendemos criar o cadastro nacional de corretores especialistas em financiamento imobiliário, tornando-os correspondentes bancários em suas cidades, especialmente no interior, para agilizar o processo de liberação de financiamento.

O aquecimento do mercado imobiliário é evidente e o aumento nos preços dos imóveis também. Qual o patamar que a valorização dos imóveis pode atingir?

Creio que estamos chegando no limite. Tenho contato com o mercado de todo o Brasil e, nos últimos três anos, o valor dos imóveis dobrou na maioria das regiões. Poucos profissionais conseguem dobrar de salário em tão pouco tempo. Os consumidores não terão mais poder aquisitivo para comprar, então o mercado tende a se acomodar. Noto uma conscientização por parte dos construtores neste sentido.

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