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Comportamento

Identificação define escolha de estrangeiro

Além de preço e conforto, quem vem de fora para Curitiba busca a semelhança com a casa da família na hora de escolher um imóvel

O professor francês Olivier Zamfiresco sofreu com a burocracia para locar | Henry Milleo/ Gazeta do Povo
O professor francês Olivier Zamfiresco sofreu com a burocracia para locar (Foto: Henry Milleo/ Gazeta do Povo)

Seja a trabalho ou a estudo, os estrangeiros que buscam uma nova residência em Curitiba procuram lugares que lembrem o país de origem, mas sem deixar de lado o custo e o conforto. Segundo o diretor da Apolar, Henrique Vianna, os imóveis procurados variam de acordo com o perfil da e o motivo da vinda ao Brasil. "Se a pessoa vem sozinha, a trabalho ou a estudo, ela busca um local pequeno, normalmente uma quitinete ou apartamento menor, com alguma mobília, e com custo mais baixo. Mas, se vem com a família, busca uma casa ou apartamentos maiores, próximo a escolas, supermercados e shoppings".

A gerente da Gonzaga, Raquel Vieira, relata que a cultura também influencia a escolha do imóvel. Recentemente ela buscou imóveis para um grupo de executivos japoneses e se surpreendeu com os detalhes pedidos. "Eles buscam imóveis que tenham as características da cultura deles. Por exemplo, sempre tem de ter a hidromassagem, porque lá eles usam muito o ofurô. O imóvel ocupado por um funcionário da empresa, depois que for liberado, não pode ser repassado a outro funcionário da mesma empresa, é exclusivo dele. Outro detalhe é o espaço que eles procuram. São apartamentos grandes, mesmo que só para uma pessoa. Eu estou atendendo três executivos e cada um quer um apartamento de três quartos, mobiliado e novo", exemplifica. Outra curiosidade é a proximidade dos imóveis com espaços de Curitiba que lembrem o Japão. "Todos querem um apartamento próximo da Praça do Japão e nós temos que encontrar", afirma.

Outra característica que a gerente percebeu foi o pedido por novidades e praticidade. Segundo Raquel, os japoneses não gostam de mobílias velhas e apartamentos antigos, querem arquiteturas e decoração novas. "Tudo novo, mesmo redecorado não serve".

A região da cidade também muda com relação ao perfil do estrangeiro. Se estiver sozinho, o estrangeiro busca locais mais centrais, próximos aos mercados, shoppings e ao local de trabalho ou estudo. Com a família, busca bairros residenciais. "O estrangeiro se ocupa de cuidar mais da família, ele quer bairro residencial, não importando se é perto ou longe do centro. Normalmente mostramos Santa Felicidade, Mercês, Batel, bairros com maior segurança e com casas em condomínio fechado, o que normalmente eles pedem. Isso independe da nacionalidade, se estão com a família, eles querem bairros residenciais e de bom padrão", conta Vianna.

Com relação ao preço, o diretor conta que apesar de ser um fator importante na hora da negociação, não é determinante e conta que o brasileiro é mais negociador que o estrangeiro. "Não tem preço fechado, normalmente eles vêm com uma ideia de preço, uma faixa, e dependendo do perfil, o valor se encaixa ou não. Eles analisam muito o custo-benefício."

O incômodo da "bur(r)ocracia" brasileira

Quando o professor francês Olivier Zamfiresco chegou ao Brasil há mais de um ano, ele não sabia o trabalho que teria para encontrar um lugar para morar. "Eu tive de comprar um imóvel porque não consegui alugar. Pediram muitos documentos que eu não tinha e não sabia como conseguir e, para piorar, no meu cadastro colocaram uma letra do meu nome errado", relata. Com este erro, Zamfiresco demorou quase dez meses para conseguir um espaço só dele. "No começo fiquei na casa de amigos, morei em uma república, depois fui para um pensionato, com banheiro coletivo e só depois consegui meu apartamento. É muita ‘burrocracia’."

De acordo com o diretor da Apolar, Henrique Vianna, dentre as exigências feitas aos estrangeiros, estão o comprovante de renda e um avalista ou fiador. "Se a pessoa não tiver ninguém conhecido por aqui, ele pode fazer o depósito em um título de capitalização no seu nome. Este título só é liberado com o aval da imobiliária depois que ele sair do imóvel e isso dispensa a figura do avalista, mas em muitos casos os estrangeiros possuem conhecidos que topam serem avalistas", explica.

A gerente da Gonzaga, Raquel Vieira, conta ainda que para comprar o título de capitalização, o estrangeiro deve ter algum documento nacional. "Pode ser o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE), CPF ou passaporte. Mas a comprovação de renda não é pedida, porque seria em moeda estrangeira e, por isso, é pedido o título, comprado em espécie e em moeda nacional", relata.

Segundo Raquel, muitos estrangeiros apresentam a carta-fiança. "Esta modalidade de fiança é complicada porque não temos garantia. Nesta forma, a empresa fornece a carta-fiança enquanto a pessoa é funcionária, mas ela pode ser transferida a qualquer momento ou deixar de ser funcionário e perdemos a garantia", explica.

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