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Desenvolvimento intergeracional

Quando os dados ganham voz

Imagem gerada por Inteligência Artificial onde uma adolescente está dialogando com uma idosa.
Imagem gerada por Inteligência Artificial (Foto: )

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O envelhecimento faz parte da trajetória humana, mas nem sempre está presente no cotidiano e nas reflexões dos adolescentes. Em uma sociedade cada vez mais acelerada e conectada, criar oportunidades para que jovens e idosos dialoguem tornou-se uma experiência importante para fortalecer valores como empatia, respeito, escuta e responsabilidade social.

Foi a partir dessa perspectiva que nasceu o projeto "Entre Gerações: Quando os Dados Ganham Voz", desenvolvido com estudantes do Ensino Médio. A proposta começou a partir de reflexões sobre o Dia da Pessoa Idosa e convidou os alunos a entrevistarem avós, avôs e outras pessoas idosas de sua convivência. O objetivo era conhecer histórias de vida, sonhos, realizações, desafios, lembranças e sentimentos que ajudassem a compreender diferentes experiências e modos de enxergar o mundo.

Após as entrevistas, as informações foram organizadas e transformadas em gráficos. No entanto, durante a análise dos resultados, os estudantes perceberam que os dados revelavam muito mais do que números. Cada resposta carregava memórias, afetos, conquistas e experiências únicas. Um aspecto chamou especialmente a atenção: a presença da saudade nos relatos de muitos entrevistados. Saudade de pessoas, de momentos vividos, de encontros e até mesmo do simples ato de conversar e compartilhar a vida com alguém.

Aprendendo com outras gerações

A ideia da ação é ir além de desenvolver habilidades de pesquisa e interpretação de dados, a experiência contribuiu para o fortalecimento de competências socioemocionais.

Ao ouvir histórias marcadas por alegrias, desafios e aprendizados, os estudantes exercitaram a escuta ativa, a sensibilidade, o respeito às diferenças e a capacidade de compreender outras perspectivas.

Esse processo permitiu uma mudança significativa de olhar. Os alunos passaram a perceber que, por trás de cada gráfico, existe uma pessoa com sentimentos, sonhos e memórias. A atividade mostrou que os dados não representam apenas informações estatísticas, mas também experiências humanas que merecem ser reconhecidas e valorizadas.

A proposta segue em continuidade e avança para uma nova etapa de aproximação entre gerações. Além das arrecadações realizadas pelas turmas, está prevista uma visita a uma instituição de acolhimento de idosos, proporcionando momentos de convivência, diálogo, apresentações culturais e partilha. A iniciativa busca reforçar que responsabilidade social não se resume a doações materiais, mas envolve presença, escuta e construção de vínculos.

Ao transformar entrevistas em conhecimento e dados em histórias, o projeto evidencia que a educação também acontece quando aprendemos a ouvir. Em tempos de tantas

informações, desenvolver a capacidade de enxergar as pessoas por trás dos números é uma aprendizagem que contribui para formar cidadãos mais sensíveis, conscientes e preparados para viver em sociedade.

Por Rita de Cássia Gomes Pedroso Kroll - Professora do Colégio Sesi da Indústria de Telêmaco Borba

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