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Como transformar um problema presente no cotidiano em uma oportunidade de aprendizagem? Essa foi a pergunta que motivou as estudantes do Colégio Sesi de Ampére (PR), Ana Clara Tazzo Kuhn, Bianca Menin Krenchinski e Thalia Vitória Alievi, a desenvolverem uma pesquisa sobre o reaproveitamento do óleo de cozinha residual para a produção de biodiesel.
Orientadas pelas professoras Francieli Jantara e Andreia Belusso, as estudantes investigaram uma questão ambiental próxima da realidade da comunidade: o descarte inadequado do óleo de cozinha. A proposta era compreender como esse resíduo poderia ser reaproveitado e transformado em uma fonte de energia renovável.
A pesquisa possibilitou às estudantes vivenciar diferentes etapas da investigação científica. Elas precisaram buscar informações, levantar hipóteses, organizar dados, realizar cálculos, acompanhar os experimentos e analisar os resultados. Nesse percurso, conteúdos de química, biologia, matemática e sustentabilidade passaram a fazer sentido a partir de uma situação concreta.
Como tudo aconteceu?
As amostras de óleo foram coletadas no município de Ampére e encaminhadas para análise no laboratório da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Realeza, em parceria com o Grupo de Pesquisa em Energias Renováveis e Sustentabilidade (GPERS). A parceria ampliou as possibilidades da pesquisa e permitiu que as estudantes tivessem contato com procedimentos e espaços de investigação científica além da escola.
Após a caracterização das amostras, as estudantes produziram biodiesel utilizando dois métodos diferentes: a transesterificação convencional e uma alternativa baseada em tecnologia eletroquímica. A comparação permitiu observar diferenças entre os processos e refletir sobre aspectos como eficiência e consumo de energia.
Os resultados apresentaram rendimentos superiores a 90% em ambas as metodologias. Um dos aspectos que mais chamou a atenção foi a diferença nas condições utilizadas: enquanto o método convencional exigiu aquecimento, o processo eletroquímico foi realizado em temperatura ambiente. A observação despertou discussões sobre possibilidades de redução do consumo energético e sobre o potencial de tecnologias alternativas para o reaproveitamento de resíduos.
Entretanto, os resultados laboratoriais foram apenas uma parte da experiência. Ao longo do projeto, as estudantes também precisaram lidar com dúvidas, interpretar informações e compreender que nem sempre a resposta aparece imediatamente. Cada etapa exigia atenção, colaboração e capacidade de tomar decisões.
A pesquisa também transformou a maneira como as estudantes passaram a olhar para um material presente no cotidiano. O óleo, antes percebido apenas como um resíduo que precisava ser descartado, tornou-se objeto de investigação e fonte de novas perguntas. A experiência mostrou que um problema ambiental pode ser o ponto de partida para descobrir conceitos científicos e, ao mesmo tempo, desenvolver autonomia e responsabilidade.
Outro aprendizado importante foi perceber que a ciência não está distante da realidade escolar. Ela pode começar com uma pergunta simples, surgir de uma necessidade da comunidade e ganhar novos caminhos por meio da parceria entre escola e universidade.
Aprendizagem e prática lado a lado
Ao aproximar ciência, sustentabilidade e realidade local, o projeto fortaleceu o protagonismo das estudantes e mostrou que aprender também significa investigar, experimentar, questionar e rever ideias. Mais do que produzir biodiesel, a experiência permitiu que as estudantes compreendessem, na prática, como o conhecimento científico é construído.
O óleo residual que poderia ser apenas um descarte tornou-se matéria-prima para uma investigação. A investigação, por sua vez, transformou-se em uma oportunidade de aprendizagem. E essa aprendizagem deixou uma descoberta que vai além dos resultados do laboratório: problemas do cotidiano podem se tornar caminhos para a ciência quando encontramos boas perguntas e nos dispomos a buscar respostas.
Francieli Jantara – Professora de Química e orientadora do projeto
Andreia Belusso – Professora de Biologia e orientadora do projeto



