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O líder da China comunista, Xi Jinping, na abertura do Fórum Econômico Mundial, que está sendo realizado virtualmente, 25 de janeiro
O líder da China comunista, Xi Jinping, na abertura do Fórum Econômico Mundial, em 25 de janeiro.| Foto: World Economic Forum (WEF) / AFP

Os americanos elegem seus presidentes. Não é assim na China.

Podemos ter passado do 45.º presidente dos EUA para o 46.º, e as mudanças decorrentes já são legião, dadas as dezenas de ordens executivas emitidas pelo presidente Joe Biden.

Mas nosso relacionamento com a China, e o homem que recentemente se tornou líder vitalício, não mudou.

O presidente chinês Xi Jinping é agora o imperador funcional da maior ditadura do mundo. E devemos entender que ela está em guerra com qualquer nação que tenha um governo representativo, ou que se recusa a se ajoelhar diante dela. Basta perguntar aos residentes de Hong Kong.

Como tal, devemos compreender a ameaça que envolve o regime comunista de Xi. Como nos ensina o antigo general chinês Sun Tzu: "Conheça o seu inimigo."

Bem, aqui estão os fundamentos que todos devem saber.

Uma forma diferente de guerra

Pouco antes do 11 de setembro, dois coronéis graduados da Força Aérea do Exército de Libertação do Povo da China publicaram o livro Unrestricted Warfare [Guerra Irrestrita].

Qiao Liang e Wang Xiangsui, ambos experientes na guerra política, propõem em seu livro que o contexto do conflito mudou drasticamente. Essa mudança, argumentam, exigiu um “novo” tipo de guerra sem limites.

No texto, os dois militares enfocam primeiro as mudanças geoestratégicas e geopolíticas que exigem o que eles chamam de guerra irrestrita.

Essa discussão inclui excursões sobre o tema da globalização, o declínio do poder do Estado-nação clássico, a ascensão de atores “superpoderosos”, como hackers e guerreiros cibernéticos, bem como um longo discurso sobre o significado da Guerra do Golfo Pérsico.

E isso leva os dois autores a enumerar os oito princípios da guerra irrestrita, o tipo de estratégia a ser usada ao lutar contra um adversário muito mais poderoso. Como os Estados Unidos. Eis suas ferramentas para nos derrubar:

Onidirecionalidade. Uma perspectiva de 360 ​​graus garantindo a consideração geral de todos os fatores relacionados à guerra, uma filosofia pela qual a guerra é redefinida como militar, quase militar ou não militar com o "campo de batalha" existente em todos os lugares e sem distinção feita entre combatentes e não combatentes.

Sincronia. Realização de ações em diferentes locais no mesmo período de tempo.

Objetivos limitados. Limitar os objetivos em relação às medidas empregadas. Os objetivos sempre devem ser menores do que as medidas usadas para obtê-los.

Medidas ilimitadas. Uma vez que os objetivos são limitados, não deve haver restrições às medidas usadas para alcançá-los. Daí a guerra irrestrita.

Assimetria. Compreender e empregar o princípio da assimetria corretamente, a fim de encontrar e explorar as fraquezas do inimigo.

Consumo mínimo. Use o mínimo de recursos de combate suficientes para cumprir o objetivo. Isso é análogo ao princípio dos EUA conhecido como "economia de força".

Coordenação multidimensional. Coordenar e alocar todas as forças que podem ser mobilizadas nas esferas militares e não militares cobrindo um objetivo. Significativamente, isso inclui recursos não militares, como a guerra cultural.

Ajuste holístico e controle de todo o processo de guerra. Aquisição contínua de informações durante a campanha para permitir ajustes iterativos e controle abrangente.

A cultura estratégica da China

Mesmo uma rápida olhada sobre isso irá demonstrar que nenhum desses princípios é novo. Na verdade, vários são tão antigos quanto "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, o influente tratado sobre estratégia militar. Outros são simplesmente bom senso.

No entanto, não devemos desconsiderar este trabalho. Ou melhor, não devemos concluir que não há nada de novo sobre como a China tem pensado e exercido seu poder no mundo pós-11 de setembro e como ela usará essa abordagem para atacar os interesses dos EUA.

Cada nação tem sua própria e única cultura estratégica, assim como atores não estatais. A cultura estratégica da China é moldada de maneira marcante por duas experiências históricas específicas: o período original dos Estados beligerantes que nos trouxeram a sabedoria de Sun Tzu e as experiências do século 19 e início do século 20 da China moderna.

A primeira experiência histórica imbuiu a personalidade estratégica dos generais e outros líderes da China com a obsessão de manter a coesão interna em um grau obsessivo que excede em muito qualquer atitude razoável que outras nações têm em relação à paz e harmonia internas.

A segunda experiência histórica criou uma ferida psicológica apodrecida na mente da elite política de que a China nunca mais deveria ser explorada e humilhada por potências estrangeiras (ocidentais), como foi por tanto tempo na era moderna.

No que isso resultou hoje, no que diz respeito aos objetivos e às ações estratégicas da China?

Qiao e Wang podem não ter exposto uma nova guerra revolucionária para sua nação, mas Pequim definitivamente está praticando uma forma muito perspicaz de guerra irregular. A abordagem se concentra menos no controle político remoto do que na intimidação e no controle econômico.

Um ator global crescente

Basta olhar para as ações da China na América Latina e no Sul da Ásia, com bilhões "investidos" em países como Venezuela e Afeganistão para acesso a recursos naturais como petróleo e cobre, e veremos como a China usa recursos não cinéticos para realizar seus objetivos nacionais.

Some-se a isso a privatização e cooptação do Estado perpetrada pela China na África em lugares como Angola e Nigéria, e podemos ver o quão global a China se tornou como ator nos últimos anos. A abordagem de Pequim é explorar as nações fracas e os regimes corruptos e explorar as fraquezas das nações fortes.

E quando se trata do mais forte de seus concorrentes, como os Estados Unidos, para citar Qiao em uma entrevista à mídia estatal CCTV em 2012 (na época em que ele se tornara general), o objetivo é “criar problemas para o criador de problemas.” Ele se refere aos EUA.

A China quer ser o Estado mais poderoso do mundo. Para fazer isso, deve “destronar” os EUA. Se isso acontecer, os assuntos internacionais serão dominados não por uma nação fundada no princípio dos “direitos inalienáveis” derivados de nosso Criador, mas por uma ditadura comunista dirigida por um homem que recentemente se tornou o primeiro ministro vitalício.

O ex-presidente Donald Trump entendeu que nem todas as guerras envolviam bombas e balas, que as armas econômicas e políticas muitas vezes podem alcançar o que as medidas cinéticas não conseguem.

E o nosso novo presidente? Provavelmente, veremos em breve.

Sebastian Gorka, Ph.D., é ex-assistente adjunto de estratégia do presidente Trump e autor de “The War for America’s Soul.”

© 2021 Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.
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