Um remédio contra os abusos litúrgicos atuais (veja textos abaixo) poderia estar na difusão da missa segundo o rito anterior ao Vaticano II. A missa tridentina nunca foi oficialmente abolida. O cisma da Sociedade São Pio X, do arcebispo Marcel Lefèbvre, levou o Vaticano a dar mais atenção aos fiéis que pediam sua manutenção. João Paulo II determinou que cada bispo pode permitir, a seu critério, a celebração da missa tridentina em sua diocese, e pediu que os prelados fossem generosos nisso.
Para dar à Igreja padres que saibam celebrar no rito tridentino, o Papa fundou a Fraternidade de São Pedro; enquanto o ramo brasileiro da Sociedade de São Pio X assinou um acordo com o Vaticano em 2002 e se tornou a Administração Apostólica São João Maria Vianney (em Campos, RJ), que envia padres a várias cidades brasileiras, inclusive Curitiba. "Não somos saudosistas; preservamos o rito tridentino por causa da riqueza e solenidade dos ritos, maior senso do sagrado, reverência, elevação e nobreza das cerimônias, respeito, beleza e piedade", argumenta dom Fernando Rifan, administrador apostólico.
A preferência pelo rito tridentino não é particularidade de católicos de mais idade. "Em agosto, acompanhei 2 mil jovens do grupo Juventutem, ligados à liturgia tradicional, na Jornada Mundial da Juventude, na Alemanha", conta o bispo. Dom Fernando acredita que Bento XVI pode tornar a missa tridentina mais disponível. "Esperamos muito dele, pois quando cardeal sempre se mostrou um defensor da legitimidade do rito de São Pio V", completa.



