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Praticar a empatia e a cooperação também é exercício
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"O Brasil é o país mais deprimido de toda a América Latina, sendo 5,8% (12 milhões) da população vítima da depressão. O número nacional, divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é maior que a média mundial, de 4,4%". Essa informação, retirada da matéria "Quando a tristeza termina e começa a depressão: fique atento aos sinais", publicada em setembro de 2019, na Gazeta do Povo, revela o quanto, mesmo com os avanços e descobertas da ciência com relação à saúde emocional, estamos adoecendo cada vez mais.

O assunto é tão importante, que muitos professores vêm percebendo esse cenário e demonstrando grande preocupação com o papel da escola nesse contexto. Não é a toa que os temas relacionados à saúde integral, educação socioemocional e inteligência emocional foram recorrentes durante todo o ano de 2019 no Ler e Pensar. Recebemos muitas práticas relacionadas ao assunto, e várias delas foram destaques na nossa coluna, algumas até mesmo premiadas no Missão Leitura. Foi o que aconteceu com a professora de educação física Taísa Valentin Silva, do Colégio Estadual Ivan Ferreira do Amaral Filho, em Campina Grande do Sul.

Na prática

A professora Taísa já vinha observando a necessidade de tratar desse tema na Escola, pois vários alunos demonstravam sinais de depressão. Mesmo com uma psicóloga disponível na Instituição, para atender a esses estudantes, a docente percebeu que poderia fazer mais, e aproveitou a mobilização do Setembro Amarelo, promovida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) para levar o assunto para sala de aula. Acostumados a tratar da saúde do corpo, nas aulas de Educação Física, era hora de falar das emoções e da saúde mental.

O trabalho, com a turma do 3º ano do Ensino Médio, começou com a leitura e discussão da matéria citada no início deste texto. Com isso, os alunos constaram que a depressão não era um problema apenas da Escola, mas mundial. A turma percebeu então que a informação é uma ferramenta valiosa e que os atendimentos psicológicos eram extremamente necessários.

Diante disso, pensaram em algumas soluções que poderiam ser adotadas por eles, se apropriando da 9ª competência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que fala sobre a Empatia e Cooperação, competência esta já trabalhada anteriormente por eles. Você pode conferir aqui.

E para então colocarem todo esse conhecimento adquirido em prática, realizaram a visita a uma Organização Social que atende crianças, jovens e adultos com depressão e usa o artesanato como “remédio” para este mal, a OSC Lucianas e Marias.

Os alunos ficaram empolgadíssimos com a visita, pois conheceram os voluntários, conversaram com beneficiários e perceberam a importância daquele trabalho. A partir disso, resolveram que também queriam ajudar e para isso criaram uma campanha na escola, com o envolvimento de toda a comunidade, de arrecadação de materiais de artesanato. Os materiais arrecadados foram entregues pelos próprios alunos à Instituição.

Segundo Taísa, esse trabalho não tem preço. Os alunos já saíram da organização pensando em novas formas de ajudar o próximo. Para ela, todos saíram ganhando. “Tivemos um aprendizado para a vida inteira, nos tornamos mais companheiros, sabendo cooperar e ajudar os outros com simples gestos”, contou a professora.

Com essa prática, e todos os trabalhos realizados pela Professora Taísa Valentin em 2019, ela foi uma das 10 melhores professoras do ano, e ficou com o 6º lugar na votação popular do Ler e Pensar, graças aos 29444 votos conquistados.

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