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Iniciativa mostra como a tecnologia pode ser uma ponte, e não um obstáculo, para resgatar o hábito da leitura entre os jovens.

Biblioteca Digital: aliança entre a internet e a leitura

Imagem: Freepik " In the library (Foto: )

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A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024), realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), em parceria com a Fundação Itaú e o Ministério da Cultura, trouxe um dado alarmante: 53% dos brasileiros não leem livros. Pela primeira vez, a proporção de não-leitores superou a de leitores. Houve uma redução de 6,7 milhões de leitores nos últimos quatro anos, e a média anual de leitura caiu para 3,96 livros por pessoa. A pesquisa define como "leitor" aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro, de qualquer gênero, nos últimos 3 meses. Esses números mostram a redução de repertório cultural de uma população que parece estar se distanciando cada vez mais das páginas dos livros.

Entre os jovens, um dos fatores que leva a essa diminuição é a competição com as tecnologias digitais. Redes sociais e jogos disputam a atenção com a leitura tradicional, já que a constante necessidade de dopamina nessa geração não é suprida com tanta rapidez entre as páginas de um livro. A leitura demanda tempo e maior esforço cognitivo.

Diante desse cenário, iniciativas que resgatem o prazer da leitura tornam-se essenciais para o desenvolvimento dos alunos. O Colégio SESI Centro Dr. Celso Charuri, em Curitiba, enfrentou esse problema realizando um projeto com alunos do 1º e 2º ano do Ensino Médio: o "Clube de Leitura Digital". A ação foi desenvolvida com nove turmas e propôs uma abordagem colaborativa, incentivando os estudantes a explorarem obras literárias utilizando computadores e a internet, ferramentas vistas como vilãs neste processo de distanciamento da leitura.

O projeto foi idealizado para suprir duas necessidades: incentivar a leitura e ampliar o repertório sociocultural. Organizados em equipes, os estudantes escolhiam obras literárias disponíveis na biblioteca digital do Portal SESI Educação, realizavam a leitura conjunta e posteriormente apresentavam minisseminários para o grupo. Títulos como "Aqui estão os sonhadores" (Imbolo Mbue), "Queimando livros" (Richard Ovenden) e "A máquina de fazer espanhóis" (Valter Hugo Mãe) integram o acervo, e puderam ser utilizados para realização do trabalho, permitindo com que os jovens tivessem contato com temáticas globais e linguagens sofisticadas.

Os minisseminários estimularam competências como pesquisa, argumentação e oratória. A necessidade de compartilhar o conteúdo exigiu uma leitura atenta e análise crítica. Esse processo transformou o ato solitário de ler em um aprendizado coletivo, no qual a interpretação de um aluno enriquecia a visão do outro, criando uma rede de significados diferente de uma leitura isolada.

Um ponto a se destacar é que a tecnologia não precisa ser vista como o oposto do livro. A biblioteca digital é um facilitador, que permite ao aluno carregar “no bolso” um número infinito de obras, e que podem ser visitadas e revisitadas a qualquer momento e em qualquer lugar.

Além do incentivo imediato, o clube visava ampliar o repertório sociocultural, algo valorizado em exames como o ENEM. A leitura constante é o combustível para uma boa redação; ela melhora a interpretação de texto, expande o vocabulário e fornece a base argumentativa necessária para defender pontos de vista. Um aluno que lê é um aluno que escreve com autoridade e compreende as nuances do mundo ao seu redor.

Em uma sociedade mediada por telas, adaptar a promoção da leitura é fundamental. Projetos como o do Colégio SESI demonstram que é possível fomentar o hábito leitor integrando a tecnologia às práticas educacionais. O segredo não está em combater o digital, mas em ocupá-lo com conteúdo de qualidade, provando que a boa literatura continua sendo a ferramenta mais poderosa para expandir os horizontes da mente humana.

E como dizia a autora e professora Maria Lajolo em sua obra Do mundo da leitura para a leitura do mundo: “lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode (nem costuma) encerrar-se nela.”

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