Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
 | Reprodução/Pixaba
| Foto: Reprodução/Pixaba

Os abusos sexuais cometidos contra crianças de orfanatos britânicos enviadas à Austrália, África do Sul e outros países da Commonwealth no século XX são alvo de uma investigação pública iniciada nesta segunda-feira (27) em Londres.

No âmbito de um programa que se estendeu entre os anos 1920 e 1970, cerca de 150 mil crianças de três a 14 anos, órfãos, filhos de mães solteiras ou de famílias que não podiam criá-los, foram enviados à Austrália, Canadá, África do Sul, Zimbábue - então Rodésia - com a promessa de “uma vida melhor”. Em muitos casos, sem o consentimento dos seus pais.

A ideia era aliviar os orfanatos do Reino Unido, resolver a crise de mão-de-obra nos países da Commonwealth e povoá-los com pessoas brancas, mas para as crianças foi um inferno causado por trabalhos próximos à escravidão e abusos constantes.

A recém-lançada Comissão Independente de Investigação sobre Abusos Sexuais iniciou nesta segunda-feira as audiências para investigar os abusos a esses menores, concentrando-se no período posterior à Segunda Guerra Mundial e no papel que 13 instituições desempenharam no seu sofrimento.

Aswini Weereratne, da Fundação de Crianças Emigrantes, como aqueles menores são conhecidos, disse que é “impossível resistir à conclusão de que algumas das coisas que foram feitas eram de uma depravação inaceitável. Termos como ‘abusos sexuais’ são suaves demais para descrevê-las”.

“Não foi uma emigração voluntária, foi uma deportação forçada”, acrescentou a advogada, falando de “torturas, estupros e escravidão”, em muitos casos.

A responsável legal da investigação, Henrietta Hill, lembrou que o “governo britânico financiou parcialmente o programa, aprovou as instituições residenciais e foi responsável por autorizar a emigração de crianças enviadas por autoridades locais”.

Já a representante do governo na investigação, a advogada Samantha Leek, afirmou que “a emigração infantil foi um erro. Não deveria ter sido aprovada nem facilitada pelo governo”. Leek acrescentou que “as consequências permanentes” para as vítimas “são motivo de arrependimento sincero e profundo”.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]