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40 anos do Concílio Vaticano II

A ressurreição da língua morta

Em um mundo dominado pelo inglês, parece surreal que todas as discussões do concílio ocorressem em... latim – o que não era um problema, diz dom José de Aquino Pereira. "No seminário, aulas e provas eram em latim." Dom Antônio Fragoso acrescenta que o cardeal Ottaviani falava o idioma oficial da Igreja melhor do que muitos bispos falavam a língua materna. O secretário-geral do concílio, cardeal Pericle Felici, contava até anedotas em latim, segundo dom Jaime Coelho.

Mas nem todos se davam bem com a língua. Os bispos das igrejas de rito oriental tinham permissão para usar o francês, embora o patriarca melquita Máximo IV tenha sido repreendido uma vez, quando o presidente da mesa pediu que o secretário do bispo repetisse o discurso, mas em latim. Em situação pior ficaram os bispos norte-americanos. O cardeal Richard Cushing sugeriu ao Papa que instalasse um serviço de tradução simultânea. Oferta aceita, a arquidiocese de Boston pagou pela obra, mas nos testes descobriu-se que o som vazava para fora da Basílica de São Pedro. "O sistema foi vetado e Cushing foi embora reclamando que não sabia latim", recorda dom Fragoso. "De fato, o latim dos norte-americanos era bem fraco. Às vezes eles preferiam ficar no bar, esperando as traduções no fim do dia", completa dom Armando Cirio, arcebispo emérito de Cascavel. (MAC)

Leia amanh㠖 As personalidades do Vaticano II: os grandes oradores e estrategistas que influenciaram os rumos do concílio.

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