
É comum as pessoas se lembrarem de um móvel com portas de vidro ambientado na sala de jantar ou de estar da casa da avó. São as eternas cristaleiras, que atravessam as gerações e perduram na composição da decoração com glamour e elegância.Clássicas ou contemporâneas, em ambientes modernos ou sofisticados, essas peças estão no mundo inteiro, diz o arquiteto Dalton Vidotti. "É um objeto totalmente utilitário que atravessou os séculos e mantém sua presença firme nas casas." As cristaleiras são verdadeiras contadoras de história, fazendo parte do ambiente lúdico de uma casa. Guardam lembranças, coleções e objetos de estima. É como se fossem as impressões digitais da família expostas em portas de vidro. É uma vitrine dentro de casa. Para Vidotti, três objetos definem o estilo de uma pessoa. "Os portarretratos, livros e a cristaleira que se têm em casa." O móvel se transforma em um espaço compartilhado, no qual objetos, entre eles os tradicionais cristais, revelam a história do lar. "É uma herança de família, não somente um suporte para cristais. Pode-se decorar com caixinhas, lembranças de viagem, fotos, presentes de amigos, miniaturas, troféus, xícaras, objetos antigos entre outras opções decorativas que sua imaginação permitir."A peça é um ponto da casa em que a pessoa pode mostrar um pouco mais da sua vida, jeito e estilo. "Ter uma cristaleira é uma oportunidade única para deixar sua marca. Com ela é possível imprimir o seu gosto pessoal, deixando o ambiente personalizado e confortável", comenta Vidotti.MisturaUma sugestão que nunca sai de moda é a mistura do clássico com o atual. Uma peça clássica pode ser usada em ambientes modernos e vice-versa. "O contraste é super rico, o ambiente fica mais convidativo, confortável e pessoal. Os espaços contemporâneos são mais impessoais", afirma a designer de interiores Maria Cláudia Stephanes. Uma cristaleira que contrasta com o ambiente o deixa mais aconchegante.Com toque contemporâneo, Maria Cláudia fez uma releitura da tradicional cristaleira Luís XV. Mantendo as linhas curvas originais da peça, a designer aplicou um acabamento em laca preta que, segundo ela, é uma cor bastante ousada para decoração. As ferragens, puxadores e ornamentos são torneados em bronze. "Adoro misturar os dois estilos. O resultado é uma peça clássica com um ar de contemporaneidade que fica bem em qualquer espaço. É requintada, tem os pés alongados e sinuosos. É uma peça sensual", ressalta. Outros retoques, como colocar um espelho, prateleiras de vidro, fazer uma pintura branca ou provençal, também são dicas para modernizar o clássico móvel.
A versatilidade é uma das razões pelas quais a cristaleira não é uma peça só do passado. O lugar dela não precisa ser necessariamente a sala de jantar. Vidotti sugere que pode ser colocada em um home theater, por exemplo, para guardar CDs e DVDs sem perder o seu charme e sem tornar-se um rack. Como um espaço de lembranças de viagem pode ficar no hall. "Até no quarto pode ser um espaço elegante para joias ou bijuterias, óculos e outros objetos pessoais". Como diz o arquiteto, na decoração não existe erro e sim má colocação.
Em um living também ficaria muito bem acomodada. "No espaço para receber visitas dá um charme especial. Pode compor com sofás, mesas e poltronas", diz Maria Cláudia. Funciona como um armário com mais possibilidades de uso, é um móvel adaptável às necessidades da pessoa. "Pode-se tornar um espaço íntimo, com coisas que os filhos fizeram quando eram pequenos, como modelagens, desenhos, fotos antigas", diz Vidotti. Além de ser um espaço para objetos selecionados, podem servir ainda como bar. "É possível deixar as bebidas na cristaleira e servi-las em qualquer momento", sugere Maria Cláudia. Para Vidotti, não tem regra nem proibição quando o assunto é a versatilidade da peça. Encontradas em vários tamanhos, podem ser adaptadas conforme o espaço disponível.
Nostalgia
Cristaleiras da antiguidade são peças impactantes em uma decoração. Saudosismo e requinte reúnem-se em réplicas que não deixam nada a desejar em relação às originais, datadas dos séculos passados. "Elas são um resgate daquilo que as pessoas viram na casa das avós e bisavós. Quando vão para a sua própria casa, desejam ter esse elemento que traz o saudoso vínculo com o passado", diz Marli Gonçalves, gerente da Balalaika Antiguidades, loja especializada em réplicas de cristaleiras francesas.
Ter uma réplica dessas em casa valoriza o ambiente e traz todo o glamour da época em que foi criada. "São peças que os filhos e netos disputam na herança, são a história da família que se mantém pelas gerações", comenta Marli.
"É uma peça fantástica, única. Lembro da minha avó, que tinha uma cristaleira para guardar louças antigas que foram repassadas para a família", diz Cezar Roberto Schaykosky, cabeleireiro e artista plástico, contando sobre a sua réplica de uma cristaleira de 1938. O móvel fica na sala e comporta cristais, objetos de porcelana chinesa e louças inglesas. "A decoração é o seu estado de espírito, reflete sua personalidade". Cezar sempre muda os objetos e quando viaja traz alguma lembrança para fazer parte do conjunto exposto na relíquia.
Para quem prefere a modernidade ao clássico, mas não dispensa a versátil peça em casa, o mercado oferece opções em vidro, com linhas retas, totalmente contemporâneas. O designer industrial Marcelo Herméto, da Sier Móveis, diz que "há modelos arrojados, que chegam a parecer verdadeiras caixas de vidro, o que está exposto é o foco principal, mas sem deixar que a beleza da peça se perca."
Serviço: Cristaleira Luís XV (releitura de Maria Cláudia Stephanes) à venda na Lotte Objetos Selecionados. Alameda Júlia da Costa, 870. Fone (41) 3014-3071. A peça custa R$ 9.800.
Balalaika Antiguidades Avenida Manoel Ribas, 1.921. Fone (41) 3022-5870. Cristaleiras a partir de R$ 1 mil.
Cristaleiras de vidro das marcas Herval, Sier e Tremarin Lojas da Móveis Campo Largo. Informações: www.moveiscampolargo.com.br













