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As transformações tecnológicas, sociais, ambientais e econômicas têm provocado uma pergunta importante para a educação: o que significa preparar um jovem para um mundo que muda tão rapidamente? Mais do que ampliar o acesso à informação, a escola precisa criar condições para que os estudantes interpretem problemas, investiguem possibilidades, tomem decisões e construam respostas responsáveis.
O Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, aponta o pensamento analítico entre as competências mais valorizadas e estima mudanças em quase 40% das competências requeridas até 2030.
O OECD Learning Compass 2030 também coloca a agência dos estudantes no centro de uma educação voltada para o futuro, compreendendo-a como a capacidade de refletir, agir e produzir mudanças de forma responsável.
É nesse cenário que experiências de protagonismo e iniciação científica ganham relevância. Quando um estudante parte de uma pergunta, identifica um problema, pesquisa informações, formula hipóteses, experimenta, analisa resultados e comunica suas conclusões, o conhecimento deixa de ser apenas algo a ser memorizado e passa a ser uma ferramenta para compreender e intervir na realidade.
Da pergunta ao conhecimento
No Colégio Sesi, essa perspectiva se concretiza em práticas que aproximam os estudantes da pesquisa científica, dos desafios reais e da construção de soluções.
Um exemplo de como essa lógica pode se materializar está em projetos de iniciação científica desenvolvidos por estudantes da Educação Básica do Sesi Paraná. Em uma experiência voltada à agricultura, estudantes investigaram a possibilidade de desenvolver um produto para proteger plantas dos efeitos da geada. O trabalho envolveu experimentação para avaliar a eficiência do produto, investigação sobre nanoestruturas e análise de resíduos nas plantas.
E a ideia aqui é chegar além do produto. É criar uma experiência que envolve observação, experimentação, análise de evidências, comunicação de resultados e colaboração.
Esse tipo de iniciativa mostra que a iniciação científica na educação básica não precisa reproduzir a pesquisa acadêmica, mas aproximar o estudante da forma de pensar cientificamente: fazer perguntas, buscar evidências, revisar hipóteses, reconhecer erros e aprender com o próprio processo.
O professor também muda de lugar
Nesse movimento, o papel do professor também se transforma. Em uma proposta investigativa, ensinar exige intencionalidade para formular perguntas, orientar procedimentos e estabelecer relações entre conhecimentos.
Assim, dar protagonismo aos estudantes significa criar condições para que eles tenham voz, façam escolhas fundamentadas, assumam responsabilidades e compreendam as consequências de suas decisões, sempre contando com a mediação de adultos e com a colaboração dos pares.
Quando o conhecimento encontra um problema real
A aprendizagem ganha outra dimensão quando os conteúdos escolares são relacionados a situações reais, transformando problemas do cotidiano em oportunidades de investigação e construção de conhecimento.
Os resultados não devem ser avaliados apenas pelo produto final ou por uma eventual premiação. Trabalhar em equipe, argumentar, interpretar informações, comunicar descobertas e persistir diante de problemas complexos também são aprendizagens fundamentais. Uma experiência investigativa pode gerar um protótipo, uma pesquisa ou uma solução, mas também algo que acompanhará o estudante por muito mais tempo: a confiança para perguntar, investigar e aprender continuamente.
Protagonismo como formação para a vida
Pensar o protagonismo estudantil exige ir além de tornar a aula mais dinâmica. Significa criar ambientes em que os estudantes compreendam o que aprendem, façam escolhas fundamentadas, assumam responsabilidades, experimentem, questionem, errem, reconstruam e transformem ideias em ações.
Formar para o futuro não significa apenas prepará-los para profissões que já conhecemos, mas desenvolver a capacidade de aprender, adaptar-se, colaborar e participar da construção de soluções para problemas que ainda estão por surgir.
E talvez seja justamente essa uma das tarefas mais importantes da educação contemporânea: formar jovens que não apenas saibam responder às mudanças do mundo, mas que se sintam capazes de participar da sua transformação.
Referências
OECD. **The OECD Learning Compass 2030**. OECD Future of Education and Skills 2030. OECD. ([OECD][2])
OECD. **OECD Learning Compass 2030: Concept Note**. OECD Future of Education and Skills 2030. 2019. ([OECD][4])
OECD. **What Students Learn Matters: Towards a 21st Century Curriculum**. OECD Publishing. ([OECD][10])
WORLD ECONOMIC FORUM. **The Future of Jobs Report 2025**. Geneva: World Economic Forum, 2025. ([World Economic Forum][1])
SISTEMA FIEP. **Relatório Anual do Sistema FIEP 2024**. Curitiba: Sistema FIEP, 2025. ([Sistema Fiep][8])
COLÉGIO SESI DA INDÚSTRIA. **Metodologia Maker STEAM e Oficinas de Aprendizagem**. Sesi Paraná. ([Colégio SESI][5])
COLÉGIO SESI DA INDÚSTRIA. **Projetos de Tecnologia e Inovação**. Sesi Paraná. ([Sesipr][7])
Autores:
· Geneci Conceição Malinski
· Morgana Garda de Oliveira
· Renata Piovesan
· Juliana Aparecida Korte Biondo
· Ricardo Vinicius Pereira
· Gefferson Djohni Schmitz
· Gecieli Caroline Schuster
· Andreia Schallenberger
· Adrieli Lais Sehnem
· Barbara Daiana Jochem
Equipe gestora, pedagógica e docente do Colégio Sesi da Indústria de Capanema.



