
"Vou morar aqui". Essa é uma das expressões mais ouvidas nos plantões de vendas quando os compradores apontam nas maquetes os imóveis que pretendem ou acabaram de comprar. O encanto com a representação dos empreendimentos é apenas um entre vários fatores que movimentam o mercado de maquetes.Quando os projetos ainda estão na planta e não é possível visualizar as construções, as maquetes são as melhores ferramentas utilizadas para mostrar ao comprador como será o imóvel. "Fica mais fácil para o cliente entender como será o prédio. A maquete representa a textura, as cores, detalhes do acabamento, o posicionamento no terreno, a exposição ao sol e vários outros elementos importantes", explica a gerente de marketing da construtora Bascol Brasil, Bianca Cassilha. "Ela amplifica a experiência do cliente com o produto e dá uma noção tridimensional", complementa o gerente regional da Plaenge Empreendimentos, Luiz Gustavo Salvático.Em conjunto com os apartamentos decorados, as maquetes são um dos argumentos de venda das construtoras. Desta forma, os investimentos na área tornam-se indispensáveis e são critérios de escolha entre os clientes. "É um benefício muito grande pelo o que ela custa", garante a diretora de marketing do Grupo LN, Mariana Caponi. O valor de cada maquete varia de R$15 mil a R$70 mil e depende de elementos como: escala, área total construída, horas trabalhadas e detalhes nos acabamentos. Algumas podem chegar a R$105 mil, como a representação do edifício Universe Life Square (Thá e Rossi), que será construído no Centro de Curitiba. Com cinco metros de altura, a maquete apresenta o edifício mais alto da capital, que terá 152 metros de altura, 44 pavimentos e comporta unidades residenciais, comerciais, bem como áreas de lazer. Com todo esse tamanho, a maquete despertou a curiosidade dos vizinhos do empreendimento antes mesmo de ser lançada, por conta do grande aparato necessário para montá-la. Em alguns lançamentos, o grupo investiu em divulgação 3D, mas mesmo assim não descarta a importância das maquetes. "É preciso ter o elemento físico, é insubstituível", destaca a gerente de marketing do Grupo Thá, Cristiane Kilter. Ela estima que aproximadamente 30% de cada venda seja sustentada nas representações. A localização das maquetes nos plantões de vendas é estratégica. Elas ficam dispostas logo na entrada, com o objetivo de impressionar os visitantes e chamar a atenção de quem passa pela rua. Até mesmo a disposição de todo o plantão depende da maquete. "Existe um encantamento muito grande com as maquetes, elas despertam uma sedução, além de traduzir como ficará o projeto", conta a corretora Rosângela Jussiane, que hoje está no plantão de vendas do Boulevard Iguaçu (Thá). Em apenas uma semana, 90% do empreendimento foi vendido, entre outros fatores, em decorrência de uma grande campanha de marketing, em que a maquete foi elemento de destaque.
Com 16 anos de experiência na área, Rosângela acompanhou a tendência do uso das maquetes e percebeu a evolução no relacionamento entre as construtoras e os clientes, bem como dos consumidores com os imóveis que compram. "O comprador vê o projeto e se visualiza nele. Esses dias um cliente pegou um bonequinho, colocou no apartamento do quinto andar e depois pôs uma boneca que representava sua noiva. Deixou os dois no apartamento deles", conta.
Profissionalização
Nos últimos anos o mercado de maquetes passou por um intenso processo de profissionalização. As empresas deixaram de lado elementos e métodos artesanais para investirem em maquinário e mão de obra qualificada.
Essa transformação foi reflexo do crescimento no mercado imobiliário, da estabilidade da moeda, do aumento na concorrência e políticas de financiamento. "O mercado da maquetaria está com mais concorrência, variedade de materiais e custos melhores. Quem está atuando é porque se profissionalizou, investiu em pessoal e em maquinário. Difere muito do que era há alguns anos em que eram usados até restos de materiais", afirma o maquetista da Réplica Maquetes, Alexandre Ferreira Gross.
A empresa de Curitiba, que atende o interior de São Paulo, região Centro-Oeste e demais estados da Região Sul, é um exemplo dessa transformação. Há mais de 30 anos no mercado, a Réplica atende cerca de 100 construtoras e conta com um grande aparato para a produção de maquetes. A empresa investe também na criação de maquetes em ramos variados como o industrial, comercial, didático, relevos topográficos ou ainda cenários para propaganda.
A profissionalização das empresas de maquetes reflete diretamente no trabalho das construtoras. "É muito importante porque podemos nos organizar melhor e temos certeza da qualidade, confiança. O grande benefício da profissionalização dos nossos parceiros é que estão preparados para atender com mais qualidade e isso se reflete na ponta. Podemos fazer lançamentos com mais força", avalia Luiz Gustavo Salvático, da Plaenge.
Fidelidade
Antes de encantar os clientes, as maquetes passam por um cuidadoso processo que depois de concluído seduzem também seus executores. Durante a produção, o conceito mais importante incorporado nas equipes é a fidelidade ao projeto que estão representando. "Somos executores, recebemos o projeto e temos de transformá-lo em tridimensional, erguer conforme o desenho. Não podemos interferir em nada do projeto", ressalta Alexandre Ferreira Gross.
Com o mercado cada vez mais exigente, é preciso estar atento a todos os detalhes, que vão além da simples construção. É imprescindível a representação do paisagismo, acabamentos e texturas e espaços de lazer. "É necessário fidelidade e para isso seguimos o projeto nos mínimos detalhes, para deixar o mais natural possível", diz o maquetista.
Outra tendência na produção das maquetes é o aumento das escalas. Antes pequenos, os projetos estão cada vez maiores. Hoje, a escala de representação fica em torno de 1x43 ou 1x33, ou seja, cada um centímetro da maquete representa 33 centímetros do edifício que está sendo construído.






